Seder Tehorot · Massechet Pará · Perek Tet · Mishná 1 de 9

O frasco de água de chatat em que caiu água, orvalho ou substância que deixa marca

צְלוֹחִית שֶׁנָּפַל לְתוֹכָהּ מַיִם כָּל שֶׁהֵן, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יַזֶּה שְׁתֵּי הַזָּיוֹת. וַחֲכָמִים פּוֹסְלִין. יָרַד לְתוֹכָהּ טַל, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יַנִּיחֶנָּה בַחַמָּה וְהַטַּל עוֹלֶה. וַחֲכָמִים פּוֹסְלִין. נָפַל לְתוֹכָהּ מַשְׁקִין וּמֵי פֵרוֹת, יְעָרֶה וְצָרִיךְ לְנַגֵּב. דְּיוֹ, קוֹמוֹס, וְקַנְקַנְתּוֹם, וְכָל דָּבָר שֶׁהוּא רוֹשֵׁם, יְעָרֶה וְאֵינוֹ צָרִיךְ לְנַגֵּב:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

O frasco (tzelochít) de água de chatat contaminado por água qualquer, orvalho, líquido ou substância que deixa marca — abrindo o Perek Tet com as regras sobre o que invalida a água já consagrada e sobre o que exige, ou não, enxugar o vaso

Um frasco (tzelochít) em que caiu água, seja qual for a quantidade: Rabi Eliézer diz que se aspergem duas aspersões. Mas os sábios invalidam. Desceu nele orvalho: Rabi Eliézer diz que se o deixe ao sol, e o orvalho subirá. Mas os sábios invalidam. Caiu nele líquido ou suco de frutas: que se despeje (o conteúdo), e é necessário enxugar (o vaso). Tinta, goma, ou vitríolo (sulfato de cobre), e qualquer coisa que deixa marca: que se despeje, e não é necessário enxugar.

O Perek Tet abre com o frasco (tzelochít) — o vaso que recebe a água após a cinza da vaca ter sido nele lançada, distinto do cocho (shoket), o vaso anterior à consagração — e examina quatro contaminações possíveis: água comum em quantidade mínima, que Rabi Eliézer tenta salvar por meio de duas aspersões sucessivas, mas que os sábios invalidam de imediato; orvalho, que Rabi Eliézer propõe evaporar ao sol, também rejeitado pelos sábios; líquidos e suco de frutas, que exigem esvaziar e enxugar completamente o vaso antes de nele reintroduzir a água de chatat; e substâncias que deixam marca visível, como tinta, goma ou vitríolo, cujo critério é mais simples: se não há marca visível, não há necessidade de enxugar, pois a própria ausência de mancha já comprova que nada restou.

צְלוֹחִית שֶׁנָּפַל לְתוֹכָהּ מַיִם כָּל שֶׁהֵן, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יַזֶּה שְׁתֵּי הַזָּיוֹת. וַחֲכָמִים פּוֹסְלִין. יָרַד לְתוֹכָהּ טַל, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יַנִּיחֶנָּה בַחַמָּה וְהַטַּל עוֹלֶה. וַחֲכָמִים פּוֹסְלִין. נָפַל לְתוֹכָהּ מַשְׁקִין וּמֵי פֵרוֹת, יְעָרֶה וְצָרִיךְ לְנַגֵּב. דְּיוֹ, קוֹמוֹס, וְקַנְקַנְתּוֹם, וְכָל דָּבָר שֶׁהוּא רוֹשֵׁם, יְעָרֶה וְאֵינוֹ צָרִיךְ לְנַגֵּב:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Pará 9:1
כמו שיקרא הכלי אשר בו המים המוכנים לקדוש שוקת כך יקרא הכלי אשר בה מים מקודשין צלוחית ואם נפל באלה המים מים אחרים בלתי מקודשין אמר רבי אליעזר שהוא יזה שתי הזאות…

Assim como se chama de shoket (cocho) o vaso em que estão as águas preparadas para a consagração, assim se chama de tzelochít (frasco) o vaso em que estão as águas já consagradas. E se caiu nessas águas outra água não consagrada, disse Rabi Eliézer que se aspergem duas aspersões e as lancem para fora do vaso, e o restante permanecerá como água de chatat válida. E do mesmo modo, se caiu orvalho na água de chatat, coloca-se o vaso ao sol — eis que esse orvalho é o que secará primeiro, e o restante da água permanecerá válido. E ‘que se despeje’ (ye’areh) é que se esvazie o vaso; e ‘que se enxugue’ (yenagev) é que se enxugue o vaso, e então se introduza nele a água de chatat. E se caiu nele algo que deixa marca, como a tinta, o vitríolo e o orpimento que mencionou — eis que não será necessário enxugar o vaso, pois se algo dele permanecesse, isso se veria, porque deixaria marca; e se lavou o vaso até que não restasse nele marca alguma, ou no momento em que derramou a água de purificação não restou nesse vaso aparência alguma de marca — não é necessário enxugar.

Bartenura · Pará 9:1
צְלוֹחִית. כְּלִי שֶׁנּוֹתְנִים בּוֹ הַמַּיִם הַמְקֻדָּשִׁים לְאַחַר שֶׁהִשְׁלִיךְ הָאֵפֶר לְתוֹכָן…

Sobre “tzelochít (frasco)”: o vaso em que se colocam as águas misturadas com as cinzas (isto é, a água de purificação) depois que se lançou nela as cinzas chama-se tzelochít (frasco de corpo largo e gargalo estreito, para a água de aspersão); e o vaso em que se coloca a água a fim de misturá-la antes de nela colocar as cinzas chama-se shoket (cocho).

Sobre “água, seja qual for a quantidade”: que não é apta para a aspersão.

Sobre “que se aspergem duas aspersões”: pois, se ele asperge uma vez, talvez não haja ali água das aptas; mas, quando asperge duas vezes, é impossível que não haja, em uma delas, das aptas. E a aspersão não precisa de medida.

Sobre “mas os sábios invalidam”: eles sustentam que a aspersão precisa de medida fixa, e não se somam as aspersões. E a lei é como os sábios. E o Rambam explicou que se aspergem duas aspersões e as lancem para fora do vaso, permanecendo o restante como água de chatat válida — e isso é maravilha aos meus olhos, pois no capítulo “Kol HaZevachim” da Guemará (fólio 80a) subentende-se como eu expliquei.

Sobre “que se o deixe ao sol e o orvalho subirá”: pois é próprio do orvalho evaporar-se em direção ao sol; e assim está dito (Shemot 16:13-14): “E foi pela manhã… quando a camada de orvalho se levantou, eis que sobre a face do deserto havia algo fino e granulado…” Mas a lei não é como Rabi Eliézer.

Sobre “que se despeje etc.”: esvazia o que está dentro do vaso, e ele não é apto para nele deixar a água de purificação até que se enxugue dos líquidos e do suco de frutas.

Sobre “que se despeje e não é necessário enxugar”: pois, se houvesse restado algo dele no vaso, sua marca seria reconhecida.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.