O poço de Achav e a gruta de Pamias são válidos. A água que mudou (de cor), sendo que sua mudança se deu por si mesma, é válida. O canal de água que vem de longe é válido, contanto que se vigie para que ninguém o interrompa. Rabi Yehudá diz: ele está em presunção de permitido. O poço em que caiu barro ou terra: espera-se até que (a água) se clarifique — palavras de Rabi Yishmael. Rabi Akiva diz: não é necessário esperar.
A última mishná do Perek Chet reúne quatro casos-limite sobre a validade da água: fontes específicas cuja condição de ‘água viva’ poderia ser posta em dúvida (o poço de Achav e a gruta de Pamias, de onde nasce o Jordão) são declaradas válidas; água que mudou de cor por processo natural, sem intervenção externa, continua válida; um canal que traz água de longe é válido, desde que vigiado contra interrupção — Rabi Yehudá dispensando até essa vigilância, por presunção de continuidade; e, por fim, a disputa entre Rabi Yishmael e Rabi Akiva sobre se é necessário aguardar a decantação da água de um poço em que caiu barro ou terra antes de utilizá-la. Com esta mishná, encerra-se o Perek Chet, que abriu com a guarda compartilhada do cocho e, depois de percorrer a série de refrões sobre a impureza transmitida por intermediários, fechou-se com os critérios finais de validade da própria fonte de água.
Rabi Yehudá diz que não é necessário guardião para este cocho, por ser sabido que ela virá da água da fonte. E é próprio dos poços de água que, se neles se lança barro ou outra coisa semelhante, as águas se turvam, porque isso levanta o pó do fundo do poço; e do mesmo modo, se lançou lodo na água, ela se turva no momento, mas, se for deixada por algum tempo, o lodo se deposita no fundo e as águas se clarificam — e a estas se chamam ‘águas claras e finas’ e ‘águas límpidas’. E disto disseram ‘até que se clarifique’ (ad shetitzal), do termo tzalul (límpido) — isto é, até que se depure e se clarifique. E a lei não é nem como Rabi Yehudá, nem como Rabi Yishmael.
Sobre “o poço de Achav”: não se explicou onde ele está, mas isto vem nos ensinar que são águas vivas.
Sobre “e a gruta de Pamias”: a gruta próxima à cidade de Dan, de onde sai o Jordão; e na língua de Ishmael (árabe) chamam Dan de ‘Banias’.
Sobre “Rabi Yehudá diz que ele está em presunção de permitido”: e a lei não é como Rabi Yehudá.
Sobre “até que se clarifique”: até que as águas voltem a ficar límpidas como no início. E a lei não é como Rabi Yishmael.
Aqui termina o Perek Chet de Massechet Pará — que abre com a vigilância compartilhada do cocho onde se reúne a água da chatat, distinguindo quando a impureza ou o trabalho de um só dos guardiões não desqualifica a água, e quando a de ambos ao mesmo tempo sim (8:1); segue com a série de seis mishnayot construídas sobre o refrão ‘os que te contaminaram a mim não me contaminaram, e tu me contaminaste’ — a sandália e a veste de quem consagra (8:2); quem queima a vaca e os touros, e quem envia o bode, que contaminam as vestes, ao contrário dos próprios animais (8:3); a carcaça de ave pura na garganta, que contamina apenas enquanto ali permanece (8:4); o derivado de impureza, que não contamina utensílios senão por meio do líquido que primeiro contamina (8:5); o utensílio de barro, que nunca contamina outro utensílio de barro diretamente (8:6); e todo aquele que invalida a teruma, que torna os líquidos primeiro grau — exceto o tevul yom (8:7); e encerra com a série final sobre as fontes de água válidas e inválidas para a consagração: os mares como mikvê, segundo a disputa entre Rabi Meir, Rabi Yehudá e Rabi Yossei (8:8); as águas salgadas, mornas ou intermitentes (8:9); os rios de pântano e de mistura, como o Karmion, o Pugá, o Jordão e o Yarmuch (8:10); e, por fim, o poço de Achav, a gruta de Pamias, a água que muda de cor por si mesma, o canal vindo de longe e o poço turvado por barro ou terra (8:11).