Aquele que asperge de uma janela pública e entra no Santuário, e as águas se revelam inválidas, está isento. (Aquele que asperge) de uma janela privada e entra no Santuário, e as águas se revelam inválidas, é responsável. Mas o Cohen Gadol, quer de uma janela privada quer de uma janela pública, está isento, pois o Cohen Gadol não é responsável por entrar no Santuário (em impureza). Costumavam escorregar diante de uma janela pública e pisavam ali e não se absteviam, porque disseram: as águas de chatat que já cumpriram seu preceito não contaminam.
A quarta mishná trata da responsabilidade de quem, aspergido com águas que se revelaram inválidas, entrou por engano no Santuário pensando estar puro. A distinção entre janela pública e janela privada reflete o princípio geral da lei da dúvida em impureza: uma dúvida surgida em local público é considerada pura por padrão, enquanto uma dúvida surgida em local privado é considerada impura. Assim, se a aspersão foi feita de uma janela para o público — onde não é costume aspergir senão com águas válidas — aquele que se enganou está isento do sacrifício; mas se foi de uma janela privada, cabia a ele investigar antes de entrar no Santuário, e por isso é responsável. O sumo sacerdote, porém, está sempre isento, pois nunca é responsável por sacrifício devido a impureza do Santuário. A mishná encerra com um costume popular ilustrativo: mesmo sabendo que o chão diante de certa janela pública estava sempre molhado de águas de chatat, as pessoas não se abstinham de pisar ali e de entrar no Santuário em seguida, porque as águas de chatat que já cumpriram seu preceito — isto é, já usadas numa aspersão válida — deixam de contaminar como as águas de chatat ainda não utilizadas.
Já se disse anteriormente que se asperge sobre a pessoa com seu conhecimento e sem seu conhecimento. Se alguém aspergiu de uma janela pública para purificar uma pessoa impura, pensando que ela já estava purificada, e ela entrou no Santuário, e depois se descobriu que aquelas águas de chatat eram inválidas, mesmo assim ele não fica obrigado a um sacrifício, por ser (a aspersão feita) numa janela pública, semelhante a uma dúvida de impureza em domínio público, cuja dúvida é considerada pura, como se explicará no tratado seguinte a este; e não se diz a ele: ‘por que não investigaste essas águas antes de entrar no Santuário?’ — pois é sabido que não é costume purificar o público senão com águas válidas.
Porém, se era uma janela privada, ele fica obrigado a investigar antes de entrar no Santuário; e por isso fica obrigado a um sacrifício, pois isto também se assemelha a uma dúvida de impureza em domínio privado, cuja dúvida é considerada impura. E o Cohen Gadol está isento do sacrifício em ambos os casos, pois ele não é responsável por sacrifício devido a impureza do Santuário e de suas coisas sagradas, conforme explicamos no segundo capítulo de Horaiot.
Sobre “costumavam escorregar”: ficavam de pé e pisavam, pois quer dizer que, na janela pública onde o chão ficava sempre molhado das águas de chatat que caiam ali continuamente, as pessoas ficavam de pé nessas águas e arrastavam suas vestes, e também pisavam nelas com os pés, e não se absteviam de entrar no Santuário e de lidar com coisas sagradas, porque as águas de chatat que já haviam cumprido seu preceito não contaminam como contaminam as águas de chatat (ainda não usadas), conforme explicamos no primeiro capítulo de Kelim.
Sobre “aquele que asperge de uma janela pública”: que está de pé numa janela pública e ali asperge sobre os impuros que passam, e aspergiu sobre o impuro supondo que as águas em sua mão eram válidas para aspersão.