Seder Tehorot · Massechet Pará · Perek Yud-Bet · Mishná 3 de 11

A intenção no momento da imersão, e as águas que gotejam do hissopo

נִתְכַּוֵּן לְהַזּוֹת עַל דָּבָר שֶׁהוּא מְקַבֵּל טֻמְאָה וְהִזָּה עַל דָּבָר שֶׁאֵינוֹ מְקַבֵּל טֻמְאָה, אִם יֵשׁ בָּאֵזוֹב, לֹא יִשְׁנֶה. עַל דָּבָר שֶׁאֵינוֹ מְקַבֵּל טֻמְאָה, וְהִזָּה עַל דָּבָר שֶׁמְּקַבֵּל טֻמְאָה, אִם יֵשׁ בָּאֵזוֹב, יִשְׁנֶה. עַל הָאָדָם, וְהִזָּה עַל הַבְּהֵמָה, אִם יֵשׁ בָּאֵזוֹב, לֹא יִשְׁנֶה. עַל הַבְּהֵמָה, וְהִזָּה עַל הָאָדָם, אִם יֵשׁ בָּאֵזוֹב, יִשְׁנֶה. הַמַּיִם הַמְנַטְּפִים, כְּשֵׁרִים. לְפִיכָךְ הֵם מְטַמְּאִין לְשֵׁם מֵי חַטָּאת׃
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

O critério de reaproveitar a água remanescente no hissopo depende da intenção no momento da imersão, e não da aspersão efetiva; e as gotas que caem do hissopo permanecem válidas e contaminantes

Pretendeu aspergir sobre algo suscetível de receber impureza e aspergiu sobre algo não suscetível de receber impureza — se resta (água) no hissopo, não repita. (Pretendeu aspergir) sobre algo não suscetível de receber impureza e aspergiu sobre algo suscetível de receber impureza — se resta (água) no hissopo, repita. (Pretendeu aspergir) sobre a pessoa e aspergiu sobre o animal — se resta (água) no hissopo, não repita. (Pretendeu aspergir) sobre o animal e aspergiu sobre a pessoa — se resta (água) no hissopo, repita. As águas que gotejam são válidas; por isso, elas contaminam como águas de chatat.

A terceira mishná determina se, após um erro de destino na aspersão, é permitido reaproveitar a água remanescente no hissopo para uma nova aspersão. O critério decisivo é o momento da imersão: se, ao mergulhar o hissopo, a intenção já era aspergir sobre algo apto a receber impureza — uma pessoa ou um utensílio — essa imersão foi válida, e por isso, mesmo que a aspersão efetiva tenha caído sobre algo inapto, a água remanescente ainda pode ser usada, sem necessidade de nova imersão. Mas se a imersão foi feita com a intenção de aspergir sobre algo inapto a receber impureza, a própria imersão foi inválida, e a água remanescente não serve, ainda que a aspersão efetiva tenha caído por engano sobre algo apto. O mesmo princípio se aplica à distinção entre pessoa e animal. Por fim, a mishná esclarece que as gotas que caem do hissopo permanecem válidas como águas de chatat e, por isso, continuam a contaminar quem as toca, exatamente como as próprias águas de chatat ainda não utilizadas.

נִתְכַּוֵּן לְהַזּוֹת עַל דָּבָר שֶׁהוּא מְקַבֵּל טֻמְאָה וְהִזָּה עַל דָּבָר שֶׁאֵינוֹ מְקַבֵּל טֻמְאָה, אִם יֵשׁ בָּאֵזוֹב, לֹא יִשְׁנֶה. עַל דָּבָר שֶׁאֵינוֹ מְקַבֵּל טֻמְאָה, וְהִזָּה עַל דָּבָר שֶׁמְּקַבֵּל טֻמְאָה, אִם יֵשׁ בָּאֵזוֹב, יִשְׁנֶה. עַל הָאָדָם, וְהִזָּה עַל הַבְּהֵמָה, אִם יֵשׁ בָּאֵזוֹב, לֹא יִשְׁנֶה. עַל הַבְּהֵמָה, וְהִזָּה עַל הָאָדָם, אִם יֵשׁ בָּאֵזוֹב, יִשְׁנֶה. הַמַּיִם הַמְנַטְּפִים, כְּשֵׁרִים. לְפִיכָךְ הֵם מְטַמְּאִין לְשֵׁם מֵי חַטָּאת׃

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Pará 12:3
אָמַר ה’ יִתְבָּרֵךְ (בְּמִדְבַּר י“ט) “וְהִזָּה הַטָּהוֹר עַל הַטָּמֵא”…

Disse D’us (Bamidbár 19:19): “e o puro aspergirá sobre o impuro” — exige-se que aquele que asperge tenha a intenção de aspergir sobre o impuro. Por isso, se mergulhou o hissopo com a intenção de aspergir sobre algo suscetível de receber impureza, ou sobre uma pessoa que também é impura e apta à aspersão, esta é uma imersão válida; e se, dessa imersão, aspergiu sobre algo que não recebe impureza, restando no hissopo um resíduo de água, é possível aspergir dele novamente, sem necessidade de mergulhá-lo uma segunda vez.

Porém, se mergulhou o hissopo com a intenção de aspergir sobre algo que não recebe impureza, e depois aspergiu sobre algo que recebe impureza, esta é uma aspersão inválida, pois no momento em que mergulhou o hissopo não houve imersão válida; por isso, ainda que reste no hissopo um resíduo de água, não se asperge dele novamente, até que se mergulhe o hissopo uma segunda vez com a intenção de aspergir sobre o impuro. E na Tosefta disseram, dando a razão desta distinção: já que sua primeira imersão foi inválida, assim sua aspersão é inválida.

E disseram “as águas que gotejam”: se mergulhou o hissopo com a intenção de aspergir sobre algo que não recebe impureza, e gotejaram do hissopo algumas gotas, estas gotas são válidas para aspersão — ou seja, pode-se mergulhar nelas o hissopo e aspergir delas — e por isso elas contaminam como contaminam as águas de chatat, conforme se explicou no primeiro capítulo de Kelim; e não se classificam estas gotas no mesmo grau do que goteja de algo impuro no momento em que se asperge sobre ele, o que não contamina, porque estas águas não cumpriram seu preceito, já que a imersão foi inválida.

Bartenura · Pará 12:3
עַל דָּבָר הַמְקַבֵּל טֻמְאָה. אָדָם וְכֵלִים׃

Sobre “algo suscetível de receber impureza”: pessoa e utensílios.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.