Pretendeu aspergir sobre algo suscetível de receber impureza e aspergiu sobre algo não suscetível de receber impureza — se resta (água) no hissopo, não repita. (Pretendeu aspergir) sobre algo não suscetível de receber impureza e aspergiu sobre algo suscetível de receber impureza — se resta (água) no hissopo, repita. (Pretendeu aspergir) sobre a pessoa e aspergiu sobre o animal — se resta (água) no hissopo, não repita. (Pretendeu aspergir) sobre o animal e aspergiu sobre a pessoa — se resta (água) no hissopo, repita. As águas que gotejam são válidas; por isso, elas contaminam como águas de chatat.
A terceira mishná determina se, após um erro de destino na aspersão, é permitido reaproveitar a água remanescente no hissopo para uma nova aspersão. O critério decisivo é o momento da imersão: se, ao mergulhar o hissopo, a intenção já era aspergir sobre algo apto a receber impureza — uma pessoa ou um utensílio — essa imersão foi válida, e por isso, mesmo que a aspersão efetiva tenha caído sobre algo inapto, a água remanescente ainda pode ser usada, sem necessidade de nova imersão. Mas se a imersão foi feita com a intenção de aspergir sobre algo inapto a receber impureza, a própria imersão foi inválida, e a água remanescente não serve, ainda que a aspersão efetiva tenha caído por engano sobre algo apto. O mesmo princípio se aplica à distinção entre pessoa e animal. Por fim, a mishná esclarece que as gotas que caem do hissopo permanecem válidas como águas de chatat e, por isso, continuam a contaminar quem as toca, exatamente como as próprias águas de chatat ainda não utilizadas.
Disse D’us (Bamidbár 19:19): “e o puro aspergirá sobre o impuro” — exige-se que aquele que asperge tenha a intenção de aspergir sobre o impuro. Por isso, se mergulhou o hissopo com a intenção de aspergir sobre algo suscetível de receber impureza, ou sobre uma pessoa que também é impura e apta à aspersão, esta é uma imersão válida; e se, dessa imersão, aspergiu sobre algo que não recebe impureza, restando no hissopo um resíduo de água, é possível aspergir dele novamente, sem necessidade de mergulhá-lo uma segunda vez.
Porém, se mergulhou o hissopo com a intenção de aspergir sobre algo que não recebe impureza, e depois aspergiu sobre algo que recebe impureza, esta é uma aspersão inválida, pois no momento em que mergulhou o hissopo não houve imersão válida; por isso, ainda que reste no hissopo um resíduo de água, não se asperge dele novamente, até que se mergulhe o hissopo uma segunda vez com a intenção de aspergir sobre o impuro. E na Tosefta disseram, dando a razão desta distinção: já que sua primeira imersão foi inválida, assim sua aspersão é inválida.
E disseram “as águas que gotejam”: se mergulhou o hissopo com a intenção de aspergir sobre algo que não recebe impureza, e gotejaram do hissopo algumas gotas, estas gotas são válidas para aspersão — ou seja, pode-se mergulhar nelas o hissopo e aspergir delas — e por isso elas contaminam como contaminam as águas de chatat, conforme se explicou no primeiro capítulo de Kelim; e não se classificam estas gotas no mesmo grau do que goteja de algo impuro no momento em que se asperge sobre ele, o que não contamina, porque estas águas não cumpriram seu preceito, já que a imersão foi inválida.
Sobre “algo suscetível de receber impureza”: pessoa e utensílios.