A tampa de uma chaleira que está presa por uma corrente — Bet Shamai dizem: é considerada unidade para impureza, mas não para aspersão. Bet Hilel dizem: se aspergiu sobre a chaleira, a tampa é considerada aspergida; se aspergiu sobre a tampa, a chaleira não é considerada aspergida. Todos são aptos para aspergir, exceto o tumtum, o androginos e a mulher; e a criança sem discernimento — a mulher a apoia e ela asperge, e (a mulher) segura para ela a água, e ela mergulha e asperge. Se (a mulher) segurou a mão dela, mesmo no momento da aspersão, é inválido.
A décima mishná encerra a série de conexões entre partes de utensílios com o caso da tampa da chaleira presa por uma corrente, sobre o qual Bet Shamai e Bet Hilel divergem: para Bet Shamai, é como os exemplos da mishná anterior — unidade para impureza, mas não para aspersão; para Bet Hilel, há uma assimetria: aspergir sobre a chaleira também purifica a tampa (pois a corrente pende dela até a chaleira), mas aspergir sobre a tampa não purifica a chaleira. A mishná passa então a um novo assunto, que fecha o perek: quem está apto para realizar a aspersão. Ficam excluídos o tumtum (de sexo indefinido), o androginos (com características de ambos os sexos) e a mulher — pois a Torá exige explicitamente um “homem puro” para aspergir. Uma criança que ainda não tem discernimento pode aspergir com a assistência de uma mulher, que segura a água para ela enquanto ela mesma mergulha o hissopo e asperge; mas se a mulher chega a segurar a mão da criança durante o próprio ato de aspergir, a aspersão é inválida, pois nesse caso o ato deixa de ser exclusivamente da criança apta.
Disse D’us (Bamidbár 19): “e um homem puro mergulhará na água” — e disse “puro” para incluir a criança que já tem discernimento. E depois disse: “e a mulher o assiste e ele asperge” — quer dizer que, sendo a mulher inapta para aspergir, convém que ela ajude aquele que asperge e segure as águas — isto é, as águas de nidá — das quais ele há de aspergir; mas de modo algum ela pode segurar a mão daquele que asperge.
Sobre “chaleira” (mecham): uma caçarola de cobre com a qual se aquece a água.