Seder Tehorot · Massechet Pará · Perek Yud-Bet · Mishná 11 de 11

A aspersão deve ser de dia: encerramento de Massechet Pará

טָבַל אֶת הָאֵזוֹב בַּיּוֹם וְהִזָּה בַיּוֹם, כָּשֵׁר. בַּיּוֹם וְהִזָּה בַלַּיְלָה, בַּלַּיְלָה וְהִזָּה בַיּוֹם, פָּסוּל. אֲבָל הוּא עַצְמוֹ טוֹבֵל בַּלַּיְלָה וּמַזֶּה בַיּוֹם, שֶׁאֵין מַזִּין עַד שֶׁתָּנֵץ הַחַמָּה. וְכֻלָּן שֶׁעָשׂוּ מִשֶּׁעָלָה עַמּוּד הַשַּׁחַר, כָּשֵׁר׃
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A imersão do hissopo e a aspersão devem coincidir no mesmo período do dia; mas a pessoa impura pode imergir-se à noite e receber a aspersão apenas ao amanhecer, pois a aspersão exige o sol já nascido — encerrando Massechet Pará

Mergulhou o hissopo de dia e aspergiu de dia — é válido. (Mergulhou) de dia e aspergiu à noite, ou (mergulhou) à noite e aspergiu de dia — é inválido. Mas ele próprio pode mergulhar (imergir-se) à noite e aspergir (sobre si) de dia, pois não se asperge até que o sol nasça. E todas essas (ações), se feitas desde que surgiu a coluna da alva, são válidas.

A décima primeira e última mishná de Massechet Pará fecha o tratado com a exigência de que tanto a imersão do hissopo na água de chatat quanto a própria aspersão sejam feitas de dia, nunca à noite — derivando-se isso diretamente do versículo que fixa a aspersão “no terceiro dia e no sétimo dia” (Bamidbar 19:19), e da equiparação textual entre a imersão do hissopo e a própria aspersão. Se as duas ações não ocorrem no mesmo período — ambas de dia — a aspersão é inválida. Há, no entanto, uma distinção importante: a própria pessoa impura que se prepara para a purificação pode imergir-se (banhar-se) à noite do sétimo dia e receber a aspersão apenas na manhã seguinte, pois a aspersão em si nunca pode ocorrer antes do nascer do sol — diferentemente da imersão do hissopo na água, que deve coincidir com o próprio momento da aspersão. A mishná encerra esclarecendo que todo o processo, se realizado a partir do amanhecer — mesmo antes do nascer efetivo do sol — já é considerado válido como “dia” para este propósito. Com esta mishná, encerra-se não apenas o Perek Yud-Bet, mas toda a Massechet Pará.

טָבַל אֶת הָאֵזוֹב בַּיּוֹם וְהִזָּה בַיּוֹם, כָּשֵׁר. בַּיּוֹם וְהִזָּה בַלַּיְלָה, בַּלַּיְלָה וְהִזָּה בַיּוֹם, פָּסוּל. אֲבָל הוּא עַצְמוֹ טוֹבֵל בַּלַּיְלָה וּמַזֶּה בַיּוֹם, שֶׁאֵין מַזִּין עַד שֶׁתָּנֵץ הַחַמָּה. וְכֻלָּן שֶׁעָשׂוּ מִשֶּׁעָלָה עַמּוּד הַשַּׁחַר, כָּשֵׁר׃

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Pará 12:11
אָמַר הַשֵּׁם יִתְבָּרֵךְ (בְּמִדְבַּר י“ט י“ט) “וְהִזָּה הַטָּהֹר עַל הַטָּמֵא בַּיּוֹם הַשְּׁלִישִׁי וּבַיּוֹם הַשְּׁבִיעִי”…

Disse D’us (Bamidbár 19:19): “e o puro aspergirá sobre o impuro no terceiro dia e no sétimo dia” — e a aspersão só pode ser feita de dia, e assim também a imersão do hissopo na água. Porém a imersão da própria pessoa impura é permitida à noite, e se asperge sobre ela pela manhã (do dia seguinte) — isto quando ocorre que a aspersão se atrasou para depois do sétimo dia, caso em que se asperge em qualquer dia que seja. E a expressão do Sifrê: “não tenho senão o sétimo dia; de onde (se aprende) o oitavo, o nono, o décimo dia? Ensina o versículo: e o purificará — de qualquer maneira.”

Porém, se a aspersão não se atrasou e o processo seguiu seu preceito normal, então convém que a aspersão preceda no sétimo dia, e depois da aspersão a pessoa mergulhe nas águas de um mikvê nesse mesmo dia, e aguarde o pôr do sol. E esta é a expressão da Torá (ali): “e o purificará no sétimo dia, e lavará suas vestes, e se banhará em água, e se purificará ao entardecer.” E a expressão do Sifrê: “eu poderia pensar que, se a imersão precedesse a aspersão, cumpriria (o preceito); ensina o versículo: e o purificará — e depois: e lavará suas vestes.”

Bartenura · Pará 12:11
בַּיּוֹם וְהִזָּה בַלַּיְלָה פָּסוּל. דִּכְתִיב “וְהִזָּה הַטָּהֹר עַל הַטָּמֵא בַּיּוֹם הַשְּׁלִישִׁי”…

Sobre “de dia e aspergiu à noite — inválido”: pois está escrito “e o puro aspergirá sobre o impuro no terceiro dia e no sétimo dia” — de dia e não à noite. E a imersão é equiparada à aspersão, pois está escrito “e mergulhará na água um homem puro, e aspergirá” — assim como a aspersão é de dia, também a imersão do hissopo é de dia.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.
הֲדַרָן עֲלָךְ מַסֶּכֶת פָּרָה

Com esta décima primeira mishná, encerra-se não apenas o Perek Yud-Bet, mas toda a Massechet Pará — o quarto tratado de Seder Tehorot, a sexta e última Ordem da Mishná, com seus 12 perakim e suas 96 mishnayot.

O tratado percorreu, do início ao fim, todo o edifício das leis da pará adumá e das águas de purificação: as idades mínimas e máximas dos animais trazidos para diferentes finalidades, incluindo a própria vaca vermelha (Perek Alef); os defeitos e circunstâncias que desqualificam a vaca (Perek Bet); a descrição passo a passo de todo o ritual, da separação do sacerdote à divisão final das cinzas (Perek Guimel); as leis técnicas de validade e invalidade de cada etapa do ritual (Perek Dálet); os utensílios usados no serviço das águas de expiação (Perek Hei); o próprio ato de consagrar, misturando a cinza com a água (Perek Vav); o trabalho realizado durante o enchimento e a consagração da água (Perek Zayin); a guarda do cocho, a impureza transmitida por refrões sucessivos, e as fontes de água válidas e inválidas (Perek Chet); as contaminações e invalidações da água após já consagrada (Perek Tet); a impureza leve de madaf, transmitida pelo movimento (Perek Yud); o frasco de água de chatat, as dúvidas de pureza e o preceito do hissopo, encerrando com a medida exata de três caules e três brotos (Perek Yud-Alef); e, por fim, este Perek Yud-Bet, dedicado à mecânica final da aspersão — o hissopo curto alongado com fio e fuso (12:1); os casos de dúvida que invalidam a aspersão e a aspersão sobre muitos ao mesmo tempo (12:2); a intenção no momento da imersão e as águas que gotejam (12:3); a janela pública e a privada, e a isenção do Cohen Gadol (12:4); o machado impuro na aba da roupa e a medida mínima de água (12:5); o hissopo impuro para a chatat e a propagação da impureza sem limite (12:6); as mãos contaminadas do puro para a chatat (12:7); o frasco de chatat, o sino e o badalo, e as conexões entre partes de um utensílio (12:8); sete objetos compostos ligados para impureza mas não para aspersão (12:9); a tampa da chaleira e quem está apto para aspergir (12:10); e, por fim, a exigência de que a imersão do hissopo e a aspersão coincidam no mesmo período do dia (12:11).

Como os demais tratados de Seder Tehorot com exceção de Massechet Nidá, Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli: é um tratado de mishnayot puras, do início ao fim, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados — e assim permaneceu, com Rambam e Bartenura acompanhando cada mishná, do Perek Alef ao Perek Yud-Bet.

Massechet Pará é assim o quarto tratado completo de Seder Tehorot neste site, depois de Massechet Keilim, Massechet Ohalot e Massechet Negaim. O estudo da Mishná prossegue agora para Massechet Tehorot, o quinto tratado da Ordem.