Mergulhou o hissopo de dia e aspergiu de dia — é válido. (Mergulhou) de dia e aspergiu à noite, ou (mergulhou) à noite e aspergiu de dia — é inválido. Mas ele próprio pode mergulhar (imergir-se) à noite e aspergir (sobre si) de dia, pois não se asperge até que o sol nasça. E todas essas (ações), se feitas desde que surgiu a coluna da alva, são válidas.
A décima primeira e última mishná de Massechet Pará fecha o tratado com a exigência de que tanto a imersão do hissopo na água de chatat quanto a própria aspersão sejam feitas de dia, nunca à noite — derivando-se isso diretamente do versículo que fixa a aspersão “no terceiro dia e no sétimo dia” (Bamidbar 19:19), e da equiparação textual entre a imersão do hissopo e a própria aspersão. Se as duas ações não ocorrem no mesmo período — ambas de dia — a aspersão é inválida. Há, no entanto, uma distinção importante: a própria pessoa impura que se prepara para a purificação pode imergir-se (banhar-se) à noite do sétimo dia e receber a aspersão apenas na manhã seguinte, pois a aspersão em si nunca pode ocorrer antes do nascer do sol — diferentemente da imersão do hissopo na água, que deve coincidir com o próprio momento da aspersão. A mishná encerra esclarecendo que todo o processo, se realizado a partir do amanhecer — mesmo antes do nascer efetivo do sol — já é considerado válido como “dia” para este propósito. Com esta mishná, encerra-se não apenas o Perek Yud-Bet, mas toda a Massechet Pará.
Disse D’us (Bamidbár 19:19): “e o puro aspergirá sobre o impuro no terceiro dia e no sétimo dia” — e a aspersão só pode ser feita de dia, e assim também a imersão do hissopo na água. Porém a imersão da própria pessoa impura é permitida à noite, e se asperge sobre ela pela manhã (do dia seguinte) — isto quando ocorre que a aspersão se atrasou para depois do sétimo dia, caso em que se asperge em qualquer dia que seja. E a expressão do Sifrê: “não tenho senão o sétimo dia; de onde (se aprende) o oitavo, o nono, o décimo dia? Ensina o versículo: e o purificará — de qualquer maneira.”
Porém, se a aspersão não se atrasou e o processo seguiu seu preceito normal, então convém que a aspersão preceda no sétimo dia, e depois da aspersão a pessoa mergulhe nas águas de um mikvê nesse mesmo dia, e aguarde o pôr do sol. E esta é a expressão da Torá (ali): “e o purificará no sétimo dia, e lavará suas vestes, e se banhará em água, e se purificará ao entardecer.” E a expressão do Sifrê: “eu poderia pensar que, se a imersão precedesse a aspersão, cumpriria (o preceito); ensina o versículo: e o purificará — e depois: e lavará suas vestes.”
Sobre “de dia e aspergiu à noite — inválido”: pois está escrito “e o puro aspergirá sobre o impuro no terceiro dia e no sétimo dia” — de dia e não à noite. E a imersão é equiparada à aspersão, pois está escrito “e mergulhará na água um homem puro, e aspergirá” — assim como a aspersão é de dia, também a imersão do hissopo é de dia.
Com esta décima primeira mishná, encerra-se não apenas o Perek Yud-Bet, mas toda a Massechet Pará — o quarto tratado de Seder Tehorot, a sexta e última Ordem da Mishná, com seus 12 perakim e suas 96 mishnayot.
O tratado percorreu, do início ao fim, todo o edifício das leis da pará adumá e das águas de purificação: as idades mínimas e máximas dos animais trazidos para diferentes finalidades, incluindo a própria vaca vermelha (Perek Alef); os defeitos e circunstâncias que desqualificam a vaca (Perek Bet); a descrição passo a passo de todo o ritual, da separação do sacerdote à divisão final das cinzas (Perek Guimel); as leis técnicas de validade e invalidade de cada etapa do ritual (Perek Dálet); os utensílios usados no serviço das águas de expiação (Perek Hei); o próprio ato de consagrar, misturando a cinza com a água (Perek Vav); o trabalho realizado durante o enchimento e a consagração da água (Perek Zayin); a guarda do cocho, a impureza transmitida por refrões sucessivos, e as fontes de água válidas e inválidas (Perek Chet); as contaminações e invalidações da água após já consagrada (Perek Tet); a impureza leve de madaf, transmitida pelo movimento (Perek Yud); o frasco de água de chatat, as dúvidas de pureza e o preceito do hissopo, encerrando com a medida exata de três caules e três brotos (Perek Yud-Alef); e, por fim, este Perek Yud-Bet, dedicado à mecânica final da aspersão — o hissopo curto alongado com fio e fuso (12:1); os casos de dúvida que invalidam a aspersão e a aspersão sobre muitos ao mesmo tempo (12:2); a intenção no momento da imersão e as águas que gotejam (12:3); a janela pública e a privada, e a isenção do Cohen Gadol (12:4); o machado impuro na aba da roupa e a medida mínima de água (12:5); o hissopo impuro para a chatat e a propagação da impureza sem limite (12:6); as mãos contaminadas do puro para a chatat (12:7); o frasco de chatat, o sino e o badalo, e as conexões entre partes de um utensílio (12:8); sete objetos compostos ligados para impureza mas não para aspersão (12:9); a tampa da chaleira e quem está apto para aspergir (12:10); e, por fim, a exigência de que a imersão do hissopo e a aspersão coincidam no mesmo período do dia (12:11).
Como os demais tratados de Seder Tehorot com exceção de Massechet Nidá, Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli: é um tratado de mishnayot puras, do início ao fim, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados — e assim permaneceu, com Rambam e Bartenura acompanhando cada mishná, do Perek Alef ao Perek Yud-Bet.
Massechet Pará é assim o quarto tratado completo de Seder Tehorot neste site, depois de Massechet Keilim, Massechet Ohalot e Massechet Negaim. O estudo da Mishná prossegue agora para Massechet Tehorot, o quinto tratado da Ordem.