Seder Tehorot · Massechet Pará · Perek Yud-Alef · Mishná 9 de 9

O preceito do hissopo: três caules, o feixe, e o encerramento do Perek Yud-Alef

מִצְוַת אֵזוֹב, שְׁלשָׁה קְלָחִים וּבָהֶם שְׁלשָׁה גִבְעוֹלִין. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, שֶׁל שְׁלשָׁה שְׁלשָׁה. אֵזוֹב שֶׁיֶּשׁ בּוֹ שְׁלשָׁה קְלָחִים, מְפַסְּגוֹ וְאוֹגְדוֹ. פִּסְּגוֹ וְלֹא אֲגָדוֹ, אֲגָדוֹ וְלֹא פִסְּגוֹ, לֹא פִסְּגוֹ וְלֹא אֲגָדוֹ, כָּשֵׁר. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, מִצְוַת אֵזוֹב, שְׁלשָׁה קְלָחִים, וּבָהֶם שְׁלשָׁה גִבְעוֹלִים, וּשְׁיָרָיו שְׁנַיִם, וְגַרְדֻּמָּיו כָּל שֶׁהוּא:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

O preceito do hissopo é três caules com três brotos, segundo Rabi Yehudá em cada caule; separar e atar o feixe, válido em qualquer combinação; e Rabi Yossei sobre o resto de dois caules e os tocos de qualquer tamanho, encerrando Massechet Pará

O preceito do hissopo: três caules, com três brotos neles. Rabi Yehudá diz: de três em três. O hissopo que tem três caules — separa-o e o ata. Se o separou e não o atou, se o atou e não o separou, se não o separou e não o atou — é válido. Rabi Yossei diz: o preceito do hissopo é três caules, com três brotos neles; e seu resto, dois; e seus tocos, qualquer quantidade.

A última mishná do Perek Yud-Alef fixa a medida ideal do hissopo usado na aspersão: três caules, cada um com um broto, totalizando três brotos — número exigido por analogia verbal entre a “tomada” do hissopo na purificação da chatat (Bamidbar 19) e a “tomada” do feixe de hissopo no Pêssach do Egito (Shemot 12), onde a própria palavra “feixe” pressupõe ao menos três ramos. Rabi Yehudá é mais exigente, requerendo três brotos em cada um dos três caules. Quando o hissopo nasce de uma única raiz com três ramos, o preceito ideal é separá-los fisicamente e depois atá-los como um só feixe — mas a mishná esclarece que, mesmo sem cumprir integralmente esse procedimento (separando sem atar, atando sem separar, ou nenhum dos dois), o hissopo continua válido para a aspersão; trata-se de preceito, não de condição indispensável. Rabi Yossei é ainda mais rigoroso quanto ao mínimo inicial — não aceita menos de três brotos por caule desde o princípio —, mas mais tolerante quanto ao que resta ao longo do uso: dois brotos remanescentes bastam, e mesmo um toco mínimo do broto quebrado ainda serve. A halachá segue Rabi Yossei.

מִצְוַת אֵזוֹב, שְׁלשָׁה קְלָחִים וּבָהֶם שְׁלשָׁה גִבְעוֹלִין. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, שֶׁל שְׁלשָׁה שְׁלשָׁה. אֵזוֹב שֶׁיֶּשׁ בּוֹ שְׁלשָׁה קְלָחִים, מְפַסְּגוֹ וְאוֹגְדוֹ. פִּסְּגוֹ וְלֹא אֲגָדוֹ, אֲגָדוֹ וְלֹא פִסְּגוֹ, לֹא פִסְּגוֹ וְלֹא אֲגָדוֹ, כָּשֵׁר. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, מִצְוַת אֵזוֹב, שְׁלשָׁה קְלָחִים, וּבָהֶם שְׁלשָׁה גִבְעוֹלִים, וּשְׁיָרָיו שְׁנַיִם, וְגַרְדֻּמָּיו כָּל שֶׁהוּא:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Pará 11:9
שלשה קלחים שלשה שרשים ובכל שרש גבעול אחד… והלכה כרבי יוסי:

Sobre “três caules”: três raízes, e em cada raiz um broto; e assim, nos três ramos, entram três brotos. E Rabi Yehudá diz que se requer que em cada caule haja três brotos. “Mefasgo” ou “mefasko” — é tudo o mesmo, e quer dizer que, se havia uma única raiz com três ramos, ele os separa até que se tornem três caules, e depois os ata, fazendo deles um único feixe — pois veio o versículo (Bamidbar 19): “e tomará hissopo”, e disse a respeito do Pêssach do Egito (Shemot 12): “e tomareis um feixe de hissopo” — eis que exigiu que fosse um feixe, e este não pode ter menos de três ramos. E no Sifrê está dito: aqui se diz “tomada”, e ali se diz “tomada” — assim como a “tomada” dita ali é de três, também a “tomada” dita aqui é de três.

Sobre “seus tocos”: o restante dos brotos, se restaram as folhas e passou o tempo sobre eles; e mesmo que não tenha restado deles senão uma medida mínima de cada broto. E a halachá é como Rabi Yossei.

Bartenura · Pará 11:9
שְׁלֹשָׁה קְלָחִין וּבָהֶן שְׁלֹשָׁה גִבְעוֹלִין. גִּבְעוֹל אֶחָד…

Sobre “três caules, com três brotos neles”: um broto em cada caule. E os três caules que exigimos, aprendemos por analogia verbal de “tomada” e “tomada” com o feixe de hissopo do Pêssach do Egito: assim como ali são três — pois só assim se chama “feixe” —, também aqui são três.

Sobre “separa-o”: separa-o e o divide, de modo que os três caules fiquem distintos um do outro.

Sobre “Rabi Yossei diz: o preceito do hissopo é três”: Rabi Yossei é mais rigoroso que o primeiro tanaíta; pois, para Rabi Yossei, se no início havia apenas dois brotos, é inválido; e para o primeiro tanaíta, se no início havia dois, é válido, e só é inválido se, desde o início, for igual ao que resta — um só. E aquilo que disse o primeiro tanaíta, “o preceito do hissopo é três caules”, é para o preceito em geral, mas não para invalidar. E a halachá é como Rabi Yossei.

Sobre “e seus tocos, qualquer quantidade”: os tocos do broto, qualquer quantidade. E “seu resto” e “seus tocos” são duas coisas distintas: “seu resto” é o restante dos três caules, isto é, dois caules; e “seus tocos” é o próprio broto que foi cortado e quebrado, restando dele qualquer quantidade, por menor que seja.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.
סְלִיקָא לֵיהּ פֶּרֶק אַחַד עָשָׂר

Aqui termina o Perek Yud-Alef de Massechet Pará — que abre com o frasco de água de chatat quanto à sua cobertura, e à vigilância contra doninha, cobra e orvalho noturno (11:1); segue com as dúvidas de pureza aplicadas à chatat, mais estritas que as da teruma, e as grades de madeira, com a disputa de Rabi Eliézer sobre as readot (11:2); a torta de figos de teruma que cai na água de chatat e aquele que nela mete a cabeça e a maior parte do corpo (11:3); aquele que é obrigado à imersão por palavras da Torá, e o status do tevul yom quanto a coisas sagradas, teruma e o Santuário, segundo Rabi Meir e os sábios (11:4); o paralelo para quem é obrigado à imersão apenas por decreto dos escribas (11:5); a contaminação da própria água e cinza de chatat por toque e por carregar (11:6); o hissopo válido para a aspersão, sem nome acompanhante e livre da impureza da teruma (11:7); o hissopo colhido para lenha, para alimento ou para a chatat (11:8); e, por fim, a medida exata do hissopo em três caules e três brotos, com a opinião de Rabi Yossei sobre o resto e os tocos válidos (11:9). Massechet Pará segue agora para o Perek Yud-Bet, seu décimo segundo e último capítulo.