Todo aquele que é obrigado à imersão em água, seja por palavras da Torá seja por palavras dos escribas, contamina a água de chatat, a cinza de chatat e aquele que asperge a água de chatat, por toque e por carregar. O hissopo apto, e a água que ainda não foi santificada, e o utensílio vazio puro para a chatat — por toque e por carregar, palavras de Rabi Meir. Mas os sábios dizem: por toque, mas não por carregar.
Nesta mishná, a Torá e os sábios se equiparam quanto a um ponto: seja a impureza bíblica, seja a rabínica, ambas contaminam a água de chatat, a cinza de chatat e o próprio aspergidor tanto pelo toque direto quanto pelo simples ato de carregar — pois, por decreto, tudo o que contamina a chatat por toque também a contamina por transporte, sem exceção. A disputa entre Rabi Meir e os sábios recai sobre três outros objetos: o hissopo que já recebeu o preparo necessário para se tornar suscetível à impureza (por ser alimento), a água ainda não misturada à cinza mas já destinada a sê-lo, e o utensílio vazio mas puro e destinado a conter a chatat. Para Rabi Meir, esses três também se contaminam tanto por toque quanto por carregar; os sábios restringem-nos ao toque direto, e a halachá segue os sábios.
Sobre “o hissopo”: é da categoria dos alimentos, e por isso não se contamina senão depois de receber o preparo de líquido; e, se nele tocou até mesmo aquele que comeu alimentos impuros, este o contamina, e não se poderá aspergir com ele a água de chatat. E do mesmo modo, aquele que é obrigado à imersão em água, ainda que por palavras dos escribas, contamina as águas que ainda não foram santificadas e estão preparadas para serem santificadas, e o utensílio vazio puro para a chatat — isto é, um utensílio que é puro em relação à chatat, destinado a conter nele a cinza da vaca ou as águas santificadas, e semelhantes a isso. E a halachá é como os sábios.
Sobre “contamina a água de chatat”: e mesmo depois de ter imergido, se não imergiu com essa intenção específica para a chatat, é como se não tivesse imergido — pois ensinamos no capítulo “Ein Doreshin” (Chaguigá 18a) que aquele que imergiu para coisas sagradas e se firmou nesse estado de pureza está proibido quanto à chatat. Mas, uma vez tendo imergido com essa intenção para a chatat, mesmo o tevul yom de origem bíblica, que é inválido para a teruma e para coisas sagradas, é apto para a chatat — pois o tevul yom é apto na preparação da vaca ruiva.
Sobre “e aquele que asperge a água de chatat, por toque e por carregar”: e nisto todos concordam. Mas quanto ao hissopo apto a receber impureza — que, por ser alimento, precisa do preparo de que lhe venha água —, e do mesmo modo quanto às águas que ainda não foram santificadas e estão destinadas a ser santificadas, e ao utensílio vazio, puro, destinado a conter nele a cinza de chatat — nisto discordam Rabi Meir e os sábios. E a halachá é como os sábios.