Seder Tehorot · Massechet Pará · Perek Yud-Alef · Mishná 1 de 9

O frasco de água de chatat: coberto e descoberto, doninha, cobra e orvalho

צְלוֹחִית שֶׁהִנִּיחָהּ מְגֻלָּה, וּבָא וּמְצָאָהּ מְכֻסָּה, פְּסוּלָה. הִנִּיחָהּ מְכֻסָּה וּבָא וּמְצָאָהּ מְגֻלָּה, אִם יְכוֹלָה הַחֻלְדָּה לִשְׁתּוֹת הֵימֶנָּה, אוֹ נָחָשׁ לְדִבְרֵי רַבָּן גַּמְלִיאֵל, אוֹ שֶׁיָּרַד בָּהּ טַל בַּלַּיְלָה, פְּסוּלָה. הַחַטָּאת אֵינָהּ נִצּוֹלָה בְּצָמִיד פָּתִיל. וּמַיִם שֶׁאֵינָן מְקֻדָּשִׁין נִצּוֹלִין בְּצָמִיד פָּתִיל:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

O frasco de água de chatat deixado descoberto e encontrado coberto, ou deixado coberto e encontrado descoberto — doninha, cobra segundo Rabão Gamliel, ou orvalho noturno; e a chatat que não é salva por tampa hermética, ao contrário da água ainda não santificada, abrindo o Perek Yud-Alef

Um frasco que se deixou descoberto, e ao voltar se encontrou coberto — é inválido. Se se deixou coberto e ao voltar se encontrou descoberto: se uma doninha pudesse beber dele, ou uma cobra, segundo as palavras de Rabão Gamliel, ou se pudesse cair nele orvalho durante a noite — é inválido. A chatat não é salva por uma tampa hermeticamente vedada. Mas a água que ainda não foi santificada é salva por uma tampa hermeticamente vedada.

Abre-se o Perek Yud-Alef com as leis do frasco de água de chatat quanto à sua cobertura. Se foi deixado descoberto e se encontrou coberto, suspeita-se que uma pessoa entrou e o cobriu — e, como a maioria das pessoas não são puras para a chatat, o frasco é invalidado. Se foi deixado coberto e se encontrou descoberto, não se suspeita de uma pessoa (pois não é costume descobrir, mas cobrir, por causa dos répteis), mas sim de um animal: uma doninha que bebeu do frasco o invalida pelo simples ato de beber, e o mesmo vale, segundo Rabão Gamliel, para uma cobra, que vomita ao beber. Também o orvalho que pudesse ter caído nele durante a noite dilui e invalida a água. Por fim, a mishná estabelece um princípio fundamental: a chatat — água ou cinza santificada — só se preserva da impureza de um cadáver em “lugar puro”, e uma tampa hermeticamente vedada (tsamid patil), que salva outros líquidos e alimentos dentro da tenda de um morto, não a salva; já a água comum, ainda não misturada à cinza da vaca ruiva, segue a regra geral e é salva por essa mesma tampa.

צְלוֹחִית שֶׁהִנִּיחָהּ מְגֻלָּה, וּבָא וּמְצָאָהּ מְכֻסָּה, פְּסוּלָה. הִנִּיחָהּ מְכֻסָּה וּבָא וּמְצָאָהּ מְגֻלָּה, אִם יְכוֹלָה הַחֻלְדָּה לִשְׁתּוֹת הֵימֶנָּה, אוֹ נָחָשׁ לְדִבְרֵי רַבָּן גַּמְלִיאֵל, אוֹ שֶׁיָּרַד בָּהּ טַל בַּלַּיְלָה, פְּסוּלָה. הַחַטָּאת אֵינָהּ נִצּוֹלָה בְּצָמִיד פָּתִיל. וּמַיִם שֶׁאֵינָן מְקֻדָּשִׁין נִצּוֹלִין בְּצָמִיד פָּתִיל:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Pará 11:1
אם מצאה מכוסה בידוע שאדם הוא אשר כיסה אותה… ואין זה מקום טהור:

Se a encontrou coberta, é certo que foi uma pessoa quem a cobriu, e ela deveria ser pura para a chatat — e eis que não é assim, pois a maioria das pessoas não são puras para a chatat; por isso, é invalidada. E se a encontrou descoberta, não dizemos que de fato uma pessoa a descobriu, mas sim que a descobriu um animal — o qual não invalida a água de chatat pelo simples toque, mas apenas por beber um pouco de sua água, como se explicou no nono capítulo; e ali se explicou que Rabão Gamliel diz que, se uma cobra bebeu da água de chatat, ela a invalida.

E já sabes o fundamento: que a água de chatat e a cinza de chatat só podem estar em lugar puro, e que a água que ainda não foi santificada não se guarda por essa exigência. E a linguagem do Sifrê é: “o frasco de chatat que está envolto em uma tampa hermeticamente vedada e colocado na tenda do morto é impuro” — pois está dito (Bamidbar 19:9): “em lugar puro”, e este não é um lugar puro.

Bartenura · Pará 11:1
צְלוֹחִית. שֶׁל מֵי חַטָּאת…

Sobre “tselochit”: um frasco de água de chatat.

Sobre “e voltou e a encontrou coberta, é inválida”: porque dizemos que uma pessoa entrou ali e a cobriu, e a maioria das pessoas não são puras para a chatat.

Sobre “se uma doninha pode beber dele, é inválido”: mas, se não pode beber, não o invalidamos pelo receio de que uma pessoa impura tenha entrado e o descoberto — pois não é costume das pessoas descobrir, mas sim cobrir, por causa dos répteis; já os répteis costumam descobrir e não costumam cobrir. E apenas quando estava coberto e se encontrou descoberto é que se teme a doninha; mas quando estava descoberto e se encontrou descoberto como se deixou, não se teme — ainda que se tema, em geral, a dúvida de águas descobertas, pois o perigo é mais grave do que a proibição.

Sobre “ou uma cobra, segundo as palavras de Rabão Gamliel”: pois disse acima que também a cobra invalida, porque ela vomita.

Sobre “a chatat”: a cinza de chatat, ou a água santificada, que estavam na tenda do morto dentro de um utensílio que tem sobre si uma tampa hermeticamente vedada.

Sobre “não são salvos”: e são invalidados; pois está escrito “e os depositará em lugar puro” (Bamidbar 19:9), e este não é um lugar puro. Mas os utensílios destinados a conter a água de chatat ou a cinza de chatat, e também o hissopo preparado para aspergir com ele, são salvos por uma tampa hermeticamente vedada.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.