As mulheres, quanto à sua virgindade, são como as videiras. Há videira cujo vinho é vermelho, e há videira cujo vinho é escuro, e há videira cujo vinho é abundante, e há videira cujo vinho é escasso. Rabi Yehudá diz: toda videira tem vinho; e a que não tem vinho, esta é dorketí.
Encerra-se o Perek Tet com uma imagem: assim como as videiras variam naturalmente na cor e na quantidade de seu vinho — algumas mais vermelhas, outras mais escuras, algumas mais generosas, outras mais escassas — também o sangue das mulheres, seja o de virgindade seja o menstrual, varia de mulher para mulher em cor e quantidade, sem que essa variação indique defeito algum; o Rambam nota que este princípio é útil, entre outras coisas, nas leis de quem reclama não ter encontrado sinais de virgindade em sua esposa. Rabi Yehudá vai além: não apenas as videiras variam em seu vinho, mas toda videira, por natureza, produz algum vinho; uma videira que não produz vinho algum não é apenas uma videira incomum, mas chama-se dorketí — termo composto de dor katua, “geração cortada”. Aplicado às mulheres, ensina que toda mulher tem, em algum momento, tanto sangue de virgindade quanto sangue de nidá; a que não tem nenhum dos dois é entendida como estéril, incapaz de gerar filhos. A lei segue Rabi Yehudá.
Rambam explica: “as mulheres, quanto à virgindade, são como as videiras” etc. — estas palavras nos são úteis nas leis de quem reclama não ter encontrado sinais de virgindade na jovem esposa. E Rabi Yehudá diz que há mulheres que não têm sangue algum — nem sangue de nidá nem sangue de virgindade —, porém não geram filhos; e este é o sentido de dorketí, que é composto de duas palavras: dor katua (geração cortada). E a lei é conforme Rabi Yehudá.
Bartenura explica: sobre “há videira cujo vinho é vermelho e há videira cujo vinho é escuro” — assim há mulher cujo sangue é vermelho, e há cujo sangue é escuro. Sobre “toda videira tem vinho” — toda mulher tem sangue de nidá e sangue de virgindade. Sobre “e a que não tem, esta é dorketí” — geração cortada; isto é, cortada de filhos, estéril, que não gera.
Rashi explica: sobre “toda videira tem vinho” — toda mulher tem virgindade e sangues. Sobre “e a que não tem, esta é geração cortada” — e, já que não têm sangues abundantes, não têm filhos abundantes.
O Perek Tet, com suas onze mishnayot, está agora completo. Ele se abriu com os casos de dúvida ligados à urina: a mulher que urina e encontra sangue, em pé ou sentada (9:1), e o caso agravado de homem e mulher que urinam juntos (9:2). Passou aos casos de atribuição de manchas a terceiros: a túnica emprestada a uma não-judia ou a uma nidá, e o limite de Rabi Nechemia para objetos que não recebem impureza (9:3). Tratou então, com grande detalhe, do caso de três mulheres que dormem numa mesma cama e sob uma delas se encontra sangue — a regra geral e a exceção de quem se examina e se confirma como fonte (9:4) — e o refinamento pela posição na cama, culminando na parábola do monte impuro misturado entre montes puros (9:5). Voltou-se então às sete substâncias que testam se uma mancha é sangue ou tingimento (9:6), com a definição precisa de cada uma delas e da ordem obrigatória de aplicação (9:7). Passou aos sinais do próprio corpo que anunciam a menstruação — bocejo, espirro, dor no baixo-ventre, fluxo e calafrios (9:8) — e ao alcance retroativo desses sinais, com a posição de Rabi Yossei sobre dias e horas como sinais, e o debate sobre a mulher que vê ao nascer do sol (9:9). Explicou como um sinal se desloca de um dia para outro somente após três repetições consecutivas (9:10). E encerrou com a bela imagem das mulheres comparadas às videiras, cada uma com sua cor e sua medida de sangue, e o ensinamento de Rabi Yehudá de que toda videira tem vinho, salvo a dorketí (9:11). O tratado prossegue no Perek Yud, que tratará das leis da jovem que ainda não atingiu a idade de ver sangue e se casa, e das noites em que se atribui o sangue encontrado à virgindade.