Um pano de exame que foi colocado sob o travesseiro, e nele se encontrou sangue: se (a mancha) é redonda, é pura; se é alongada, é impura — palavras de Rabi Elazar bar Rabi Tzadok.
Esta última mishná do Perek Chet trata de um caso peculiar: o pano com que a mulher se examina, ou com que se limpa após a relação conjugal, colocado sob o travesseiro para uso durante a noite. Se, ao ser recolhido, nele se encontra sangue, surge a dúvida se se trata de sangue de exame — e portanto proveniente dela — ou de um piolho que foi esmagado ali sob o travesseiro sem relação alguma com seu corpo. Rabi Elazar bar Rabi Tzadok resolve essa dúvida por meio da forma da mancha: o sangue de um piolho esmagado tende a se espalhar em forma redonda, arredondada em todas as direções; já o sangue que provém do próprio ato de se limpar tende a ficar alongado, na direção do movimento do pano sobre o corpo. Por isso, uma mancha redonda é atribuída ao piolho, e a mulher permanece pura; uma mancha alongada é atribuída ao gesto de limpeza, e por isso considerada proveniente dela mesma, tornando-a impura. Com esta mishná se encerra o Perek Chet.
Rambam explica: já sabes que o ed (pano de exame) é a peça de pano com que ela se limpa; e, se nele se encontra uma gota de sangue alongada, dizemos que é dela, e que, no momento em que se limpava, este sangue ficou impresso nele, e ela se torna como quem vê uma mancha. Mas, se o lugar do sangue era redondo, isto não provém da limpeza, mas sim de um piolho que foi morto ali sob o travesseiro, ou algo semelhante. E o primeiro tanna diz: talvez tenha caído sobre o pano apenas uma gota isolada, sem relação com o exame. E a lei é conforme Rabi Elazar bar Rabi Tzadok.
Bartenura explica: sobre “pano de exame colocado sob o travesseiro” — o pano com que ela se limpa no momento da relação conjugal chama-se ed. Sobre “sangue redondo, pura” — pois é sangue de piolho. Sobre “alongado, impura” — e, se a gota é alongada, é impura, pois se presume que é dela, e que, no momento em que se limpava, este sangue ficou impresso no pano. Sobre “palavras de Rabi Elazar bar Rabi Tzadok” — e assim é a lei.
A mishná 8:4 forma, na Guemará (Nidá 58b), um único bloco de מַתְנִי’ com as mishnayot 8:2 e 8:3, sem cabeçalho próprio. Rashi comenta, nesse mesmo trecho, os termos da mishná 8:2, mas não deixou comentário específico sobre a distinção entre mancha redonda e alongada; por isso, honestamente, esta seção é omitida para a mishná 8:4.
O Perek Chet, com suas quatro mishnayot, está agora completo. Ele se abriu estabelecendo onde, no corpo e na roupa da mulher, uma mancha de sangue a torna impura — por poder ter vindo da região genital — e onde a deixa pura, com a regra especial da túnica usada como coberta noturna, sempre impura onde quer que a mancha se encontre, por se mover enquanto a mulher dorme (8:1). Passou então aos motivos plausíveis a que uma mulher pode atribuir uma mancha e assim permanecer pura: o abate de um animal, o manuseio de manchas alheias, a morte de um piolho — com a medida de Rabi Chanina ben Antigonos, de até o tamanho de um grão de feva —, ou uma ferida sua, de seu filho ou de seu marido, capaz ainda de sangrar (8:2). Trouxe o caso concreto da mulher que Rabi Akiva purificou ao atribuir sua mancha a uma ferida antiga, e o princípio que ele revelou a seus discípulos: a impureza de mancha é decreto rabínico instituído para aliviar, pois a Torá fala em sangue, e não em mancha (8:3). E encerrou com o caso do pano de exame guardado sob o travesseiro, em que a forma da mancha de sangue encontrada — redonda ou alongada — decide se ela é pura ou impura, segundo Rabi Elazar bar Rabi Tzadok (8:4). O tratado prossegue no Perek Tet, que continuará a tratar das leis de manchas e das dúvidas de impureza que delas decorrem.