O réptil que foi encontrado no beco transmite impureza retroativamente, até que (o dono) diga: examinei este beco e não havia nele réptil; ou até o momento da (última) varrição. E, da mesma forma, a mancha (de sangue) que foi encontrada numa túnica transmite impureza retroativamente, até que (a dona) diga: examinei esta túnica e não havia nela mancha; ou até o momento da (última) lavagem. E transmite impureza, seja (encontrada) seca, seja úmida. Rabi Shimon diz: a (mancha ou o réptil) seco transmite impureza retroativamente, mas o úmido só transmite impureza até o momento em que ainda pudesse estar úmido.
Depois de tratar da distinção entre substâncias úmidas e secas, a mishná passa a um segundo eixo do mesmo tema: até onde retroage a impureza quando o réptil morto, ou a mancha de sangue, é encontrado sem que se saiba desde quando ali estava. A mishná estabelece que, por padrão, presume-se que os moradores examinam seus becos no momento em que os varrem, e que as mulheres examinam suas túnicas no momento em que as lavam — de modo que, se um réptil ou uma mancha é encontrado, tudo o que passou por aquele beco, ou tudo o que a mulher manuseou vestindo aquela túnica, desde o último exame declarado, a última varrição ou a última lavagem, é retroativamente considerado impuro, pois se presume que o réptil ou a mancha já estava ali durante todo esse período. Rabi Shimon introduz uma distinção mais fina: para ele, essa retroação total só se aplica quando o achado é seco, pois um objeto seco pode ter permanecido ali por muito tempo; mas, se o achado ainda está úmido, a impureza retroage apenas até o momento em que, fisicamente, ainda seria possível que ele estivesse úmido — um período mais curto, já que um réptil ou uma mancha não permanecem úmidos indefinidamente. A Guemará explica que essa distinção de Rabi Shimon vale especificamente para o réptil; quanto à mancha de sangue, porém, mesmo os Sábios que discordam dele concordam que ela transmite impureza retroativamente ainda que encontrada úmida, pois sempre é possível supor que a mancha já estava seca e que apenas foi molhada por água posteriormente.
Rambam explica: até o momento em que ainda pudesse estar úmido, até o momento da (última) varrição, isto é, até o momento em que se costuma varrer aquele local e não se encontrou nele réptil. E disse que a presunção é a de que os filhos de Israel examinam seus becos no momento de sua varrição, e a presunção é a de que as filhas de Israel examinam suas túnicas no momento de sua lavagem. E a distinção que Rabi Shimon estabelece entre úmido e seco é a respeito do réptil, pois, se for encontrado úmido, poderíamos dizer, a título de exemplo, que é possível que esse réptil esteja úmido desde que morreu há dois dias, e transmitiria impureza apenas por esses dois dias retroativamente. Já a mancha, mesmo úmida, transmite impureza retroativamente, mesmo depois de muitos dias, pois diremos: se estava seca, ela já estava havia muitos dias naquela roupa, e (a pessoa) a tocou enquanto ainda estava úmida (de água que caiu sobre ela). E já se explicou, em Tehorot, que o beco é como o domínio privado, e o seu caso duvidoso é impuro; por isso, os itens puros que foram feitos naquele beco tornam-se impuros retroativamente, por causa desse réptil. E a halachá não segue Rabi Shimon.
Bartenura explica: sobre “transmite impureza retroativamente” — todos os itens puros que foram encontrados no beco, pois o beco é domínio privado para efeito de impureza, e seu caso duvidoso é impuro. Sobre “ou até o momento da (última) varrição” — porque a presunção é a de que os filhos de Israel examinam seus becos no momento de suas varrições, e, se ali houvesse um réptil, teriam visto. Sobre “e, da mesma forma, a mancha que foi encontrada numa túnica transmite impureza retroativamente” — todos os itens puros que a mulher manuseou desde o dia da última lavagem; mas os anteriores à lavagem, não, porque a presunção é a de que as filhas de Israel examinam suas túnicas no momento de suas lavagens. Sobre “o (achado) seco transmite impureza retroativamente” — até o momento da (última) varrição, pois se poderia dizer que caiu ali logo após a varrição. Sobre “mas o úmido não transmite impureza retroativamente” — senão até o momento em que ainda podemos dizer que, se caiu naquele dia, ainda poderia estar úmido agora; mas, até o momento da (última) varrição, por um tempo mais longo, não, pois, se ele está úmido, e caísse desde aquele momento, já teria se tornado seco. E é especificamente quanto ao réptil que Rabi Shimon faz essa distinção entre úmido e seco; mas, quanto à mancha, mesmo úmida, ela transmite impureza retroativamente até o momento da (última) lavagem, pois se pode dizer que estava seca e que foi a água que caiu sobre ela. Mas, quanto ao réptil, não se pode dizer assim, pois, se de fato a água tivesse caído sobre ele, ele já teria se desfeito (esfarelado). E a halachá não segue Rabi Shimon.
Rashi explica: sobre “a mishná: e transmite impureza, seja seca seja úmida” — a mancha ou o réptil, seja encontrado úmido, seja encontrado seco, transmite impureza a todos os itens puros que foram encontrados no beco desde o dia de sua última varrição, e que a mulher fez (manuseou) desde o dia de sua última lavagem. Sobre “o (achado) seco transmite impureza retroativamente” — até o momento da (última) varrição ou lavagem, pois se pode dizer que caiu logo após a lavagem. Mas o úmido só transmite impureza retroativamente até o momento em que podemos dizer: se caiu naquele dia, ainda poderia estar úmido agora; mas até o momento da (última) varrição, por um tempo mais longo, não — pois, sendo úmido, se tivesse caído desde aquele momento, já teria se tornado seco.