Seder Tehorot · Massechet Nidá · Perek Vav · Mishná 3 de 14

O que se torna impuro por midrás torna-se impuro por contato com um morto — mas não sempre o contrário

כֹּל הַמִּטַּמֵּא מִדְרָס, מִטַּמֵּא טְמֵא מֵת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Terceiro par da série: todo vaso apto a se tornar fonte de impureza pelo pisar do zav (midrás) também se torna fonte de impureza por contato com um morto; mas há vasos que se tornam fonte de impureza por um morto sem se tornarem por midrás

Tudo o que se torna impuro por midrás (pisadura do zav) torna-se impuro por contato com um morto; e há o que se torna impuro por contato com um morto e não se torna impuro por midrás.

Esta mishná continua a série de pares assimétricos, agora no âmbito das leis de impureza do zav (o homem com fluxo patológico) e da impureza de cadáver. Um vaso destinado a servir de assento ou leito — como uma cadeira ou uma cama — torna-se fonte de impureza (av ha-tumá) quando o zav se senta ou se deita sobre ele, pela lei do midrás; e o mesmo vaso, sendo um vaso completo apto a receber todo tipo de impureza, também se torna fonte de impureza se tocar um cadáver ou ficar sob a mesma tenda que ele. Mas há vasos que, embora completos e aptos a toda impureza — inclusive a de cadáver —, não se tornam fonte de impureza pelo midrás do zav, porque não são “destinados a assento”: é o caso, por exemplo, de alguém que vira uma medida de grãos de boca para baixo e se senta sobre ela ocasionalmente. A Torá exclui esse tipo de uso improvisado da lei do midrás com a expressão “aquele sobre o qual se sentar o zav” — entendida pela tradição como referindo-se apenas ao vaso destinado a esse fim, e não àquele do qual se diria “levanta-te e façamos nosso trabalho”. Já para a impureza de cadáver não existe essa exceção: qualquer vaso apto a receber impurezas torna-se fonte de impureza pelo contato com um morto, ainda que não seja destinado a assento.

כֹּל הַמִּטַּמֵּא מִדְרָס, מִטַּמֵּא טְמֵא מֵת. וְיֵשׁ שֶׁמִּטַּמֵּא טְמֵא מֵת וְאֵינוֹ מִטַּמֵּא מִדְרָס:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Nidá 6:3

Rambam explica: disse o Nome bendito a respeito do zav: “e o que se sentar sobre o vaso em que ele se sentou” etc.; e veio a tradição: poderia se pensar que, se ele virou uma medida de sea e sentou-se sobre ela, ou virou uma medida de tarkav e sentou-se sobre ela, ficaria impuro? Ensina o versículo: “e o que se sentar sobre o vaso em que se sentou o zav” — aquele que é destinado a assento; excluído fica aquele que não é destinado a assento, do qual se costuma dizer “levanta-te e façamos nosso trabalho”. Já se explicou que os vasos que não servem para deitar-se ou sentar-se não se tornam impuros por midrás do zav, mas se tornam impuros por contato com um morto — e este é o sentido de dizerem, a respeito do zav, “levanta-te e façamos nosso trabalho”, o que não se diz a respeito da impureza de um morto. E já se explicou este sentido no segundo capítulo de Kelim, e também explicamos o assunto do midrás no décimo oitavo (capítulo) de Kelim.

Bartenura · Nidá 6:3

Bartenura explica: sobre “tudo o que se torna impuro por midrás” — do zav: todo vaso apto a se tornar fonte de impureza por midrás do zav, como um vaso destinado a deitar-se e sentar-se, é apto a se tornar fonte de impureza também se tocar um morto ou se tornar impuro sob a tenda de um morto. E há o que é um vaso completo, apto a receber todas as impurezas, e se torna fonte de impureza por meio de um morto, mas não se torna fonte de impureza por meio do midrás do zav — como, por exemplo, se o zav virou uma medida de sea e sentou-se sobre ela, ou uma medida de tarkav e sentou-se sobre ela: esse vaso não se torna impuro por midrás a ponto de se tornar fonte de impureza, mas apenas primeiro grau de impureza pelo contato do zav — pois está escrito (Levítico 15): “aquele sobre o qual se sentar o zav”, isto é, o que é destinado a assento; excluído fica aquele do qual se costuma dizer “levanta-te e façamos nosso trabalho”. Mas, se tocar um morto, torna-se fonte de impureza, pois a respeito da impureza de um morto não se diz “levanta-te e façamos nosso trabalho”.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Nidá 49a, sobre a Guemará desta mishná
כל המטמא במדרס הזב מטמא במת — כִּדְמְפָרֵשׁ בַּגְּמָרָא שֶׁאֵין לְךָ כְּלִי הָרָאוּי לְמוֹשַׁב הַזָּב שֶׁאֵין שָׁם כְּלִי עָלָיו וְרָאוּי לְקַבֵּל כָּל טֻמְאוֹת: ויש — שֶׁהוּא כְּלִי גָּמוּר לְקַבֵּל כָּל טֻמְאוֹת וְנַעֲשֶׂה אַב הַטֻּמְאָה עַל יְדֵי מֵת וְאֵינוֹ נַעֲשֶׂה אַב הַטֻּמְאָה עַל יְדֵי הַזָּב בְּמִדְרָס כִּדְמְפָרֵשׁ בַּגְּמָרָא:

Rashi explica: sobre “tudo o que se torna impuro por midrás do zav torna-se impuro por (contato com) um morto” — como se explica na Guemará, não há vaso apto para assento do zav sobre o qual não recaia a categoria de vaso, apto a receber todas as impurezas. Sobre “e há” — o que é um vaso completo, apto a receber todas as impurezas, e se torna fonte de impureza por meio de um morto, mas não se torna fonte de impureza por meio do zav em midrás, como se explica na Guemará.