Os dois pelos ditos a respeito da vaca (vermelha) e a respeito das pragas de tzaraat, e os ditos em todo lugar (a respeito da maioridade) — (sua medida mínima é) o suficiente para dobrar sua ponta até sua raiz, palavras de Rabi Ishmael. Rabi Elazar diz: o suficiente para apertá-los com a unha. Rabi Akiva diz: o suficiente para que possam ser tomados com uma pinça.
Esta mishná retoma, de um ângulo técnico, um termo que atravessa vários ramos distintos da lei tanaítica: “dois pelos” (shtei searot). A mesma expressão aparece a respeito da vaca vermelha (onde dois pelos negros a invalidam para o ritual da pará adumá), a respeito das pragas de tzaraat (onde o pelo branco dentro da mancha é um dos sinais de impureza) e a respeito da maioridade física de meninos e meninas, tratada nas mishnayot anteriores. A pergunta da mishná é: qual é a medida mínima para que um pelo conte como tal, nesses contextos? Três opiniões tanaíticas propõem três medidas crescentes: Rabi Ishmael exige que o pelo já seja longo o suficiente para dobrar sua ponta até a própria raiz; Rabi Elazar contenta-se com que seja possível apertá-lo (segurá-lo) com a unha, uma medida menor; e Rabi Akiva exige a medida maior de todas — que os pelos já possam ser tomados e cortados com uma pinça de tesoura. A Guemará resolve que a halachá segue as três opiniões simultaneamente, para maior rigor: usa-se a medida mais leniente (a unha de Rabi Elazar) quando o rigor exige presumir que a menina já é maior — como para encerrar seu direito de meún —, e a medida mais rigorosa (a pinça de Rabi Akiva) quando o rigor exige presumir que ela ainda é menor — como para exigir dela a chalitzá.
Rambam explica: disseram no Talmud que a halachá segue as palavras de todos (os três Sábios mencionados), para maior rigor, e será conforme vou explicar: se os dois pelos já são o suficiente para serem tomados com uma pinça — que é a menor das medidas — ela já não pode recusar; mas ela só faz chalitzá quando forem o suficiente para dobrar sua ponta até sua raiz.
Bartenura explica: sobre “os dois pelos ditos a respeito da vaca” — pois estabelecemos (Pará 2) que dois pelos negros a invalidam. Sobre “e a respeito das pragas” — pelo branco: estabelecemos, em Torat Cohanim, que o mínimo de “pelo” (no plural) é dois. Sobre “e os ditos em todo lugar” — no menino e na menina. “Apertá-los” — segurá-los um pouco. “Que possam ser tomados com uma pinça” — de tesoura, e essa é a maior medida. E a halachá segue as palavras de todos, para maior rigor: e, desde que possam ser apertados com a unha — que é a menor de todas as medidas — ela já não pode mais recusar, pois pode ser que já seja maior; mas, quanto à chalitzá, ela só a faz quando já houver a maior medida de todas.
Rashi explica: sobre “a mishná: os dois pelos ditos a respeito da vaca” — pois estabelecemos que dois pelos negros a invalidam, como se explica na Guemará e em Massechet Pará. Sobre “e a respeito das pragas” — pelo branco: estabelecemos, em Torat Cohanim, que o mínimo de “pelo” (no plural) é dois. Sobre “e os ditos em todo lugar” — no menino e na menina. Sobre “apertá-los” — segurá-los um pouco. Sobre “que possam ser tomados com uma pinça” — a maior medida de todas.