Se veio o sinal inferior antes que viesse o superior, ela faz chalitzá ou entra em ievum. Se veio o sinal superior antes que viesse o inferior — ainda que isso seja impossível — Rabi Meir diz: ela nem faz chalitzá nem entra em ievum. E os Sábios dizem: ela faz chalitzá ou entra em ievum, porque disseram: é possível que o sinal inferior venha antes que venha o superior, mas é impossível que o sinal superior venha antes que venha o inferior.
Com esta mishná se abre o Perek Vav de Massechet Nidá, que retoma, sob um novo ângulo, o tema dos sinais de puberdade já tratado no fim do Perek Hei: o sinal inferior — os dois pelos púbicos — e o sinal superior — os sinais do desenvolvimento dos seios (o bochal). A mishná assume que, na prática, quase sempre o sinal inferior aparece antes do sinal superior; por isso, quando o sinal inferior vem primeiro, não há dúvida alguma: a moça é maior, e por isso faz chalitzá ou entra em ievum. O caso interessante — e mais raro — é quando parece que o sinal superior chegou sem que o inferior tenha aparecido. Os Sábios entendem que essa situação é, na verdade, impossível: se veio o sinal superior, é sinal certo de que o inferior também veio, ainda que talvez os pelos tenham caído ou não tenham sido notados no exame; por isso, mesmo nesse caso, ela é considerada maior e faz chalitzá ou entra em ievum. Rabi Meir, porém, discorda dessa presunção: para ele, é de fato possível que o sinal superior surja isoladamente, antes do inferior; e, como toda a definição legal de maioridade se apoia exclusivamente no sinal inferior, nesse caso a moça continua sendo considerada menor — e, para Rabi Meir, que equipara nesse ponto a mulher ao homem, a menor não faz chalitzá nem entra em ievum, por receio de que ela venha a se revelar ailonit. A halachá segue os Sábios.
Rambam explica: quanto a “antes que viesse o inferior” — disseram “ainda que isso seja impossível” segundo a opinião dos Sábios; mas, para Rabi Meir, é possível que venha o superior sem que venha o inferior, e por isso ela não faz chalitzá, pois nos apoiamos no sinal inferior — e já sabes que a mulher não faz chalitzá até que desenvolva dois pelos, embora o ievum seja permitido com uma menor, exceto para Rabi Meir, que equipara a mulher ao homem, e para ele o ievum só é válido com uma mulher maior; por isso disse aqui que ela nem faz chalitzá nem entra em ievum. Já para os Sábios, que dizem que o sinal superior só se manifesta depois que já apareceu o sinal inferior — e mesmo que examinemos e não o encontremos, dizemos que ele caiu (mas veio) — o sinal inferior é o desenvolvimento de dois pelos, e o sinal superior são os sinais dos seios já mencionados (na mishná anterior). E já se explicou que, segundo todos, nos apoiamos no sinal inferior; por isso disseram que, uma vez que veio o inferior, não se atenta mais ao superior. E fica claro que só temos sinal superior na mulher, pois o homem não tem sinal superior; e a halachá não segue Rabi Meir.
Bartenura explica: sobre “veio o sinal inferior” — os dois pelos, que são o sinal de maioridade (na’arut). Sobre “antes que viesse o superior” — o sinal dos seios, que é o bochal (o inchaço inicial do seio). Sobre “ela faz chalitzá ou entra em ievum” — porque ela já é maior, pois os pelos são um sinal inequívoco, e é neles que nos apoiamos. Sobre “ainda que isso seja impossível” — para os Sábios, que o sinal superior venha sem o inferior; e, uma vez vindo o sinal superior, ainda que se examine e não se encontre o inferior, dizemos que o sinal inferior certamente veio, mas caiu; de qualquer forma, para Rabi Meir, ela nem faz chalitzá nem entra em ievum, pois Rabi Meir entende ser possível que o sinal superior venha sem o inferior, e nós nos apoiamos no inferior; portanto, ela ainda é menor, e não faz chalitzá nem entra em ievum. E Rabi Meir segue seu próprio raciocínio, segundo o qual o menor e a menor não fazem chalitzá nem ievum — o menor, porque pode vir a se revelar saris; e a menor, porque pode vir a se revelar ailonit. Sobre “ela faz chalitzá ou entra em ievum” — e mesmo sendo menor, ela entra em ievum segundo os Sábios, pois eles não temem a minoria (dos casos) em que ela poderia vir a se revelar ailonit, já que a maioria das mulheres não é ailonit; porém, para a chalitzá exige-se que ela seja maior, mesmo segundo os Sábios, pois está escrito “homem” na perícope (Deuteronômio 25), e equiparamos a mulher ao homem. E a halachá segue os Sábios. Sobre “porque disseram: é possível que o inferior venha etc.” — embora já tenha sido ensinado no início (da mishná anterior), repete-se aqui, porque se quer ligar a isso o “semelhante a isto” que se segue, por ser-lhe parecido.
Rashi explica: sobre “a mishná: veio o sinal inferior” — os dois pelos, sinal de maioridade. Sobre “o superior” — o bochal (o inchaço inicial do seio). Sobre “ela faz chalitzá” — ela já é maior, pois os pelos são um sinal inequívoco, e é neles que nos apoiamos; e mais adiante a Guemará explica o motivo.