Seder Tehorot · Massechet Nidá · Perek Vav · Mishná 1 de 14

O sinal inferior e o sinal superior: qual prevalece na disputa entre Rabi Meir e os Sábios

בָּא סִימָן הַתַּחְתּוֹן עַד שֶׁלֹּא בָא הָעֶלְיוֹן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Abertura do Perek Vav: a ordem de aparecimento do sinal inferior (os pelos púbicos) e do sinal superior (os sinais do seio) e suas consequências para as leis de chalitzá e ievum; a disputa entre Rabi Meir e os Sábios sobre o caso em que o sinal superior aparenta chegar primeiro

Se veio o sinal inferior antes que viesse o superior, ela faz chalitzá ou entra em ievum. Se veio o sinal superior antes que viesse o inferior — ainda que isso seja impossível — Rabi Meir diz: ela nem faz chalitzá nem entra em ievum. E os Sábios dizem: ela faz chalitzá ou entra em ievum, porque disseram: é possível que o sinal inferior venha antes que venha o superior, mas é impossível que o sinal superior venha antes que venha o inferior.

Com esta mishná se abre o Perek Vav de Massechet Nidá, que retoma, sob um novo ângulo, o tema dos sinais de puberdade já tratado no fim do Perek Hei: o sinal inferior — os dois pelos púbicos — e o sinal superior — os sinais do desenvolvimento dos seios (o bochal). A mishná assume que, na prática, quase sempre o sinal inferior aparece antes do sinal superior; por isso, quando o sinal inferior vem primeiro, não há dúvida alguma: a moça é maior, e por isso faz chalitzá ou entra em ievum. O caso interessante — e mais raro — é quando parece que o sinal superior chegou sem que o inferior tenha aparecido. Os Sábios entendem que essa situação é, na verdade, impossível: se veio o sinal superior, é sinal certo de que o inferior também veio, ainda que talvez os pelos tenham caído ou não tenham sido notados no exame; por isso, mesmo nesse caso, ela é considerada maior e faz chalitzá ou entra em ievum. Rabi Meir, porém, discorda dessa presunção: para ele, é de fato possível que o sinal superior surja isoladamente, antes do inferior; e, como toda a definição legal de maioridade se apoia exclusivamente no sinal inferior, nesse caso a moça continua sendo considerada menor — e, para Rabi Meir, que equipara nesse ponto a mulher ao homem, a menor não faz chalitzá nem entra em ievum, por receio de que ela venha a se revelar ailonit. A halachá segue os Sábios.

בָּא סִימָן הַתַּחְתּוֹן עַד שֶׁלֹּא בָא הָעֶלְיוֹן, אוֹ חוֹלֶצֶת אוֹ מִתְיַבֶּמֶת. בָּא הָעֶלְיוֹן עַד שֶׁלֹּא בָא הַתַּחְתּוֹן, אַף עַל פִּי שֶׁאִי אֶפְשָׁר, רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, לֹא חוֹלֶצֶת וְלֹא מִתְיַבֶּמֶת. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אוֹ חוֹלֶצֶת אוֹ מִתְיַבֶּמֶת. מִפְּנֵי שֶׁאָמְרוּ, אֶפְשָׁר לַתַּחְתּוֹן לָבֹא עַד שֶׁלֹּא בָא הָעֶלְיוֹן, אֲבָל אִי אֶפְשָׁר לָעֶלְיוֹן לָבֹא עַד שֶׁלֹּא בָא הַתַּחְתּוֹן:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Nidá 6:1

Rambam explica: quanto a “antes que viesse o inferior” — disseram “ainda que isso seja impossível” segundo a opinião dos Sábios; mas, para Rabi Meir, é possível que venha o superior sem que venha o inferior, e por isso ela não faz chalitzá, pois nos apoiamos no sinal inferior — e já sabes que a mulher não faz chalitzá até que desenvolva dois pelos, embora o ievum seja permitido com uma menor, exceto para Rabi Meir, que equipara a mulher ao homem, e para ele o ievum só é válido com uma mulher maior; por isso disse aqui que ela nem faz chalitzá nem entra em ievum. Já para os Sábios, que dizem que o sinal superior só se manifesta depois que já apareceu o sinal inferior — e mesmo que examinemos e não o encontremos, dizemos que ele caiu (mas veio) — o sinal inferior é o desenvolvimento de dois pelos, e o sinal superior são os sinais dos seios já mencionados (na mishná anterior). E já se explicou que, segundo todos, nos apoiamos no sinal inferior; por isso disseram que, uma vez que veio o inferior, não se atenta mais ao superior. E fica claro que só temos sinal superior na mulher, pois o homem não tem sinal superior; e a halachá não segue Rabi Meir.

Bartenura · Nidá 6:1

Bartenura explica: sobre “veio o sinal inferior” — os dois pelos, que são o sinal de maioridade (na’arut). Sobre “antes que viesse o superior” — o sinal dos seios, que é o bochal (o inchaço inicial do seio). Sobre “ela faz chalitzá ou entra em ievum” — porque ela já é maior, pois os pelos são um sinal inequívoco, e é neles que nos apoiamos. Sobre “ainda que isso seja impossível” — para os Sábios, que o sinal superior venha sem o inferior; e, uma vez vindo o sinal superior, ainda que se examine e não se encontre o inferior, dizemos que o sinal inferior certamente veio, mas caiu; de qualquer forma, para Rabi Meir, ela nem faz chalitzá nem entra em ievum, pois Rabi Meir entende ser possível que o sinal superior venha sem o inferior, e nós nos apoiamos no inferior; portanto, ela ainda é menor, e não faz chalitzá nem entra em ievum. E Rabi Meir segue seu próprio raciocínio, segundo o qual o menor e a menor não fazem chalitzá nem ievum — o menor, porque pode vir a se revelar saris; e a menor, porque pode vir a se revelar ailonit. Sobre “ela faz chalitzá ou entra em ievum” — e mesmo sendo menor, ela entra em ievum segundo os Sábios, pois eles não temem a minoria (dos casos) em que ela poderia vir a se revelar ailonit, já que a maioria das mulheres não é ailonit; porém, para a chalitzá exige-se que ela seja maior, mesmo segundo os Sábios, pois está escrito “homem” na perícope (Deuteronômio 25), e equiparamos a mulher ao homem. E a halachá segue os Sábios. Sobre “porque disseram: é possível que o inferior venha etc.” — embora já tenha sido ensinado no início (da mishná anterior), repete-se aqui, porque se quer ligar a isso o “semelhante a isto” que se segue, por ser-lhe parecido.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Nidá 48a, sobre a Guemará desta mishná
מתני’ בא סימן התחתון — שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת סִימָן נַעֲרוּת: העליון — בּוֹחַל: או חולצת — גְּדוֹלָה הִיא שֶׁהַשְּׂעָרוֹת סִימָן מֻבְהָק וַעֲלֵיהֶן סָמְכִינַן וּלְקַמָּן מְפָרֵשׁ טַעְמָא:

Rashi explica: sobre “a mishná: veio o sinal inferior” — os dois pelos, sinal de maioridade. Sobre “o superior” — o bochal (o inchaço inicial do seio). Sobre “ela faz chalitzá” — ela já é maior, pois os pelos são um sinal inequívoco, e é neles que nos apoiamos; e mais adiante a Guemará explica o motivo.