Quais são seus sinais? Rabi Yossei HaGelilí diz: desde que suba a dobra sob o seio. Rabi Akiva diz: desde que os seios se inclinem. Ben Azai diz: desde que escureça a auréola. Rabi Yossei diz: quando se coloca a mão sobre o mamilo, e ele afunda e demora a voltar.
— A mishná anterior encerrou a parábola do figo dizendo que, ao atingir o estágio de “figo maduro”, a filha deixa de estar sob a autoridade do pai — mas sem especificar qual sinal físico concreto marca essa passagem. Esta mishná preenche essa lacuna, trazendo quatro definições diferentes, propostas por quatro sábios, do sinal corporal que caracteriza a bogueret. Rabi Yossei HaGelilí situa o sinal numa dobra que se forma sob o seio, perceptível quando a mulher leva os braços para trás das costas. Rabi Akiva o situa num estágio ainda posterior, quando os próprios seios já se inclinam visivelmente sobre o peito. Ben Azai propõe um critério distinto, ligado à pigmentação: o escurecimento da auréola. E Rabi Yossei propõe um critério funcional, ligado à elasticidade do tecido: quando, ao se pressionar o mamilo com a mão, ele cede e demora a retornar à posição original. A Guemará explica que a halachá segue todas essas opiniões cumulativamente, no sentido de maior rigor: para tornar mais grave a situação de uma menor cujo pai ainda pretenda exercer autoridade sobre ela, basta que apareça um único desses sinais para que ela já seja tratada como bogueret; mas, para beneficiar essa mesma menor de uma leniência baseada em sua maturidade, exige-se a presença de todos os sinais reunidos. Esse tratamento cumulativo e cauteloso reflete o caráter geral do perek: a lei tanaítica trata a passagem da menoridade à maturidade não como um instante abrupto, mas como um processo observável e gradual, sobre o qual sábios distintos, examinando o mesmo corpo, podem legitimamente discordar quanto ao indicador mais preciso.
Rambam explica: “quais são seus sinais” significa qual é o sinal que indica a maturidade; e estes sinais que os Sábios listaram são sinais visíveis, que apontam para os sinais ocultos — pois já explicamos, muitas vezes, que, se ela desenvolveu dois pelos depois de doze anos e um dia, ela já se chama naará, e, seis meses depois de desenvolver os dois pelos, torna-se bogueret, e seu pai perde toda autoridade sobre ela. Ora, entre nós, os sinais pelos quais recebemos prova da maturidade são justamente estes sinais visíveis. E disseram “a dobra sob o seio”, isto é, no lugar do seio, cujo critério é quando, ao levar as mãos para trás, (o seio já se dobra visivelmente); e “até que a auréola escureça”; e “até que a ponta do seio, isto é, uma parte do seio, escureça”. E a halachá segue todas essas opiniões, para maior rigor: assim, sempre que aparecer um desses sinais, mesmo sem que apareça o outro, considera-se como bogueret para efeito de rigor, não de leniência. E, se ela mesma se consagrou diante de seu pai, precisa de get como bogueret; e, se foi o pai quem a consagrou, também precisa de get como naará, ainda que não apareçam nela os sinais de maturidade; e, da mesma forma, sempre que aparecer um desses sinais, seu pai já anula seus votos apenas para efeito de rigor, e ela não se casa com o sumo sacerdote.
Bartenura explica: sobre “quais são seus sinais” — refere-se ao “figo maduro” mencionado na mishná anterior. Sobre “dobra” — que os seios cresceram até se dobrarem um pouco sobre o peito, e parecem uma dobra. Sobre “desde que os seios se inclinem” — maiores do que a dobra. Sobre “a auréola” — a ponta do seio, como em “sua ponta foi retirada” (Sucá 3:6). Sobre “sobre o mamilo” — a extremidade do seio, da qual o bebê mama; e “auréola” é o que envolve essa extremidade. E todos esses sinais, quando aparecem numa mulher, ela é bogueret, cada um segundo o sábio que o formulou; e, a partir de então, seu pai não tem mais autoridade sobre ela. E a halachá segue todas essas opiniões, para maior rigor: por isso, se aparecer nela um desses sinais, julga-se que ela é bogueret para efeito de rigor, mas não de leniência — de modo que, se ela mesma se consagrou, precisa de get, pois talvez seja bogueret; e, se seu pai a consagrou, também precisa de get, pois talvez ainda seja naará — até que apareçam nela todos esses sinais juntos, e então será considerada bogueret tanto para rigor quanto para leniência.
Rashi explica: sobre “a mishná: quais são os sinais” — refere-se ao “figo maduro”. Sobre “dobra” — que seus seios cresceram até ficarem um pouco dobrados sobre o peito, e isso parece uma dobra. Sobre “desde que se inclinem” — maiores do que isso. Sobre “a auréola” — a ponta do seio. Sobre “mamilo” — a extremidade do seio da qual o bebê mama; e “auréola” é a região ao redor dessa extremidade.