Seder Tehorot · Massechet Nidá · Perek Hei · Mishná 8 de 9

Os sinais físicos da maturidade

אֵיזֶהוּ סִימָנֶיהָ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná anterior falou do "figo maduro" sem definir seu sinal concreto; esta mishná traz quatro opiniões de sábios sobre qual é exatamente o sinal físico visível que caracteriza a bogueret, a mulher que atingiu a maturidade plena

Quais são seus sinais? Rabi Yossei HaGelilí diz: desde que suba a dobra sob o seio. Rabi Akiva diz: desde que os seios se inclinem. Ben Azai diz: desde que escureça a auréola. Rabi Yossei diz: quando se coloca a mão sobre o mamilo, e ele afunda e demora a voltar.

— A mishná anterior encerrou a parábola do figo dizendo que, ao atingir o estágio de “figo maduro”, a filha deixa de estar sob a autoridade do pai — mas sem especificar qual sinal físico concreto marca essa passagem. Esta mishná preenche essa lacuna, trazendo quatro definições diferentes, propostas por quatro sábios, do sinal corporal que caracteriza a bogueret. Rabi Yossei HaGelilí situa o sinal numa dobra que se forma sob o seio, perceptível quando a mulher leva os braços para trás das costas. Rabi Akiva o situa num estágio ainda posterior, quando os próprios seios já se inclinam visivelmente sobre o peito. Ben Azai propõe um critério distinto, ligado à pigmentação: o escurecimento da auréola. E Rabi Yossei propõe um critério funcional, ligado à elasticidade do tecido: quando, ao se pressionar o mamilo com a mão, ele cede e demora a retornar à posição original. A Guemará explica que a halachá segue todas essas opiniões cumulativamente, no sentido de maior rigor: para tornar mais grave a situação de uma menor cujo pai ainda pretenda exercer autoridade sobre ela, basta que apareça um único desses sinais para que ela já seja tratada como bogueret; mas, para beneficiar essa mesma menor de uma leniência baseada em sua maturidade, exige-se a presença de todos os sinais reunidos. Esse tratamento cumulativo e cauteloso reflete o caráter geral do perek: a lei tanaítica trata a passagem da menoridade à maturidade não como um instante abrupto, mas como um processo observável e gradual, sobre o qual sábios distintos, examinando o mesmo corpo, podem legitimamente discordar quanto ao indicador mais preciso.

אֵיזֶהוּ סִימָנֶיהָ. רַבִּי יוֹסֵי הַגְּלִילִי אוֹמֵר, מִשֶּׁיַּעֲלֶה הַקֶּמֶט תַּחַת הַדָּד. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, מִשֶּׁיַּטּוּ הַדַּדִּים. בֶּן עַזַּאי אוֹמֵר, מִשֶּׁתַּשְׁחִיר הַפִּטֹּמֶת. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, כְּדֵי שֶׁיְּהֵא נוֹתֵן יָדוֹ עַל הָעֹקֶץ וְהוּא שׁוֹקֵעַ וְשׁוֹהֶה לַחֲזֹר:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Nidá 5:8

Rambam explica: “quais são seus sinais” significa qual é o sinal que indica a maturidade; e estes sinais que os Sábios listaram são sinais visíveis, que apontam para os sinais ocultos — pois já explicamos, muitas vezes, que, se ela desenvolveu dois pelos depois de doze anos e um dia, ela já se chama naará, e, seis meses depois de desenvolver os dois pelos, torna-se bogueret, e seu pai perde toda autoridade sobre ela. Ora, entre nós, os sinais pelos quais recebemos prova da maturidade são justamente estes sinais visíveis. E disseram “a dobra sob o seio”, isto é, no lugar do seio, cujo critério é quando, ao levar as mãos para trás, (o seio já se dobra visivelmente); e “até que a auréola escureça”; e “até que a ponta do seio, isto é, uma parte do seio, escureça”. E a halachá segue todas essas opiniões, para maior rigor: assim, sempre que aparecer um desses sinais, mesmo sem que apareça o outro, considera-se como bogueret para efeito de rigor, não de leniência. E, se ela mesma se consagrou diante de seu pai, precisa de get como bogueret; e, se foi o pai quem a consagrou, também precisa de get como naará, ainda que não apareçam nela os sinais de maturidade; e, da mesma forma, sempre que aparecer um desses sinais, seu pai já anula seus votos apenas para efeito de rigor, e ela não se casa com o sumo sacerdote.

Bartenura · Nidá 5:8

Bartenura explica: sobre “quais são seus sinais” — refere-se ao “figo maduro” mencionado na mishná anterior. Sobre “dobra” — que os seios cresceram até se dobrarem um pouco sobre o peito, e parecem uma dobra. Sobre “desde que os seios se inclinem” — maiores do que a dobra. Sobre “a auréola” — a ponta do seio, como em “sua ponta foi retirada” (Sucá 3:6). Sobre “sobre o mamilo” — a extremidade do seio, da qual o bebê mama; e “auréola” é o que envolve essa extremidade. E todos esses sinais, quando aparecem numa mulher, ela é bogueret, cada um segundo o sábio que o formulou; e, a partir de então, seu pai não tem mais autoridade sobre ela. E a halachá segue todas essas opiniões, para maior rigor: por isso, se aparecer nela um desses sinais, julga-se que ela é bogueret para efeito de rigor, mas não de leniência — de modo que, se ela mesma se consagrou, precisa de get, pois talvez seja bogueret; e, se seu pai a consagrou, também precisa de get, pois talvez ainda seja naará — até que apareçam nela todos esses sinais juntos, e então será considerada bogueret tanto para rigor quanto para leniência.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Nidá 47a, sobre a Guemará desta mishná
איזו היא סימנין — אַצֶּמֶל קָאֵי: קמט — שֶׁגָּדְלוּ דַּדֶּיהָ עַד שֶׁכָּפוּל מְעַט עַל הֶחָזֶה וְיֵרָאֶה כְּקֶמֶט: משיטו — גְּדוֹלִים יוֹתֵר: הפיטומת — רֹאשׁ הַדַּד, כְּמוֹ (סוכה דף לד:) נִטְּלָה פִּטְמָתוֹ: עוקץ — כְּמוֹ עוּקְצֵי הָאֲגָסִים (עוקצין פ"א מ"ו), חוּדוֹ שֶׁל דַּד שֶׁהַתִּינוֹק יוֹנֵק, וּפִטֹּמֶת הַיְנוּ סְבִיבוֹת הָעוֹקֶץ:

Rashi explica: sobre “a mishná: quais são os sinais” — refere-se ao “figo maduro”. Sobre “dobra” — que seus seios cresceram até ficarem um pouco dobrados sobre o peito, e isso parece uma dobra. Sobre “desde que se inclinem” — maiores do que isso. Sobre “a auréola” — a ponta do seio. Sobre “mamilo” — a extremidade do seio da qual o bebê mama; e “auréola” é a região ao redor dessa extremidade.