Seder Tehorot · Massechet Nidá · Perek Hei · Mishná 7 de 9

A parábola do figo: infância, juventude e maturidade

מָשָׁל מָשְׁלוּ חֲכָמִים בָּאִשָּׁה, פַּגָּה בֹּחַל וְצֶמֶל
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Uma parábola agrícola resume os três estágios da vida da mulher — menoridade, juventude e maturidade — comparando-os aos três estágios do figo; e o alcance do direito do pai sobre os achados, os ganhos e os votos da filha, até que ela amadureça

Uma parábola contaram os Sábios a respeito da mulher: figo verde, figo amadurecendo e figo maduro. Figo verde — ainda é menina. Figo amadurecendo — estes são os dias de sua juventude. Em ambos os casos, seu pai tem direito ao que ela encontra, aos seus ganhos e à anulação de seus votos. Figo maduro — assim que ela amadureceu, seu pai não tem mais autoridade sobre ela.

— Depois de tratar, nas mishnayot anteriores, dos marcos precisos que definem a capacidade física e a capacidade de discernimento, a mishná recorre agora a uma imagem da natureza para resumir, de forma memorável, as três grandes fases da vida da mulher reconhecidas pela lei tanaítica. A comparação toma como base os três estágios do amadurecimento do figo: o pagá, o fruto ainda verde e duro; o bôchal, o fruto que já começou a amadurecer; e o tzémel, o fruto plenamente maduro. O primeiro estágio, “figo verde”, corresponde à ketaná, a menina que ainda não apresenta nenhum sinal físico de puberdade. O segundo, “figo amadurecendo”, corresponde à naará, a jovem que já completou doze anos e um dia e já desenvolveu os primeiros sinais de puberdade, mas ainda não atingiu a maturidade plena. É precisamente sobre esses dois primeiros estágios — menoridade e juventude — que a mishná estabelece o alcance da autoridade paterna: o pai tem direito a qualquer objeto perdido que sua filha encontre e que não possa ser devolvido ao dono, aos frutos do trabalho e dos ganhos dela, e à prerrogativa de anular os votos que ela fizer, conforme a lei bíblica dos votos da filha na casa do pai. O terceiro estágio, “figo maduro”, corresponde à bogueret: assim que a filha atinge a maturidade física plena — cujos sinais concretos a próxima mishná definirá —, essa autoridade paterna cessa por completo. A partir desse momento, ela deixa de responder à autoridade do pai sobre seus votos, seus ganhos e seus achados, tornando-se, para esses efeitos, juridicamente independente.

מָשָׁל מָשְׁלוּ חֲכָמִים בָּאִשָּׁה. פַּגָּה, בֹּחַל וְצֶמֶל. פַּגָּה, עוֹדָהּ תִּינוֹקֶת. בֹּחַל, אֵלּוּ יְמֵי נְעוּרֶיהָ. בָּזוֹ וּבָזוֹ, אָבִיהָ זַכַּאי בִּמְצִיאָתָהּ וּבְמַעֲשֵׂה יָדֶיהָ וּבַהֲפָרַת נְדָרֶיהָ. צֶמֶל, כֵּיוָן שֶׁבָּגְרָה, שׁוּב אֵין לְאָבִיהָ רְשׁוּת בָּהּ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Nidá 5:7

Rambam explica: “pagá” é o fruto ainda verde; “bôchal” são os frutos que já se aproximaram de amadurecer; e “tzémel” é o nome dado aos frutos cujo amadurecimento já se completou — palavra composta que significa “saiu cheia”. Já explicamos os limites da menoridade, da juventude e da maturidade no terceiro capítulo de Ketubot.

Bartenura · Nidá 5:7

Bartenura explica: sobre “figo verde” — é o broto (semadar), como em “a figueira brotou seus frutos verdes” (Cântico dos Cânticos 2:13); assim é a menina que ainda não tem sinal algum, nem nos seios, nem nos pelos. Sobre “figo amadurecendo” — o fruto próximo de amadurecer; e é expressão dos sábios: “os figos, desde que começam a amadurecer, já são obrigados ao dízimo”; assim, quando ela já tem algum sinal nos seios, sabe-se que já desenvolveu dois pelos, e é naará. Sobre “figo maduro” — expressão composta de “saiu cheia”, pois ela já tem sinal evidente nos seios, e é bogueret. Sobre “em ambos os casos” — mesmo quando ela já é naará, seu pai tem direito a tudo isso, pois está escrito “em sua juventude, na casa de seu pai” (Números 30:17): todo o proveito de sua juventude pertence a seu pai.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Nidá 47a, sobre a Guemará desta mishná
מתני' פגה — סְמָדַר, כָּךְ בָּאִשָּׁה עוֹדָהּ תִּינוֹקֶת קָרוּ לָהּ פַּגָּה, כָּל זְמַן שֶׁאֵין לָהּ סִימָן לֹא בַּדַּדִּים וְלֹא בַּשְּׂעָרוֹת: בוחל — כְּשֶׁהַפְּרִי גָּדֵל קְצָת, כִּדְתָנֵי בַּגְּמָרָא הַתְּאֵנִים מִשֶּׁיַּבְחִילוּ, כָּךְ כְּשֶׁיֵּשׁ לָהּ סִימָן דַּדִּין קְצָת בְּיָדוּעַ שֶׁהֵבִיאָה שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת וְנַעֲרָה הִיא: צמל — בַּגְּמָרָא מְפָרֵשׁ לָהּ לְשׁוֹן נוֹטָרִיקוֹן, יָצְתָה מְלֵאָה, שֶׁיֶּשׁ לָהּ סִימָן מֻבְהָק בְּדַדֶּיהָ, וְהִיא בּוֹגֶרֶת: בזו ובזו — אֲפִלּוּ כְּשֶׁהִיא נַעֲרָה אָבִיהָ זַכַּאי כו', דִּכְתִיב (במדבר ל) בִּנְעֻרֶיהָ בֵּית אָבִיהָ, כָּל שְׁבַח נְעוּרֶיהָ לְאָבִיהָ:

Rashi explica: sobre “a mishná: figo verde” — é o broto; assim, na mulher, enquanto ainda é menina, chamam-na de “figo verde”, todo o tempo em que não tem sinal nem nos seios nem nos pelos. Sobre “figo amadurecendo” — quando o fruto já cresceu um pouco, como se ensina na Guemará: “os figos, desde que começam a amadurecer” — assim, quando ela já tem algum sinal nos seios, sabe-se que já desenvolveu dois pelos e é naará. Sobre “figo maduro” — a Guemará explica que é expressão composta, “saiu cheia”, pois já tem sinal evidente nos seios, e é bogueret. Sobre “em ambos os casos” — mesmo quando ela já é naará, seu pai tem direito (aos seus achados, ganhos e votos), pois está escrito: “em sua juventude, na casa de seu pai”, ensinando que todo o proveito de sua juventude pertence a seu pai.