Seder Tehorot · Massechet Machshirin · Perek Vav · Mishná 4 de 8

Os sete líquidos, e o mel da vespa

שִׁבְעָה מַשְׁקִין הֵן. הַטַּל וְהַמַּיִם, הַיַּיִן וְהַשֶּׁמֶן, וְהַדָּם, וְהֶחָלָב, וּדְבַשׁ דְּבוֹרִים. דְּבַשׁ צְרָעִים, טָהוֹר, וּמֻתָּר בַּאֲכִילָה:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Os sete líquidos que tornam apto, e o mel de vespas, puro e permitido

Sete líquidos são: o orvalho, e a água, o vinho e o azeite, e o sangue, e o leite, e o mel de abelhas. O mel de vespas é puro, e permitido para comer.

Esta breve mas fundamental mishná enumera os sete líquidos reconhecidos pela Torá como capazes de tornar os alimentos aptos a receber impureza ritual — a lista que dá nome e substância a todo o princípio do hechsher que percorre o tratado inteiro: o orvalho, a água, o vinho, o azeite, o sangue, o leite e o mel de abelhas. Como explica o Rambam, a Torá menciona explicitamente apenas a água, mas a expressão “e todo líquido que se bebe” é entendida, pela tradição do Sifrá, como abrangendo os demais seis líquidos — desde que não tenham “nome adicional” (shem levai): assim como a água chama-se simplesmente água, também o vinho, o azeite, o sangue, o mel e o leite têm nomes próprios e simples, sem qualificação — o que exclui, por exemplo, a água de amoras ou a água de romãs, que levam o nome da fruta de que provêm.

A mishná fecha com uma distinção sutil: o mel de vespas — diferente do mel de abelhas — é puro, e permitido para consumo. Embora a vespa seja um inseto impuro (sheretz ha-of), o Rambam explica que o mel não nasce do corpo da vespa ou da abelha: é o orvalho que cai sobre a planta e se mistura com sua seiva, tornando-se mel; o inseto apenas o recolhe, ingere e regurgita para o favo. Por isso, tanto o mel de abelhas quanto o de vespas seriam, em princípio, permitidos — mas a Torá precisou permitir explicitamente apenas o mel de abelhas, porque ele tem nome simples (“mel”, sem qualificação); já o mel de vespas, tendo nome composto, a mishná esclarece que também ele é puro e permitido, e não seria correto supor que, por levar o nome do inseto impuro que o produz, estivesse proibido.

שִׁבְעָה מַשְׁקִין הֵן. הַטַּל וְהַמַּיִם, הַיַּיִן וְהַשֶּׁמֶן, וְהַדָּם, וְהֶחָלָב, וּדְבַשׁ דְּבוֹרִים. דְּבַשׁ צְרָעִים, טָהוֹר, וּמֻתָּר בַּאֲכִילָה:

Fontes bíblicas · מִן הַתּוֹרָה

Vayikrá (Levítico) 11:34
מִכׇּל־הָאֹ֜כֶל אֲשֶׁ֣ר יֵאָכֵ֗ל אֲשֶׁ֨ר יָב֥וֹא עָלָ֛יו מַ֖יִם יִטְמָ֑א וְכׇל־מַשְׁקֶה֙ אֲשֶׁ֣ר יִשָּׁתֶ֔ה בְּכׇל־כְּלִ֖י יִטְמָֽא
“De todo alimento que se come, sobre o qual vier água, ele se tornará impuro; e todo líquido que se bebe, em qualquer vaso, ele se tornará impuro.”
O versículo menciona explicitamente apenas a água, mas a expressão seguinte, “e todo líquido que se bebe”, é a base, segundo o Sifrá, para incluir os demais seis líquidos enumerados nesta mishná — orvalho, vinho, azeite, sangue, mel e leite — por partilharem com a água a característica de não terem “nome adicional”, ao contrário de águas de frutas como a água de amoras ou de romãs, que ficam excluídas.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Machshirin 6:4
אָמַר הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא בְּטֻמְאַת מַשְׁקִין (ויקרא י“א ל“ד) “מִכָּל הָאֹכֶל אֲשֶׁר יֵאָכֵל אֲשֶׁר יָבֹא עָלָיו מַיִם יִטְמָא”, וְאָמְרוּ בְּסִפְרָא: אֵין לִי אֶלָּא מַיִם, הַטַּל וְהַיַּיִן וְהַשֶּׁמֶן וְהַדָּם וְהַדְּבַשׁ וְהֶחָלָב מִנַּיִן? תַּלְמוּד לוֹמַר “וְכָל מַשְׁקֶה”. אִי “וְכָל מַשְׁקֶה”, יָכוֹל מֵי תוּתִים מֵי רִמּוֹנִים וּשְׁאָר כָּל מֵי פֵרוֹת? תַּלְמוּד לוֹמַר “מַיִם”, מַה מַּיִם מְיֻחָדִים שֶׁאֵין לָהֶן שֵׁם לְוַי, אַף אֲנִי אַרְבֶּה הַטַּל וְהַיַּיִן וְהַשֶּׁמֶן וְהַדָּם וְהַדְּבַשׁ וְהֶחָלָב שֶׁאֵין לָהֶם שֵׁם לְוַי, וּמוֹצִיא אֲנִי אֶת מֵי תוּתִים וּמֵי רִמּוֹנִים וּשְׁאָר כָּל מֵי פֵרוֹת שֶׁיֵּשׁ לָהֶם שֵׁם לְוַי. וְאָמַר אַחַר כָּךְ בְּהֶכְשֵׁר זְרָעִים לְטֻמְאָה (שם) “וְכִי יֻתַּן מַיִם עַל זֶרַע”, וְאָמְרוּ בְּסִפְרָא: אֵין לִי אֶלָּא לְאַחַר הֶכְשֵׁר, מַיִם מִנַּיִן לַעֲשׂוֹת שְׁאָר מַשְׁקִין כְּמַיִם? נֶאֶמְרוּ מַיִם לְמַעְלָה, רְצוֹנִי לוֹמַר בְּטֻמְאַת מַשְׁקִין, וְנֶאֶמְרוּ מַיִם לְמַטָּה. מַה מַּיִם הָאֲמוּרִין לְמַעְלָה עָשָׂה בָהֶן שְׁאָר מַשְׁקִין כְּמַיִם, אַף מַיִם הָאֲמוּרִים לְמַטָּה נַעֲשֶׂה בָהֶם שְׁאָר הַמַּשְׁקִים כְּמַיִם. הֲרֵי שֶׁנִּתְבָּאֵר לְךָ מִכָּאן כִּי כָּל מַשְׁקֶה שֶׁאֵין לוֹ שֵׁם לְוַי מַכְשִׁיר וּמִטַּמֵּא, וְהֵם אֵלֶּה הַז’ מַשְׁקִין לְבַד אֲשֶׁר מָנָה. וְאַל תַּחְשֹׁב כִּי דְּבַשׁ דְּבוֹרִים הוּא גַּם כֵּן שֵׁם לְוַי, לְפִי שֶׁדְּבַשׁ גְּרֵידָא שְׁמוֹ וְאֵין צָרִיךְ לְוַי, אָמְנָם לְוַי בְּכָאן שֶׁל דְּבוֹרִים לַחְלֹק בֵּינוֹ וּבֵין דְּבַשׁ צְרָעִים, וְהוּא דְּבַשׁ הַצְּרָעוֹת, וְטַעַם הֱיוֹתוֹ טָהוֹר לְפִי שֶׁאֵינוֹ מִטַּמֵּא וְאֵינוֹ מַכְשִׁיר. וְאָמְרוּ “וּמֻתָּר בַּאֲכִילָה” כְּדֵי שֶׁלֹּא תַחְשֹׁב שֶׁהוּא כְּמוֹ חֲלֵב בְּהֵמָה טְמֵאָה שֶׁאֵינוֹ מֻתָּר בַּאֲכִילָה כֵּיוָן שֶׁהַצִּרְעָה הִיא מִשֶּׁרֶץ הָעוֹף. וְהַהֶפְרֵשׁ בֵּין זֶה לָזֶה פָּשׁוּט, לְפִי שֶׁהַדְּבַשׁ אֵינוֹ נוֹלָד בְּגוּף הַדְּבוֹרָה וְהַצִּרְעָה, אֲבָל הוּא טַל יָרַד עַל הַצֶּמַח וּמִתְעָרֵב בּוֹ כֹּחַ הַצֶּמַח הַהוּא וְלַחְלוּחִיתוֹ יַחְזֹר דְּבַשׁ, וְאוֹכְלִין אוֹתוֹ הַדְּבוֹרִים וְנִכְנָס לְאִצְטֻמְכָתָם, וּמַה שֶּׁיּוֹתֵר מֻבְחָר תָּקִיא אוֹתוֹ לַכַּוֶּרֶת וְתַצְפִּינֵהוּ כְּדֵי שֶׁתִּמְצָא אוֹתוֹ עֵת כְּרִיתוּת הַצְּמָחִים וַאֲפִיסָתָן בַּמִּדְבָּרוֹת. וְלֹא הֻצְרַךְ לְבָאֵר בִּדְבַשׁ דְּבוֹרִים שֶׁהוּא מֻתָּר בַּאֲכִילָה, לְפִי שֶׁכְּבָר נִתְבָּאֵר זֶה בַּפְּסוּקִים. וּבְתוֹסֶפְתָּא דְשַׁבָּת (פ”ט) אָמְרוּ: מִנַּיִן לְדָם שֶׁהוּא מַשְׁקֶה? שֶׁנֶּאֱמַר (במדבר כ“ג כ“ד) “וְדַם חֲלָלִים יִשְׁתֶּה”. מִנַּיִן לְיַיִן שֶׁהוּא מַשְׁקֶה? שֶׁנֶּאֱמַר (דברים ל“ב י“ד) “וְדַם עֵנָב תִּשְׁתֶּה חָמֶר”. מִנַּיִן לִדְבַשׁ שֶׁהוּא מַשְׁקֶה? שֶׁנֶּאֱמַר (שם) “וַיְנִיקֵהוּ דְבַשׁ מִסֶּלַע”. מִנַּיִן לְשֶׁמֶן שֶׁהוּא מַשְׁקֶה? שֶׁנֶּאֱמַר (ישעיה כ“ה ו’) “מִשְׁתֵּה שְׁמָנִים”. מִנַּיִן לְחָלָב שֶׁהוּא מַשְׁקֶה? שֶׁנֶּאֱמַר (שופטים ד’ י“ט) “וַתִּפְתַּח אֶת נֹאד הֶחָלָב וַתַּשְׁקֵהוּ”. מִנַּיִן לְטַל שֶׁהוּא מַשְׁקֶה? שֶׁנֶּאֱמַר (שם ו’) “וַיִּמֶץ טַל מִן הַגִּזָּה מְלֹא הַסֵּפֶל מָיִם”. מִנַּיִן לְדִמְעוֹת הָעַיִן שֶׁהוּא מַשְׁקֶה? שֶׁנֶּאֱמַר (תהלים פ’ ו’) “וַתַּשְׁקֵמוֹ בִּדְמָעוֹת שָׁלִישׁ”. מִנַּיִן לְמֵי הָאַף שֶׁהוּא מַשְׁקֶה? שֶׁנֶּאֱמַר (ירמיה ט’ י“ז) “וְעַפְעַפֵּינוּ יִזְּלוּ מָיִם”. וְאֵלּוּ כֻּלָּן אַסְמַכְתּוֹת, וְהָעִקָּר הֲלָכָה לְמֹשֶׁה מִסִּינַי, כְּמוֹ שֶׁבֵּאַרְנוּ פְּעָמִים רַבּוֹת בְּכַוָּנָתִי הַזֹּאת:

Disse D’us, quanto à impureza dos líquidos (Vayikrá 11:34): “de todo alimento que se come, sobre o qual vier água, ele se tornará impuro”. E disseram no Sifrá: não tenho senão a água; de onde (se aprendem) o orvalho, o vinho, o azeite, o sangue, o mel e o leite? Ensina o versículo: “e todo líquido”. Ora, se (dissesse apenas) “e todo líquido”, poderia (incluir) água de amoras, água de romãs e todas as demais águas de frutas; ensina o versículo: “água” — assim como a água é específica, sem nome adicional, também Eu incluo o orvalho, o vinho, o azeite, o sangue, o mel e o leite, que não têm nome adicional, e excluo a água de amoras, a água de romãs e todas as demais águas de frutas, que têm nome adicional.

E disse depois, quanto ao hechsher das sementes para a impureza (ali): “e se for posta água sobre a semente”. E disseram no Sifrá: não tenho senão depois do hechsher; de onde (se aprende) fazer os demais líquidos como água? Foi dita “água” acima — isto é, quanto à impureza dos líquidos — e foi dita “água” abaixo; assim como a “água” dita acima faz os demais líquidos como água, também a “água” dita abaixo faz os demais líquidos como água. Eis que já se explicou daqui que todo líquido que não tem nome adicional torna apto e se contamina, e são estes sete líquidos apenas, os que a mishná enumerou.

E não penses que “mel de abelhas” também é um nome adicional, pois seu nome é simplesmente “mel”, sem necessidade de adicional; porém o adicional aqui, “de abelhas”, serve para distingui-lo do mel de vespas, que é o mel produzido pelas vespas. E a razão de ele ser puro é que não se contamina e não torna apto; e disseram “e é permitido para comer” para que não penses que, sendo (a vespa) como o leite de um animal impuro, que não é permitido comer, o mel produzido por ela também seria proibido, já que a vespa é um réptil das aves e é impura. E a diferença entre um caso e outro é simples: pois o mel não nasce do corpo da abelha nem da vespa, mas é orvalho que desce sobre a planta e nele se mistura a força daquela planta, e sua umidade se torna mel; e as abelhas o comem, e ele entra em seu estômago, e o que há de mais seleto elas o regurgitam para a colmeia e o guardam, para que o encontrem na época em que as plantas se cortam e se esgotam nos desertos. E não foi necessário explicar, quanto ao mel de abelhas, que é permitido para comer, porque isso já se explicou nos versículos.

E na Tosefta de Shabat (cap. 9) disseram: de onde (se aprende) que o sangue é líquido? Pois está dito (Bamidbar 23:24): “e beberá o sangue dos mortos”. De onde que o vinho é líquido? Pois está dito (Devarim 32:14): “e beberás o sangue da uva, vinho puro”. De onde que o mel é líquido? Pois está dito (ali): “e o amamentou com mel da rocha”. De onde que o azeite é líquido? Pois está dito (Yeshaiáhu 25:6): “banquete de azeites”. De onde que o leite é líquido? Pois está dito (Shoftim 4:19): “e abriu o odre de leite e o deu de beber”. De onde que o orvalho é líquido? Pois está dito (ali, 6): “e espremeu o orvalho do velo, uma tigela cheia de água”. De onde que as lágrimas do olho são líquido? Pois está dito (Tehilim 80:6): “e as fizeste beber lágrimas em medida tripla”. De onde que a água do nariz é líquido? Pois está dito (Yirmiáhu 9:17): “e nossas pálpebras escorrerão água”. E todos estes são apoios (asmachtot), sendo o fundamento a halachá transmitida a Moshê no Sinai, como já explicamos muitas vezes com esta minha intenção.

Bartenura · Machshirin 6:4
שִׁבְעָה מַשְׁקִין הֵן. לְפִי שֶׁנֶּאֱמַר בְּטֻמְאַת אֳכָלִים (ויקרא יא) מִכָּל הָאֹכֶל אֲשֶׁר יֵאָכֵל אֲשֶׁר יָבֹא עָלָיו מַיִם יִטְמָא, אֵין לִי אֶלָּא מַיִם, מִנַּיִן לְרַבּוֹת הַיַּיִן וְהַשֶּׁמֶן וְהֶחָלָב וְהַדְּבַשׁ וְהַדָּם וְהַטַּל, תַּלְמוּד לוֹמַר וְכָל מַשְׁקֶה אֲשֶׁר יִשָּׁתֶה. וְאִי וְכָל מַשְׁקֶה, יָכוֹל מֵי תוּתִים מֵי רִמּוֹנִים וּשְׁאָר כָּל מֵי פֵרוֹת, תַּלְמוּד לוֹמַר מַיִם, מַה מַּיִם מְיֻחָדִים שֶׁאֵין לָהֶם שֵׁם לְוַי, אַף הַיַּיִן וְהַשֶּׁמֶן וְהֶחָלָב וְהַדְּבַשׁ וְהַדָּם וְהַטַּל שֶׁאֵין לָהֶם שֵׁם לְוַי, יָצְאוּ מֵי תוּתִים מֵי רִמּוֹנִים וּשְׁאָר כָּל מֵי פֵרוֹת שֶׁיֵּשׁ לָהֶם שֵׁם לְוַי, וּדְבַשׁ דְּבוֹרִים אֵין לוֹ שֵׁם לְוַי, דִּדְבַשׁ סְתָם אִקְּרֵי. וְעוֹד שָׁנִינוּ בַתּוֹסֶפְתָּא דְשַׁבָּת פֶּרֶק ט’, מִנַּיִן לְדָם שֶׁהוּא מַשְׁקֶה, שֶׁנֶּאֱמַר (במדבר כג) וְדַם חֲלָלִים יִשְׁתֶּה. מִנַּיִן לְיַיִן שֶׁהוּא מַשְׁקֶה, שֶׁנֶּאֱמַר (דברים לב) וְדַם עֵנָב תִּשְׁתֶּה חָמֶר. מִנַּיִן לִדְבַשׁ שֶׁהוּא מַשְׁקֶה, שֶׁנֶּאֱמַר (שם) וַיֵּנִקֵהוּ דְבַשׁ מִסֶּלַע. מִנַּיִן לְשֶׁמֶן שֶׁהוּא מַשְׁקֶה, שֶׁנֶּאֱמַר (ישעיה כה) מִשְׁתֵּה שְׁמָנִים. מִנַּיִן לְחָלָב שֶׁהוּא מַשְׁקֶה, שֶׁנֶּאֱמַר (שופטים ד) וַתִּפְתַּח אֶת נֹאוד הֶחָלָב וַתַּשְׁקֵהוּ. מִנַּיִן לְטַל שֶׁהוּא מַשְׁקֶה, שֶׁנֶּאֱמַר (שם ו) וַיִּמֶץ טַל מִן הַגִּזָּה מְלוֹא הַסֵּפֶל מָיִם. מִנַּיִן לְדִמְעוֹת הָעַיִן שֶׁהוּא מַשְׁקֶה, שֶׁנֶּאֱמַר (תהלים פ) וַתַּשְׁקֵמוֹ בִּדְמָעוֹת שָׁלִישׁ. מִנַּיִן לְמֵי הָאַף שֶׁהוּא מַשְׁקֶה, שֶׁנֶּאֱמַר (ירמיה ט) וְעַפְעַפֵּינוּ יִזְּלוּ מָיִם: דְּבַשׁ צִרְעָה טָהוֹר. דְּלָא חֲשִׁיב מַשְׁקֶה, וְאֵינוֹ מְטַמֵּא וְאֵינוֹ מַכְשִׁיר: וּמֻתָּר בַּאֲכִילָה. דְּלֹא תֵימָא הוֹאִיל וְהַצִּרְעָה שֶׁרֶץ הָעוֹף הוּא וְטָמֵא, הַדְּבַשׁ הַיּוֹצֵא מִמֶּנּוּ נַמִּי יְהֵא טָמֵא, דְּסָלְקָא דַעְתָּךְ אֲמֵינָא דְּדַוְקָא דְבַשׁ דְּבוֹרִים רַבְּיֵהּ קְרָא לְהֶתֵּרָא שֶׁאֵין לוֹ שֵׁם לְוַי, אֲבָל דְּבַשׁ צְרָעִים שֶׁיֵּשׁ לוֹ שֵׁם לְוַי לֹא יְהֵא מֻתָּר, קָא מַשְׁמַע לָן דְּבַשׁ צִרְעָה טָהוֹר וּמֻתָּר. דְּמִפְּנֵי מָה אָמְרוּ דְּבַשׁ דְּבוֹרִים מֻתָּר, מִפְּנֵי שֶׁמַּכְנִיסוֹת אוֹתָן לְגוּפָן וְאֵינָן מְמַצּוֹת אוֹתוֹ מִגּוּפָן, דְּבַשׁ צְרָעִים נַמִּי מַכְנִיסוֹת אוֹתוֹ לְגוּפָן וְאֵין מְמַצּוֹת אוֹתוֹ מִגּוּפָן:

“Sete líquidos são”: porque está dito quanto à impureza dos alimentos (Vayikrá 11): “de todo alimento que se come, sobre o qual vier água, ele se tornará impuro” — não tenho senão a água; de onde incluir o vinho, o azeite, o leite, o mel, o sangue e o orvalho? Ensina o versículo: “e todo líquido que se bebe”. Ora, se (apenas) “e todo líquido”, poderia (incluir) água de amoras, água de romãs e todas as demais águas de frutas; ensina o versículo: “água” — assim como a água é específica, sem nome adicional, também o vinho, o azeite, o leite, o mel, o sangue e o orvalho, que não têm nome adicional (se incluem); saem a água de amoras, a água de romãs e todas as demais águas de frutas, que têm nome adicional. E o mel de abelhas não tem nome adicional, pois se chama simplesmente “mel”.

E ainda ensinamos na Tosefta de Shabat, capítulo 9: de onde (se aprende) que o sangue é líquido? Pois está dito (Bamidbar 23): “e beberá o sangue dos mortos”. De onde que o vinho é líquido? Pois está dito (Devarim 32): “e beberás o sangue da uva, vinho puro”. De onde que o mel é líquido? Pois está dito (ali): “e o amamentou com mel da rocha”. De onde que o azeite é líquido? Pois está dito (Yeshaiáhu 25): “banquete de azeites”. De onde que o leite é líquido? Pois está dito (Shoftim 4): “e abriu o odre de leite e o deu de beber”. De onde que o orvalho é líquido? Pois está dito (ali, 6): “e espremeu o orvalho do velo, uma tigela cheia de água”. De onde que as lágrimas do olho são líquido? Pois está dito (Tehilim 80): “e as fizeste beber lágrimas em medida tripla”. De onde que a água do nariz é líquido? Pois está dito (Yirmiáhu 9): “e nossas pálpebras escorrerão água”.

“Mel de vespa é puro”: porque não é considerado líquido, e não se contamina e não torna apto. “E é permitido para comer”: para que não digas que, sendo a vespa um réptil das aves e impura, o mel que sai dela também seria impuro — pois poderia vir à mente dizer que só o mel de abelhas o versículo permitiu explicitamente, por não ter nome adicional, mas o mel de vespas, que tem nome adicional, não seria permitido; por isso nos ensina que o mel de vespa é puro e permitido. Pois por que disseram que o mel de abelhas é permitido? Porque elas o introduzem em seu corpo e não o espremem de seu corpo; o mel de vespas também elas o introduzem em seu corpo e não o espremem de seu corpo.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Machshirin não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.