Seder Tehorot · Massechet Machshirin · Perek Vav · Mishná 1 de 8

Os frutos no telhado, e quem não tem pensamento válido

הַמַּעֲלֶה פֵרוֹתָיו לַגַּג מִפְּנֵי הַכְּנִימָה, וְיָרַד עֲלֵיהֶם טַל, אֵינָם בְּכִי יֻתַּן. אִם נִתְכַּוֵּן לְכָךְ, הֲרֵי זֶה בְכִי יֻתַּן. הֶעֱלָן חֵרֵשׁ, שׁוֹטֶה וְקָטָן, אַף עַל פִּי שֶׁחִשַּׁב שֶׁיֵּרֵד עֲלֵיהֶן הַטַּל, אֵינָן בְּכִי יֻתַּן, שֶׁיֶּשׁ לָהֶן מַעֲשֶׂה וְאֵין לָהֶן מַחֲשָׁבָה:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Os frutos no telhado contra a traça, e por que o surdo-mudo, o insensato e o menor têm ação mas não têm pensamento

Aquele que sobe com os seus frutos ao telhado por causa da traça, e caiu sobre eles orvalho: eles não estão (no âmbito de) “quando for posto”. Se ele teve essa intenção, eis que isto está (no âmbito de) “quando for posto”. Subiu-os um surdo-mudo, um insensato ou um menor: ainda que tenha pensado que o orvalho desceria sobre eles, eles não estão (no âmbito de) “quando for posto”, pois eles têm ação, mas não têm pensamento.

Esta primeira mishná do Perek Vav abre o capítulo final do tratado com o princípio da intenção (kavaná) aplicado ao orvalho que desce espontaneamente sobre os alimentos. Quem sobe com seus frutos ao telhado para protegê-los da kenimá — um verme que se desenvolve nos grãos e frutos armazenados — e o orvalho da noite cai sobre eles sem que ele o tenha desejado, esse orvalho não é considerado “quando for posto” (bechi yutan): não torna os frutos aptos a receber impureza, pois o versículo exige que o líquido tenha sido posto com aprovação. Mas se, ao subir com os frutos, ele já tinha em mente que o orvalho cairia sobre eles — mesmo sem literalmente derramar água — essa intenção basta para tornar o contato desejado, e os frutos ficam aptos.

A mishná, porém, distingue o caso de quem tem capacidade jurídica plena daquele que não a tem: se um surdo-mudo, um insensato (shotê) ou um menor sobem com os frutos ao telhado — mesmo que, em sua mente, tenham pensado que o orvalho cairia sobre eles — esse pensamento não conta, e os frutos permanecem sem hechsher. A razão dada pela mishná é precisa: eles têm ação (ma’assê) — são capazes de executar o ato físico de subir com os frutos — mas não têm pensamento (machshavá) juridicamente válido, pois a Torá exige uma intenção plena e responsável, que esses três status não possuem.

הַמַּעֲלֶה פֵרוֹתָיו לַגַּג מִפְּנֵי הַכְּנִימָה, וְיָרַד עֲלֵיהֶם טַל, אֵינָם בְּכִי יֻתַּן. אִם נִתְכַּוֵּן לְכָךְ, הֲרֵי זֶה בְכִי יֻתַּן. הֶעֱלָן חֵרֵשׁ, שׁוֹטֶה וְקָטָן, אַף עַל פִּי שֶׁחִשַּׁב שֶׁיֵּרֵד עֲלֵיהֶן הַטַּל, אֵינָן בְּכִי יֻתַּן, שֶׁיֶּשׁ לָהֶן מַעֲשֶׂה וְאֵין לָהֶן מַחֲשָׁבָה:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Machshirin 6:1
כִּנִּימָה. הַתּוֹלָעִים הַנּוֹלָדִים בַּזְּרָעִים וּבַפֵּרוֹת, וּפֵרוּשׁ “יֶשׁ לָהֶן מַעֲשֶׂה” לְפִי שֶׁאִם שָׁפְכוּ עֲלֵיהֶם הַמַּיִם בְּכַוָּנָה הָיוּ מַכְשִׁירִין:

Kenimá”: os vermes que nascem nas sementes e nos frutos. E a explicação de “eles têm ação” é que, se derramassem sobre eles a água com intenção, tornariam apto.

Bartenura · Machshirin 6:1
הַמַּעֲלֶה פֵרוֹתָיו לַגַּג מִפְּנֵי הַכְּנִימָה. תּוֹלָעִים הַגְּדֵלִים בַּפֵּרוֹת. לְשׁוֹן וַתְּהִי הַכִּנָּם (שמות ח): אִם נִתְכַּוֵּן לְכָךְ. שֶׁחָשַׁב שֶׁיֵּרֵד עֲלֵיהֶן טַל: שֶׁיֶּשׁ לָהֶן מַעֲשֶׂה. כְּגוֹן אִם הָיוּ שׁוֹפְכִין עֲלֵיהֶן טַל בְּכַוָּנָה, הָיוּ מֻכְשָׁרִין:

“Aquele que sobe com seus frutos ao telhado por causa da kenimá: vermes que crescem nos frutos. Expressão análoga a “e havia os piolhos” (Shemot 8).

“Se teve essa intenção”: que pensou que desceria sobre eles o orvalho. “Pois eles têm ação”: por exemplo, se despejassem sobre eles orvalho com intenção, estariam tornados aptos.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Machshirin não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.