Frutas que caíram dentro de um canal de água: se alguém cujas mãos estavam impuras as estendeu e as tirou, suas mãos estão puras e as frutas estão puras. Mas se ele teve a intenção de que suas mãos fossem lavadas, suas mãos estão puras e as frutas estão sob quando for posta.
Esta mishná combina dois princípios distintos já conhecidos: por um lado, a imersão de mãos (ao contrário da imersão de todo o corpo) não exige intenção para purificar — basta o contato válido com água reunida; por outro, uma fruta só se torna apta a receber impureza quando o líquido que a toca é desejado.
Alguém com as mãos ritualmente impuras estende-as para dentro de um canal de irrigação a fim de recolher frutas que ali caíram por acaso — sua única intenção é pegá-las de volta, não lavar as mãos. Ainda assim, como a imersão de mãos não precisa de intenção, elas se purificam automaticamente pelo contato com a água. Mas, quanto às frutas, como ele não considerou aquele mergulho como um ato desejado em relação à água — só queria as frutas de volta —, elas permanecem puras, sem se tornarem aptas a receber impureza.
O segundo cenário muda apenas a intenção interior da mesma pessoa: se, ao estender a mão para pegar as frutas, ele também tinha em mente que suas mãos fossem lavadas naquele mesmo movimento — isto é, se aproveitou o gesto de erguer as frutas para, deliberadamente, lavar as mãos —, então essa água passa a ser considerada desejada. Nesse caso, as mãos continuam puras (como antes), mas agora as frutas se tornam aptas a receber impureza, pois a água que as tocou foi, afinal, buscada com aprovação — ainda que essa aprovação dissesse respeito, originalmente, apenas às mãos, e não às frutas em si.
Começa a partir desta halachá (o ensino) de que a imersão das mãos não precisa de intenção; e o Talmud já estabeleceu esta halachá a respeito de frutas de chulin. Porém, se eram frutas de maasser, ou algo mais sagrado do que maasser, não lhe é possível (purificar as mãos) a menos que tenha a intenção de purificar suas mãos, ou elas permanecerão impuras, ainda que ele as tenha imergido na água, já que não teve intenção — semelhante à imersão de todo o corpo, que precisa de intenção, como já explicamos em Chagigá.
“Suas mãos estão puras”: porque não precisamos de intenção para chulin. Mas se eram frutas de maasser, e tanto mais de terumá, suas mãos permanecem impuras como estavam, até que ele tenha a intenção de imergir suas mãos.
“E as frutas estão puras”: e não se tornaram aptas, porque ele não considerou essa queda (como desejada).
“E se foi para que suas mãos fossem lavadas”: (isto é,) teve a intenção de tirar as frutas da água — as frutas estão sob quando for posta e se tornam aptas a receber impureza a partir de então. Porque ele considerou essa queda das frutas (como um meio) para lavar suas mãos ao erguê-las, e isso se torna um líquido cujo fim é com aprovação — pois, ainda que seu início não seja com aprovação, ainda assim está sob quando for posta.