Um barril em que caiu a goteira (do telhado): Bet Shamai diz: que o quebre. Bet Hilel diz: que o esvazie (derramando). E concordam que ele pode estender sua mão e tirar frutas de dentro dele, e elas estão puras.
A mishná apresenta o primeiro de vários casos, neste perek, sobre delef — a goteira que escorre de um telhado com defeito, especialmente durante a estação das chuvas. Um barril cheio de frutas está guardado sob um telhado gotejante, e a água da goteira cai involuntariamente dentro dele. Como essa água entrou sem intenção do dono — que, ao contrário, provavelmente não deseja que suas frutas se molhem e se tornem aptas a receber impureza —, ela não torna apto por si só.
O problema surge quando o dono precisa remover essa água. Bet Shamai exige que ele quebre o barril: assim, toda a água se esvai de uma só vez, com a maior rapidez possível, sem que em nenhum momento ele a “despeje” deliberadamente de um recipiente para outro — um gesto que, segundo Bet Shamai, equivaleria a aceitar essa água com aprovação e tornaria as frutas aptas.
Bet Hilel, por sua vez, permite que ele simplesmente derrame (ye'areh) a água para fora, sem quebrar o barril — posição mais branda, que não vê nesse gesto uma aceitação voluntária capaz de tornar apto.
Apesar dessa disputa quanto ao método de esvaziamento, as duas escolas concordam num ponto prático e mais simples: o dono pode, a qualquer momento, estender a mão dentro do barril e retirar frutas individualmente, sem que isso torne aptas nem as frutas retiradas nem o restante — pois esse gesto pontual de retirar frutas não constitui, em si, uma aceitação da água ali acumulada.
Esse barril está cheio de frutas, e Bet Shamai diz que é preciso quebrar o barril, e então as frutas não se tornarão aptas, porque a água que caiu sobre elas foi sem aprovação; e, assim que ele soube (disso), deve removê-las de uma só vez, com a maior rapidez que lhe for possível. Mas se ele tirou a água de dentro dele pouco a pouco, já se deu a mistura com aprovação. E Bet Hilel diz: que ele tire de dentro dele somente a água. E disseram “e elas estão puras”, isto é, não se tornaram aptas.
“Um barril em que caiu a goteira dentro dele”: sem aprovação, e dentro dele há frutas, e ele não quer que elas se tornem aptas a receber impureza.
“Que o quebre”: porque, se ele o esvaziar (derramando), estará transferindo a água de um (recipiente) para outro com aprovação, e as frutas se tornarão aptas.
“E concordam”: Bet Shamai com Bet Hilel.
“Que ele estende sua mão etc., e elas estão puras”: isto é, não se tornaram aptas por isso.