Aquele que vira uma tigela sobre a parede para que ela seja lavada, eis que isto está sob quando for posta. Se for para que a parede não seja danificada, não está sob quando for posta.
Esta mishná, breve, apresenta um único caso, mas de importância central para o princípio do tratado: a mesma ação física — virar uma tigela contra a parede, na trajetória da água da chuva que escorre pelo telhado ou pela calha — pode ou não tornar apta a água resultante, dependendo exclusivamente da intenção de quem a realiza.
Se o propósito de virar a tigela é que a água da chuva, ao bater nela, a lave — isto é, se o dono deseja aproveitar o escoamento da água para limpar a própria tigela — então essa água é considerada desejada, e está sob “quando for posta”: qualquer alimento que ela tocar depois se torna apto a receber impureza.
Mas se o único propósito é puramente defensivo — evitar que a água da chuva, ao bater diretamente na parede, corroí a ou danifique o reboco —, então a água que escorre pela tigela não é desejada em si mesma; ela é apenas desviada, e o interesse do dono está na parede, não na água. Nesse caso, a água não torna apto.
O caso ilustra, mais uma vez, que não é o contato físico entre água e alimento que determina o hechsher, mas exclusivamente a intenção quanto àquela água específica — mesmo quando o gesto externo é idêntico.
Isto está explicado a partir do que já precedemos.