Quem asperge (com água) a sua casa e colocou nela trigo, e (o trigo) se umedeceu: se por causa da água, está sob quando for posta; e se por causa da rocha, não está sob quando for posta. Quem lava a sua roupa numa tina, colocou nela trigo, e (o trigo) se umedeceu: se por causa da água, está sob quando for posta; se por causa de si mesmos, não estão sob quando for posta. Quem umedece com areia, eis que isto está sob quando for posta. Aconteceu com os homens do distrito que costumavam umedecer com areia; disseram-lhes os sábios: se assim fazíeis, nunca preparastes pureza em vossos dias.
Quem asperge o chão de sua casa com água — prática comum para evitar que se levante poeira — e depois coloca ali trigo, que acaba ficando úmido: se a umidade veio efetivamente da água aspergida (que foi posta ali com aprovação), o trigo está sob “quando for posta”. Mas se a umidade vem apenas da própria pedra do piso — sua umidade natural, sem relação com a água que se aspergiu —, o trigo não se torna apto, pois nenhuma água foi ali posta com aprovação em contato com ele.
O mesmo raciocínio se aplica a quem lava roupa numa tina e ali coloca trigo: se a umidade vem da água da lavagem, há aptidão; se vem “de si mesmos” — isto é, do próprio calor ou aglomeração dos grãos, sem relação com a água da tina —, não há aptidão.
Já quem enterra frutas na areia para que se umedeçam age de modo diferente dos casos anteriores: como não existe areia sem alguma água em sua composição, o próprio ato de sepultar as frutas na areia já é, por definição, um ato de pôr água sobre elas com aprovação — e por isso está sempre sob “quando for posta”, sem exceção.
A mishná conclui com um episódio histórico: os moradores de um certo distrito costumavam umedecer seus grãos enterrando-os na areia, sem perceber que, com isso, tornavam seus próprios grãos aptos a receber impureza — e assim comprometiam justamente a pureza que buscavam preservar. Os sábios os repreenderam: agindo assim, jamais haviam de fato preparado alimento em pureza.
“E (o trigo) se umedeceu” — ficou úmido; e “ocultar” é ocultar na areia, para que aquela coisa oculta se umedeça; e esta é uma expressão bem conhecida entre nós. E o sentido do que disseram “por causa da rocha” é “por causa do chão”: que os grãos se umedecem pela umidade que há na própria substância do chão e na própria substância do barro.
“Quem asperge a sua casa”: borrifa nela água, para que não se levante a poeira.
“E (o trigo) se umedeceu”: tornou-se úmido. Expressão semelhante a “se o campo estava umedecido”, cujo sentido é campo úmido, no primeiro capítulo de Moed Katan (folha 6).
“Se por causa da rocha”: a rocha (existente) desde os seis dias da Criação, que é o piso da casa; e por causa dela o trigo se umedeceu.
“Quem umedece com areia”: oculta as frutas na areia para que se umedeçam, isto é, para que se tornem úmidas, pois recebem da umidade da areia.
“Eis que isto está sob quando for posta”: porque não há areia sem água.