Seder Tehorot · Massechet Machshirin · Perek Guimel · Mishná 1 de 8

O saco de frutas à beira do rio, do poço e da caverna

שַׂק שֶׁהוּא מָלֵא פֵרוֹת וּנְתָנוֹ עַל גַּב הַנָּהָר, אוֹ עַל פִּי הַבּוֹר, אוֹ עַל מַעֲלוֹת הַמְּעָרָה, וְשָׁאֲבוּ, כֹּל שֶׁשָּׁאֲבוּ, בְּכִי יֻתַּן. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, כֹּל שֶׁהוּא כְנֶגֶד הַמַּיִם, בְּכִי יֻתַּן. וְכֹל שֶׁאֵינוֹ כְנֶגֶד הַמַּיִם, אֵינוֹ בְּכִי יֻתַּן:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

O saco de frutas à beira do rio, do poço e da caverna

Um saco que está cheio de frutas, e o colocou à beira do rio, ou à boca do poço, ou nos degraus da caverna (cheia de água), e (as frutas) absorveram — tudo o que absorveu está sob quando for posta. Rabi Yehuda diz: tudo o que está em frente à água está sob quando for posta; e tudo o que não está em frente à água não está sob quando for posta.

Este perek abre com um novo grupo de casos em que o dono não colocou o saco de frutas junto à água com a intenção declarada de molhá-las — ele o deixou ali por outro motivo, à beira do rio, na boca de um poço ou sobre os degraus úmidos de uma caverna que serve de cisterna. Ainda assim, quando as frutas de fato absorvem a umidade próxima, a mishná ensina que essa absorção conta como “quando for posta”: pois, como explica Bartenura, é agradável ao dono que suas frutas absorvam água, já que isso as faz parecer mais avolumadas e infladas — e essa conveniência basta para caracterizar o contato como desejado, ainda que ele não tenha posicionado o saco visando exatamente esse resultado.

Rabi Yehuda introduz uma distinção espacial: segundo ele, apenas a parte do saco que está fisicamente voltada para a água — de frente para ela — é considerada como tendo absorvido com aprovação; a parte que não está voltada para a água, mesmo que tenha secretamente absorvido umidade por outro caminho, não se enquadra na regra, pois esse resultado não seria o esperado nem o desejável aos olhos do dono.

A lei, porém, não segue Rabi Yehuda: prevalece a primeira opinião, segundo a qual toda fruta que efetivamente absorveu água nessas circunstâncias está sob a lei de “quando for posta”, independentemente de sua posição em relação à fonte de água.

שַׂק שֶׁהוּא מָלֵא פֵרוֹת וּנְתָנוֹ עַל גַּב הַנָּהָר, אוֹ עַל פִּי הַבּוֹר, אוֹ עַל מַעֲלוֹת הַמְּעָרָה, וְשָׁאֲבוּ, כֹּל שֶׁשָּׁאֲבוּ, בְּכִי יֻתַּן. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, כֹּל שֶׁהוּא כְנֶגֶד הַמַּיִם, בְּכִי יֻתַּן. וְכֹל שֶׁאֵינוֹ כְנֶגֶד הַמַּיִם, אֵינוֹ בְּכִי יֻתַּן:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Machshirin 3:1
אמרו שק מלא פירות. ר”ל זרעים כי רוב הזרעים מושכין המים וכ”ש החטה ואין הלכה כר’ יהודה:

Disseram “um saco cheio de frutas” — isto é, sementes; pois a maioria das sementes atrai a água, e tanto mais o trigo. E não é a lei conforme Rabi Yehuda.

Bartenura · Machshirin 3:1
שַׂק שֶׁהוּא מָלֵא. מַעֲלוֹת הַמְּעָרָה. הַמְלֵאָה מַיִם: כֹּל שֶׁשָּׁאֲבוּ. הַפֵּרוֹת מִלַּחְלוּחִית הַמַּיִם, הֲרֵי זֶה בְּכִי יֻתַּן…

“Um saco que está cheio”: “os degraus da caverna” — a que está cheia de água.

“Tudo o que absorveu”: as frutas, da umidade da água — eis que isto está sob quando for posta. Pois lhe é agradável que as frutas absorvam da água, porque, por meio disso, elas parecem mais avolumadas e inchadas.

“Rabi Yehuda diz: tudo o que está em frente à água etc.”: e não é a lei conforme Rabi Yehuda.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Machshirin não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.