Encontrou nela carne, segue-se a maioria dos açougueiros. Se estava cozida, segue-se a maioria dos que comem carne cozida.
Assim como no caso do pão, quando alguém encontra carne numa cidade mista, o critério de pureza ritual não é a proporção geral da população, mas a proporção entre os açougueiros da cidade: se a maioria dos açougueiros é israelita, a carne é tratada como proveniente de abate ritual (shechitá) válido; se a maioria é gentia, é tratada como carniça (nevelá), que contamina. Se a carne já estava cozida, o critério muda mais uma vez: segue-se, então, a proporção entre os que costumam comer carne cozida.
Bartenura observa que esta regra da maioria decide também a permissão de comer a carne — a halachá não segue a opinião de Rav, que sustentava que toda carne que desapareceu de vista (isto é, que ficou fora do controle visual de quem a identificaria) é proibida, mesmo que a maioria dos açougueiros seja israelita. O Rambam, por sua vez, situa essa mesma regra de maioria apenas no plano da pureza e impureza rituais, mas mantém, quanto à permissão de comer a carne, o princípio de que toda carne desaparecida de vista é proibida, a menos que se tenha algum sinal reconhecível que a identifique com certeza.
Quer dizer: quando a maioria dos açougueiros é israelita, a carne é carne de abate ritual (shechitá); e quando são gentios, é carne de carniça (nevelá), e contamina — pois estas questões referem-se apenas à impureza e à pureza rituais. Mas, quanto à permissão de comê-la, é proibido comê-la de qualquer maneira, pois o princípio fundamental entre nós é que carne que desapareceu de vista é proibida, a menos que se tenha um sinal reconhecível (tviat ayin) que a identifique — e então será permitido comê-la depois de ter desaparecido de vista.
“Segue-se a maioria dos açougueiros”: se a maioria dos açougueiros da cidade é israelita, a carne é permitida — pois a halachá não é como Rav, que disse que carne que se perdeu de vista é proibida. E Rav interpreta a mishná (referindo-se a um caso) em que alguém ficou parado e vendo (a carne) desde o momento em que o animal foi abatido até que (a carne) caiu (em suas mãos), mas não sabia quem era o abatedor.