Uma cidade em que israelitas e gentios habitam, e havia nela um banho que aquece (funciona) em Shabat: se a maioria é de gentios, banha-se imediatamente. E se a maioria é de israelitas, aguardará o tempo necessário para que as águas quentes esquentem. Metade por metade, aguardará o tempo necessário para que as águas quentes esquentem. Rabi Yehudá diz: numa banheira pequena, se há nela autoridade, banha-se nela imediatamente.
Numa cidade onde israelitas e gentios vivem juntos, e há um banho público que é aquecido também em Shabat (o que seria proibido se feito em benefício de um israelita), a mishná estabelece o critério para saber, na saída do Shabat, se é permitido banhar-se imediatamente ou se é preciso esperar. Se a maioria dos moradores da cidade é de gentios, presume-se que o banho foi aquecido para eles, e não em benefício de um israelita transgredindo o Shabat — por isso, pode-se banhar-se imediatamente ao término do Shabat.
Se, porém, a maioria é de israelitas, teme-se que o banho tenha sido aquecido pensando neles, e por isso é preciso esperar o tempo suficiente para que as águas pudessem ter sido aquecidas de novo, do zero, após o término do Shabat — de modo que, quando o israelita finalmente se banhar, seja crível que a água foi aquecida legitimamente, após o Shabat. O mesmo vale, por rigor, quando a cidade está dividida meio a meio entre israelitas e gentios.
Rabi Yehudá acrescenta uma exceção: numa banheira pequena, alimentada por um cano estreito, havendo ali “autoridade” — ou seja, uma pessoa importante que, tendo muitos servos, faz aquecer diariamente diversas caldeiras de água de uma só vez — pode-se banhar-se ali imediatamente, mesmo que a maioria da cidade seja de israelitas, pois presume-se que a água foi aquecida por causa e em nome dessa pessoa importante, e não por causa dos israelitas comuns.
“Banheira pequena” (ambati ktaná): é um pequeno cano — em língua árabe, al-abun — por onde desce a água no banho. E quando é pequeno, e há ali um rei — pois, por causa do rei, aquecem-na todos os dias — é permitido banhar-se nela imediatamente, ainda que a maioria da cidade seja de israelitas; e a halachá não é como Rabi Yehudá. E já explicamos, em Avot (cap. 1), que o termo “reinado” ali é “autoridade” (reshut).
“Banha-se nela imediatamente”: na saída do Shabat, sem precisar aguardar o tempo necessário para que a água esquente — pois, sendo a maioria gentios, presume-se que foi aquecida com a intenção deles.
“Se há nela autoridade”: o reinado é chamado “autoridade” (reshut), porque tem o poder de agir segundo sua vontade. E não se trata necessariamente de um rei, mas de qualquer pessoa importante que tenha dez servos que lhe aqueçam, de uma só vez, dez caldeiras de água — é permitido banhar-se ali imediatamente, mesmo que a maioria da cidade seja de israelitas, pois dizemos que foi aquecida em nome dessa pessoa importante.