O suor das casas, das cisternas, das valas e das cavernas é puro. O suor do homem é puro. Se bebeu águas impuras e suou, seu suor é puro. Se entrou em águas extraídas e suou, seu suor é impuro. Se se enxugou e depois suou, seu suor é puro.
Casas construídas em lugares baixos, bem como cisternas, valas e cavernas escavadas na rocha, costumam formar umidade em suas paredes — “suam” — mesmo quando não há água alguma ali. A mishná ensina que essa umidade não é considerada um dos sete líquidos que tornam os alimentos aptos a receber impureza: mesmo que a própria água armazenada na casa fosse impura, o suor das paredes continua puro e não torna apto o que toca.
O mesmo vale para o suor do próprio corpo humano: não é considerado líquido para efeito de hechsher, e por isso é puro — mesmo que a pessoa tenha bebido água impura, pois o suor que sai do corpo não é o mesmo líquido que foi bebido, mas uma substância nova, produzida pelo próprio corpo.
Distinto é o caso de quem entra em águas extraídas (mayim she’uvim) — águas retiradas com um utensílio, e não provenientes diretamente de uma fonte ou de um curso ligado ao solo — e ali sua: sabe-se que quem mergulha a cabeça e a maior parte do corpo em águas extraídas torna-se impuro a ponto de desqualificar a teruma; por isso, quando essa pessoa sua dentro da água extraída, seu próprio suor se mistura, na superfície do corpo, com aquela água, e torna-se, ele mesmo, impuro e apto a transmitir impureza aos alimentos.
Mas se a pessoa se enxugou completamente da água extraída e só depois suou, esse novo suor já não está misturado com a água anterior, e volta a ser considerado puro suor humano, sem efeito de hechsher.
As casas situadas em lugares baixos do solo, bem como as cavernas e as fendas da rocha, costumam suar, mesmo quando ali não há água alguma. E (a mishná) nos ensinou que aquele suor não é considerado líquido (mashke) — e mesmo que o líquido da casa fosse impuro, aquele suor é puro e não torna apto. Do mesmo modo, o suor do homem não é líquido, e por isso é puro, ainda que tenha bebido líquidos (impuros), pois não são os mesmos líquidos que saíram de seu corpo.
Já explicamos, em diversas ocasiões, que quem mergulha a cabeça e a maior parte do corpo em águas extraídas torna-se impuro e desqualifica a teruma — e ainda explicaremos sua razão ao final do tratado Zavim. Por isso, quando ele entra em águas extraídas e se contamina, como mencionamos, por causa da mistura do suor com as águas extraídas que cobrem a superfície de seu corpo — quando ele se enxuga das águas extraídas e só depois sua, seu suor é puro.
“O suor das casas é puro”: não torna aptas as sementes a receber impureza.
“Seu suor é impuro”: porque provém da água — e isso é dito especificamente de quem entrou em águas extraídas; mas quem entrou em águas ligadas (a uma fonte ou nascente), que não tornam apto, não se torna impuro por seu suor — pois, ainda que agora estejam desprendidas do solo, não foram desprendidas por vontade (do seu dono).