Três pedras que se fizeram [em] duas kirot: se uma das externas se tornou impura, a [pedra] do meio, a parte que serve a impura, é impura; a parte que serve a pura, é pura. Retirou-se a pura, decretou-se a do meio para impureza. Retirou-se a impura, decretou-se a do meio para pureza. Tornaram-se impuras as duas externas: se a do meio era grande, dá-se a esta o suficiente para assentar [a panela] daqui, e a essa o suficiente para assentar [a panela] dali, e o restante é puro. E se era pequena, tudo é impuro. Retirou-se a do meio: se se pode assentar sobre elas [as duas externas] uma caldeira grande, é impura. Devolveu-a, é pura. Rebocou-a com barro, ela recebe impureza a partir do momento em que a aquecer o suficiente para cozinhar sobre ela um ovo.
Descreve-se aqui uma disposição comum de três pedras em fileira, em que a pedra do meio serve, ao mesmo tempo, de apoio a duas kirot distintas — uma formada por ela e pela pedra externa da direita, outra por ela e pela pedra externa da esquerda. Se uma das pedras externas se torna impura, apenas a metade da pedra do meio que funcionalmente serve a essa kirá contaminada torna-se impura; a outra metade, que serve à kirá ainda pura, permanece pura — pois cada kirá é considerada uma unidade funcional independente, ainda que compartilhe fisicamente a mesma pedra central. Se a pedra externa pura for então removida, a pedra do meio, que passa a servir exclusivamente à kirá impura, é decretada impura por inteiro; se, ao contrário, for removida a externa impura, a pedra do meio é decretada pura por inteiro. Caso ambas as externas se tornem impuras, o destino da pedra do meio depende de seu tamanho: se é grande o bastante para que sobre cada metade se apoie normalmente uma panela, apenas essas duas porções funcionais tornam-se impuras, e o que sobrar no centro, sem uso funcional para nenhuma das duas kirot, permanece puro; mas se é pequena, de modo que toda ela é necessária a ambas, torna-se impura por inteiro. Se a pedra do meio for removida, restando apenas as duas externas: caso ainda seja possível apoiar sobre elas uma caldeira grande — isto é, caso formem, por si só, uma kirá funcional de duas pedras, já impura por sua própria natureza, como se ensinou na primeira mishná deste capítulo —, permanecem impuras. Se a pedra do meio for devolvida ao seu lugar, a estrutura toda se torna pura, pois a devolução equivale a desfazer a kirá de duas pedras e reconstituir, do zero, uma kirá de três pedras — ainda não aquecida, portanto ainda não apta a receber impureza. E se, ao recolocá-la, o dono a reboca com barro, unindo-a de fato à terra, ela voltará a ser suscetível à impureza somente a partir do momento em que for aquecida o suficiente para cozinhar sobre ela um ovo — a mesma medida que marca o término da fabricação de uma kirá nova.
“Decretou-se” (huchletá): confirmou-se seu julgamento em definitivo — traduz-se, [em aramaico], “lechalutin” (Vayikrá 25); e por isso se chama o homem cujo julgamento por tzaraat os sacerdotes confirmaram “metzora muchlat” (leproso definitivo). E “shefitá”, expressão comum em toda a Mishná, é palavra hebraica: “shefot hassir shefot” (Yechezkel 24:3). E quando disseram “se se pode assentar sobre ela” é referência à kirá formada pelas pedras que restaram.
Disse ainda: “devolveu-a, é pura”, porque, desde o momento em que a removeu da terra, ela já foi desfeita e purificada, e não é por devolvê-la ao seu lugar que ela voltará a ser impura; mas se a uniu à terra com barro — que é o que disse “rebocou-a com barro” —, então ela se tornará impura futuramente, isto é, a kirá formada pela primeira pedra e pela pedra devolvida; e todas essas leis já se explicam pelos princípios precedentes.
Sobre “três pedras que se fizeram duas kirot”: que a pedra do meio serve tanto a esta quanto a essa. Sobre “a [pedra] do meio, a que serve a impura”: a metade da [pedra] do meio que serve a externa que é impura, é impura; e a metade que serve a externa que é pura, é pura.
Sobre “decretou-se a do meio para impureza”: e ela toda é impura. Sobre “assentar sobre elas”: sobre as duas externas.
Sobre “devolveu-a”: a [pedra] do meio. Sobre “é pura”: pois se anulou a primeira kirá, e é como se tivesse sido demolida a kirá da caldeira grande.
Sobre “recebe impureza a partir do momento em que a aquecer”: pois necessita de aquecimento, como uma kirá nova.