Duas pedras que se fizeram [em] kirá e se tornaram impuras: apoiou-se a esta uma pedra daqui, e a essa uma pedra dali — a metade desta é impura e a metade é pura, e a metade dessa é impura e a metade é pura. Retiraram-se as puras, estas retornaram à sua impureza.
Fecha o capítulo um caso que retoma, de modo inverso, o raciocínio da mishná anterior. Partimos de duas pedras que já formavam uma kirá impura — unidas com barro, como se ensinou na primeira mishná deste perek. Se, a cada uma dessas duas pedras originais, se acrescenta uma pedra nova de um dos lados externos, formam-se, na prática, três kirot lado a lado: a original, no meio, permanece impura por inteiro; e cada uma das duas pedras originais passa a servir, ao mesmo tempo, à kirá impura do meio e a uma nova kirá externa, ainda pura, formada com a pedra recém-acrescentada. Por isso, cada uma das duas pedras originais se divide funcionalmente ao meio: a metade voltada para o centro, que continua a servir à kirá impura original, permanece impura; a metade voltada para fora, que passa a servir à nova kirá externa, ainda não contaminada, torna-se pura — exatamente pelo mesmo princípio de divisão funcional da pedra do meio explicado na mishná anterior. Mas, se as duas pedras novas e puras forem removidas, desfazem-se as kirot externas, e as duas pedras originais deixam de ter qualquer parte que sirva a uma estrutura pura; elas retornam, então, à sua impureza plena e original, como no início — encerrando, assim, o conjunto de leis sobre pedras, pitputin e kirot improvisadas com que se abriu o Perek Vav.
“Duas pedras” — isto está explicado; e é porque, por ter colocado ao seu lado uma [pedra] pura, a metade dela que se volta para a pura é pura, e a metade que se volta para a impura é impura, como já precedeu; e o mesmo vale para a outra pedra, por causa da [pedra] pura que se acrescentou ao seu lado. E todas essas pedras estão rebocadas com barro, como já precedeu no início do capítulo, quando disse: “uma com barro e uma sem barro, é pura.”
Sobre “apoiou-se a esta uma pedra daqui, e a essa uma pedra dali”: e agora se formaram três kirot — a do meio é impura, e as externas são puras. Por isso, das duas pedras do meio, a metade desta e a metade dessa, do lado que dá para a pura, é pura, pois serve à pura.
Sobre “retiraram-se as puras externas”: as [pedras] do meio retornam à sua impureza como no início, e todas elas são impuras, pois já não há aqui nada que sirva à pura.
Com esta quarta mishná, encerra-se o Perek Vav de Massechet Keilim, um capítulo breve mas tecnicamente denso, dedicado a estruturas improvisadas de apoio à panela — pitputin, pregos e pedras avulsas — que complementam as leis do forno e da kirá propriamente ditos, já tratadas no Perek Hei.
O capítulo abriu (6:1) com os pitputin de barro fincados na terra, sempre impuros por serem unidos com barro; com os pregos de metal, sempre puros por equivalerem ao próprio solo; e com a kirá de duas pedras unidas com barro, impura segundo a lei aceita, mas que Rabi Yehudá considerava pura até que se lhe somasse uma terceira pedra ou o apoio de uma parede. A mishná 6:2 tratou da pedra avulsa usada junto a um forno, a uma kirá ou a um kupach — sempre impura por unir-se a um vaso suscetível —, e da mesma pedra usada junto a outra pedra, a uma rocha ou a uma parede — sempre pura, por unir-se a algo sem “demolição”; trouxe ainda os exemplos históricos da kirá dos nazireus, junto à rocha, no pátio das mulheres do Templo, e da kirá contínua dos açougueiros, em que a impureza de uma pedra não contamina as demais. A mishná 6:3 desenvolveu o caso mais elaborado do capítulo: três pedras que formam duas kirot compartilhando uma pedra central, com a divisão funcional dessa pedra entre impura e pura, as regras de sua confirmação plena para um lado ou outro, e o processo de remoção e devolução da pedra do meio, que pode exigir novo aquecimento se for rebocada com barro. E esta última mishná (6:4) fechou o capítulo com o caso inverso: duas pedras já impuras, às quais se somam, de cada lado, pedras novas e puras, dividindo cada pedra original ao meio — e a regra de que, removidas as pedras novas, as originais retornam à sua impureza plena.
O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Zayin, que continuará a explorar, com o mesmo rigor casuístico, as leis dos vasos de barro e de outros materiais — ao longo dos vinte e quatro perakim que ainda restam deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.