A cadeira da qual foram removidas duas de suas peças laterais lado a lado, Rabi Akiva declara impura, e os sábios declaram pura. Disse Rabi Yehudá: também a cadeira da noiva cujas peças laterais foram removidas e nela restou um lugar de recepção, é pura, porque se anulou o principal e se anulou o secundário.
Retomando o caso da cadeira de três painéis, esta mishná discute a hipótese em que se removem dois painéis adjacentes, lado a lado — e não um de cada lado, como antes. Rabi Akiva sustenta que ela permanece impura, pois considera vaso apto para receber impureza aquele que ainda tem função de assento; os sábios, porém, declaram-na pura, entendendo que a remoção de duas peças contíguas compromete de tal modo a estrutura que ela deixa de servir adequadamente para sentar-se. Rabi Yehudá acrescenta um princípio mais amplo, aplicado também à cadeira da noiva mencionada anteriormente: mesmo quando, após removidas as peças laterais, resta um pequeno espaço côncavo apto a receber objetos — como frutas —, isso não basta para tornar a cadeira impura sob o título de vaso de recepção. Pois a função primária da peça era servir de assento, e não de receptáculo; e, uma vez anulada essa função principal — que era o que lhe dava o estatuto de vaso —, anula-se também a função secundária de receber objetos, que nunca foi o propósito para o qual a peça foi originalmente feita.
É sabido que a cadeira é feita, na verdade, para sentar-se sobre ela, e essa é sua função principal, e é por isso que ela se torna impura por pisadela do zav. E, quando esse propósito nela se anula, ela se torna pura da impureza por pisadela pela remoção das peças laterais; e, ainda que nela reste um lugar de recepção, ela não se torna impura sob o título de vaso de recepção, quando não foi feita para ser vaso de recepção; pois já se anulou a função principal para a qual foi feita, e como poderia permanecer nela a lei do que nela se criou de novo, isto é, o fato de ser vaso de recepção? E a lei não é como Rabi Akiva, e a lei é como Rabi Yehudá, pois tudo depende das bases já estabelecidas pelos sábios no capítulo dezenove.
Sobre “duas de suas peças laterais”: dos painéis feitos para assento. Sobre “Rabi Akiva declara impura”: e a lei não é como Rabi Akiva. Sobre “e nela restou um lugar de recepção”: pois está um pouco côncava e apta para receber romãs, é pura. E não a declaramos impura por ter lugar de recepção. Sobre “porque se anulou o principal”: pois sua função principal era para assento, e não para lugar de recepção; e, uma vez que se anulou o principal, por causa do qual ela era considerada vaso, anula-se também o secundário, e não se torna impura sob o título de ter lugar de recepção. E assim é a lei, pois assim ensinamos acima, no capítulo “HaMeparek”, a respeito do mispélet, e no capítulo “Karim VeChessatot”, a respeito do odre.