A cadeira da noiva da qual foram removidas as suas peças laterais, Beit Shamai declaram impura, e Beit Hilel declaram pura. Shamai diz: também a moldura da cadeira é impura. A cadeira que se fixou numa gamela, Beit Shamai declaram impura, e Beit Hilel declaram pura. Shamai diz: também a que é feita nela.
A cadeira da noiva possuía peças salientes, como dentes, em cada lado, sobre as quais ela se apoiava. Quando essas peças são removidas, Beit Shamai sustenta que a cadeira ainda serve para sentar-se e por isso continua impura; Beit Hilel, ao contrário, entende que, sem essas peças, a cadeira já não serve à noiva — sua função específica —, e a considera como quebrada, e portanto pura. Shamai vai além: para ele, mesmo a moldura quadrada que se coloca sobre a cadeira para sentar-se, isolada, sem a cadeira e sem suas peças, já é impura por si mesma, e tanto mais a cadeira sem elas. No segundo caso, uma cadeira trazida de outro lugar e fixada dentro de uma gamela, no lugar em que normalmente se senta — sendo a gamela, por servir para amassar massa, isenta de impureza por pisadela —, Beit Shamai sustenta que a cadeira não se anula perante a gamela, permanecendo impura; Beit Hilel entende que a cadeira se anula perante a gamela e se torna pura quanto à impureza por pisadela. Shamai ainda acrescenta que mesmo a cadeira feita da própria gamela, formando com ela uma só peça, é impura por pisadela — posição na qual Beit Hilel não o acompanha.
A cadeira da noiva é a que está revestida com pedras e semelhantes, e é a isso que chamam de “chipuy” (peça de revestimento). E, quando ela é removida, a cadeira fica como se estivesse quebrada, e por isso não se torna impura por pisadela; e Beit Shamai dizem que ela é uma cadeira de madeira apta para sentar-se, e por isso é impura por pisadela, ainda que a peça tenha sido removida. Sobre “a moldura da cadeira”: é um retângulo que se coloca sobre a cadeira, e sobre ele se senta; e disse Shamai que ele se torna impuro por pisadela quando alguém se senta sobre ele. E se ninguém se sentou sobre ele sozinho, então, se fixou a cadeira numa gamela, ela é pura, e não se torna impura por pisadela, por sua ligação à gamela, que não se torna impura por pisadela, como já explicamos no capítulo vinte. E disse Shamai que mesmo que a cadeira fosse feita da própria gamela — ou seja, que se encontrasse com a gamela em uma só peça de madeira —, ela é impura por pisadela se alguém se sentou sobre ela. E a lei não é como Shamai.
Sobre “da qual foram removidas suas peças laterais”: expressão de “chapa de fechadura”, uma espécie de dentes que saem de cada lado na cadeira da noiva, feitos para que ela se apoie sobre eles. Sobre “Beit Shamai declaram impura”: pois ainda é apta para sentar-se. Sobre “e Beit Hilel declaram pura”: pois não é apta para a noiva, e se torna como se estivesse quebrada. Sobre “também a moldura da cadeira é impura”: isto é, também a moldura da cadeira, por si só, sem a cadeira e sem suas peças laterais, é impura; tanto mais a cadeira sem suas peças laterais. Moldura: forma de tijolo quadrado que se faz sobre a cadeira e sobre ele se sentam. Sobre “a cadeira que se fixou numa gamela”: trouxe uma cadeira de outro lugar e a fixou na gamela no seu lugar de assento habitual. E a gamela não é impura por pisadela, pois serve para amassar. Sobre “Beit Shamai declaram impura”: pois a cadeira não se anula perante a gamela. Sobre “e Beit Hilel declaram pura”: da impureza por pisadela, pois a cadeira se anula perante a gamela. Mas quanto à cadeira feita da própria gamela, Beit Shamai concordam com Beit Hilel que é pura. Sobre “e Shamai diz”: também a cadeira feita da própria gamela é impura por pisadela.