As partes impuras da carroça: o jugo de metal, o catrav (a travessa central), e as asas que recebem as correias, e o ferro que fica sob os pescoços dos animais, o suporte, e o machguer, e as bandejas, o badalo, e o tsinorá (gancho), e todo prego que une todos eles.
Após tratar de ferramentas isoladas, a mishná volta-se agora para um objeto composto e complexo — a carroça puxada por animais — e enumera, uma a uma, as peças de metal que a compõem e que são impuras, por serem vasos completos ou partes essenciais à sua função. O jugo de metal (não revestido) é impuro, pois todo vaso de metal simples é suscetível à impureza. O catrav é a trave que se estende sobre os pescoços dos dois animais, com o jugo em seu centro; em suas extremidades há pontas de ferro chamadas “asas”, que, quando servem para prender as correias que sustentam o jugo, são impuras, por terem função prática de vaso. O ferro colocado sob os pescoços dos animais evita que sejam estrangulados pela corda do catrav, e também é impuro. O suporte é uma espécie de argola no centro do jugo, onde se encaixa a extremidade do arado ou da própria carroça; o machguer é a estaca ou correia que impede que a carroça se deforme pelo comprimento do jugo; as bandejas são pequenos recipientes côncavos do jugo, onde se colocam pedras ou outros materiais; o badalo é o sino que produz som; e o tsinorá é o gancho que se finca na carga para que não caia. A mishná encerra com a regra geral: todo prego destinado a unir as partes da carroça é impuro, pois participa da função do vaso composto — ao contrário dos pregos puramente ornamentais, que a próxima mishná declarará puros.
A forma da carroça sobre a qual se carregam as pedras e semelhantes é conhecida e notória. E a madeira que se estende entre os dois animais que puxam a carroça chama-se “jugo”, e está unida à carroça; e se era de metal, eis que é impuro, pois os vasos simples de metal são impuros; e se era de madeira revestida, eis que é puro, pois os vasos revestidos não recebem impureza, como já explicamos.
Sobre “o catrav”: é a madeira que se estende sobre os dois pescoços dos animais, com o jugo em seu meio, e esta é sua forma. E na extremidade do catrav há duas pontas de ferro chamadas “asas”, e “asa” é a extremidade, e isso é evidente na língua hebraica, “sobre as asas de suas vestes” (Números 15:38). E se essas pontas foram feitas para inserir nelas as correias, e se prendem sobre as cabeças dos animais, eis que recebem impureza, pois são vasos; e se foram feitas para ornamento, são puras, como já explicamos, pois é metal a serviço da madeira.
Sobre “e o ferro sob os pescoços dos animais”: é um ferro que se ata ao pescoço para que não se estrangule com a corda com que se ata o catrav; mas o chumbo que se usa aos lados do pescoço é puro, pois é para ornamento.
Sobre “o suporte”: é uma estaca de ferro feita na extremidade da carroça, sobre a qual se apoiam as caudas dos animais, para que a carroça se sustente sobre ela.
Sobre “o machguer”: também é uma estaca de ferro na extremidade do jugo, para que a carroça não se deforme pelo comprimento do jugo.
Sobre “as bandejas”: são o lugar côncavo onde se colocam as pedras e semelhantes.
Sobre “o badalo”: o sino; e o “tsinorá” é o gancho que se finca na carga que está sobre a carroça, para que não caia.
Sobre “e todo prego que une todos eles”: quer dizer, todo prego que une as partes da carroça de modo que se tornem uma só, eis que é impuro; e os demais pregos da carroça que não foram feitos para unir as partes, mas apenas para ornamento, são puros.
Sobre “o jugo de metal é impuro”: pois os vasos simples de metal recebem impureza.
Sobre “catrav”: há duas madeiras, uma de cada lado do jugo, e são furadas, e insere-se nesse furo uma madeira cujo nome é catrav, e amarram-no para que o gado não escape. E o Rambam explicou que o catrav é a madeira que se estende sobre os dois lados dos animais, com o jugo em seu meio.
Sobre “e as asas”: são as duas extremidades do catrav; da expressão “sobre as asas de suas vestes”. E são de ferro.
Sobre “que recebem as correias”: isto é, se as extremidades do catrav foram feitas para receber nelas as correias, elas são impuras, pois são consideradas vaso; mas se foram feitas para ornamento, são puras, pois é metal a serviço da madeira.
Sobre “e o ferro sob os pescoços dos animais”: amarram sobre os pescoços dos animais um ferro para que não se estrangulem com a corda com que amarram o catrav.
Sobre “o suporte”: há no meio do jugo uma espécie de grande argola, na qual entra a cabeça do arado e a cabeça da carroça, e essa argola chama-se suporte.
Sobre “machguer”: uma corda que se amarra sob o pescoço do boi. E há quem leia “masguer”, e é uma estaca de ferro que se coloca na extremidade do jugo para que a carroça não se deforme pelo comprimento do jugo.
Sobre “bandejas”: como pequenas tigelas do jugo, chamadas bandejas.
Sobre “badalo”: é o ferro que chocalha dentro do sino.
Sobre “tsinorá”: gancho que se finca na carga que está sobre a carroça, para que não caia.
Sobre “e o prego que une todos eles”: quer dizer, todo prego feito para unir as partes desta carroça umas às outras. Excluindo os pregos que não são feitos para unir, mas apenas para ornamento, que estes não tornam impuro.