As partes puras da carroça: o jugo revestido, as asas feitas para ornamento, os tubos que emitem som, o chumbo ao lado dos pescoços dos animais, o sovev (aro) da roda, os tasin (lâminas finas) e os revestimentos, e todos os demais pregos — são puros. As sandálias de metal dos animais são impuras; as de cortiça são puras. A espada, desde quando recebe impureza? Desde que a poliram. E a faca? Desde que a afiaram.
Esta mishná completa a anterior, listando agora as partes da carroça que permanecem puras — seja porque o metal apenas reveste ou serve à madeira, seja porque a peça é puramente decorativa, sem função prática. O jugo revestido de metal (mas feito de madeira por dentro) é puro, ao contrário do jugo inteiramente metálico da mishná anterior; as asas do catrav, quando feitas apenas para ornamento e não para prender correias, também são puras; os tubos ocos que produzem som ao balançar são meramente decorativos; o chumbo colocado ao lado do pescoço dos animais — diferente do ferro protetor da mishná anterior — serve apenas de enfeite; o aro de ferro que envolve a roda de madeira, protegendo-a de pedras e terreno áspero, é metal a serviço da madeira; as lâminas finas e os revestimentos decorativos, e todos os pregos que não unem partes essenciais mas apenas embelezam, seguem a mesma regra. A mishná acrescenta então as sandálias que se colocam nos pés dos animais: as de metal, usadas sobretudo pelos soldados em campanha militar, são impuras como qualquer vaso de metal; as feitas de cortiça, por não serem metal, são puras. Por fim, a mishná volta a duas armas já discutidas no capítulo anterior sob outro aspecto: uma espada enferrujada só se torna suscetível à impureza quando é polida — isto é, quando se remove sua ferrugem com a lima dos ourives —, e uma faca, apenas quando é afiada na pedra de amolar, retomando assim sua utilidade como vaso completo.
Sobre “o sovev da roda”: é o ferro que circunda a roda.
Sobre “os tasin e os revestimentos”: os tasin são as lâminas finas, e os revestimentos são as cobertas, pois há lugares delas revestidos com essas lâminas para ornamento; e o essencial de tudo isso já foi explicado.
Sobre “shaam”: é junco.
Sobre “desde que a poliram”: desde que se passa óleo após o polimento, como se faz na espada; tradução de “e lavou-se, e se ungiu, e se untou, e poliu”.
Sobre “desde que a afiaram”: desde que a aguçaram; e a pedra com que se aguça a faca chama-se pedra de amolar.
Sobre “o jugo revestido”: de ferro, é puro, pois é metal que serve à madeira.
Sobre “e os tubos”: como uma espécie de tubo de cana oca, que costumam fazer de metais para emitir som.
Sobre “e o chumbo”: chumbo que se coloca ao lado do pescoço dos animais para ornamento.
Sobre “e o sovev da roda”: na roda de madeira da carroça fazem ao redor dela um ferro, para que não se quebre nos terrenos ásperos e nas pedras.
Sobre “tasin”: lâminas finas; “lâminas de ouro”, traduzimos “tasei dedavá”.
Sobre “sandálias de animais de metal são impuras”: pois são feitas para que os soldados as calcem na guerra.
Sobre “shaam”: uma espécie de junco.
Sobre “a espada, desde quando recebe impureza”: fala-se de uma espada que criou ferrugem, que é pura; e desde quando recebe impureza?
Sobre “desde que a poliram”: há um instrumento que os ourives e os ferreiros têm, chamado pelos ourives, na linguagem da Escritura, e sua tradução é “shufiná”, e com ele polem e alisam os vasos que criaram ferrugem, para remover sua ferrugem.
Sobre “desde que a afiaram”: em sua pedra de amolar, para remover sua ferrugem.