Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Yud-Bet · Mishná 5 de 8

O prego de abrir e fechar, e as três coisas de Rabi Tzadok

מַסְמֵר שֶׁהִתְקִינוֹ לִהְיוֹת פּוֹתֵחַ וְנוֹעֵל בּוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · המִשְׁנָה

O prego preparado para abrir e fechar, o de guarda, o de abrir o barril segundo Rabi Akiva, o do trocador, e o resumo das três coisas em que Rabi Tzadok declara impuro contra os sábios

O prego que preparou para com ele abrir e fechar é impuro; o feito para guarda é puro. O prego que preparou para com ele abrir o barril: Rabi Akiva declara impuro, e os sábios declaram puro, a menos que o tempere no fogo. O prego do trocador é puro — e Rabi Tzadok declara impuro. Três coisas Rabi Tzadok declara impuras, e os sábios declaram puras: o prego do trocador, a arca dos grãos moídos, e o prego da pedra das horas — Rabi Tzadok declara impuras, e os sábios declaram puras.

A quinta mishná continua a tratar de pregos com funções específicas. O prego adaptado para funcionar como fechadura — abrindo e fechando uma porta — é impuro por seu uso ativo; já o prego deixado como simples marca, para se saber se alguém entrou em determinado lugar, é puro, por não servir de ferramenta. Sobre o prego usado para arrombar barris de vinho, há disputa: Rabi Akiva o declara impuro assim que preparado para esse fim, mas os sábios exigem que primeiro seja temperado no fogo e transformado verdadeiramente em instrumento — e a lei segue os sábios. O prego fixo no poste diante da banca do trocador, usado para sustentar as venezianas da loja, é puro para os sábios, por seu uso estar ligado ao chão, mas Rabi Tzadok o declara impuro. A mishná fecha reunindo as três disputas paralelas entre Rabi Tzadok e os sábios já mencionadas nesta e na mishná anterior — o prego do trocador, a arca dos grãos moídos, e o prego da pedra das horas —, e em todas elas a lei segue os sábios.

מַסְמֵר שֶׁהִתְקִינוֹ לִהְיוֹת פּוֹתֵחַ וְנוֹעֵל בּוֹ, טָמֵא. הֶעָשׂוּי לִשְׁמִירָה, טָהוֹר. מַסְמֵר שֶׁהִתְקִינוֹ לִהְיוֹת פּוֹתֵחַ בּוֹ אֶת הֶחָבִית, רַבִּי עֲקִיבָא מְטַמֵּא. וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין, עַד שֶׁיִּצְרְפֶנּוּ. מַסְמֵר שֶׁל שֻׁלְחָנִי, טָהוֹר. וְרַבִּי צָדוֹק מְטַמֵּא. שְׁלֹשָׁה דְבָרִים רַבִּי צָדוֹק מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין. מַסְמֵר שֶׁל שֻׁלְחָנִי, וְאָרוֹן שֶׁל גָּרוֹסוֹת, וּמַסְמֵר שֶׁל אֶבֶן הַשָּׁעוֹת, רַבִּי צָדוֹק מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין:

Halachot · הַלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 12:5
העשוי לשמירה. נשאר לסימן כגון שעשאו בשער…

Sobre “o feito para guarda”: fica como sinal, por exemplo, quando o colocou no portão ou no lugar que quiser; e se o encontra deslocado do lugar em que estava, sabe que já entrou alguém naquela casa ou naquele lugar.

Sobre “a menos que o tempere”: até que o bata com o martelo e o afie, e o transforme à semelhança de um formão; e “tzoref” é o nome do artesão de metais. E os trocadores usam pregos em seus depósitos, para trancar e abrir com eles. E a lei segue os sábios em tudo.

Bartenura · Keilim 12:5
שֶׁהִתְקִינוֹ. שֶׁעִקֵּם רֹאשׁוֹ אוֹ חִדְּדוֹ…

Sobre “que preparou”: que curvou sua ponta ou a afiou, para que com ele se pudesse abrir e fechar.

Sobre “o feito para guarda”: como sinal, para ver se alguém ali entrou ou não; pois se não o encontrar como o deixou, sabe-se que alguém veio ali.

Sobre “a menos que o tempere”: no fogo, para essa finalidade. E a lei segue os sábios.

Sobre “o prego do trocador”: prego fixo no poste diante do trocador, para nele sustentar as venezianas da loja; e quando retira as venezianas, o prego fica ali. E os sábios o declaram puro, porque seu uso é com o próprio chão. E a lei segue os sábios.

Perush — os Mefarshim · הַמְפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.