O prego do sangrador é impuro; e o da pedra das horas é puro — Rabi Tzadok declara impuro. O prego do tecelão é impuro. E a arca dos grãos moídos: Rabi Tzadok declara impura, e os sábios declaram pura. Se sua carroça era de metal, é impura.
A quarta mishná volta-se para pregos e instrumentos de ofícios específicos. O prego do sangrador — o instrumento cortante com que o profissional retira sangue do paciente — é impuro por ser efetivamente usado como ferramenta. O prego cravado na pedra das horas, um relógio solar de pedra marcado com linhas indicando as horas do dia, é puro segundo a maioria dos sábios, por estar fixo ao chão como parte da construção; mas Rabi Tzadok o declara impuro. O prego comprido do tecelão, inserido na haste fina que sustenta o fio, é impuro por seu uso ativo no ofício. Já a arca de madeira onde se guardam os grãos de fába moídos, vendidos por medida, é objeto de disputa: Rabi Tzadok a considera um utensílio completo, sujeito a ser transportado para conserto, enquanto os sábios a consideram destinada a repousar no lugar, sem estatuto de utensílio móvel — e a lei segue os sábios. Mas se essa arca está assentada sobre uma carroça de metal, feita para uso efetivo, ela é impura por unanimidade.
Sobre “o prego do garã”: o bisturi do profissional que faz a sangria. E “pedra das horas”: uma pedra que se constrói na terra, e nela se traçam linhas retas, escritas sobre elas os nomes das horas; ela é circular, e no centro desse círculo há um prego erguido em ângulo reto, e conforme a sombra desse prego se inclina e coincide com uma dessas linhas, sabe-se quantas horas já passaram do dia. E este utensílio é conhecido entre os astrônomos; em árabe chama-se “al-balata”.
E “o prego do tecelão”: a lançadeira do tecelão, que é semelhante a um fio de ferro comprido e quadrado, que entra em uma haste fina e se une a essa haste do fio.
E “a arca dos grãos moídos”: arca de madeira que enchem de grãos moídos — e “gerissin” é o nome das fávas moídas, e os que as vendem são chamados “grossót”; e essa arca não tem sua feitura completa, e por isso havia dúvida entre eles, e discordaram sobre se tem sobre si a categoria de utensílio ou não. E se sob ela havia uma carroça de metal, ela se torna impura. E não é lei conforme Rabi Tzadok.
Sobre “o prego do garã”: o bisturi do profissional que faz a sangria; e chama-se “garã” porque diminui o sangue. E há quem explique: o prego dos ferreiros, que têm fixado um prego na bigorna, e quando retiram do fogo um pedaço de ferro e querem cortar dele, colocam-no sobre o prego e batem com o martelo, e ele se corta.
Sobre “a pedra das horas”: uma pedra que tem linhas com os nomes das horas escritos sobre elas, e pregos cravados nela com que se marcam as horas.
Sobre “o prego dos tecelões”: um prego comprido que o tecelão introduz numa haste fina, e liga a essa haste o fio.
Sobre “a arca dos grãos moídos”: os que fazem grãos de fáva em seu moinho têm uma espécie de arca de madeira.
Sobre “Rabi Tzadok declara impura”: essa arca, pois tem sobre si a categoria de utensílio.
Sobre “e os sábios declaram pura”: pois é utensílio de madeira feito para repousar, e não feito para ser transportado. E Rabi Tzadok considera que, às vezes, transportam-na para consertá-la. E não é lei conforme Rabi Tzadok.
Sobre “se sua carroça era”: [se a carroça] sobre a qual a arca está assentada era de metal.
Sobre “é impura”: pois está feita para uso efetivo.