Mei HaShiloach · Volume II · Parashá 5

Yitro

יִתְרוֹ
Rabi Mordechai Yosef Leiner de Izhbitz (1801–1854) · hebraico de domínio público · tradução original PT-BR

Onze parágrafos sobre a quinta parashá do Sêfer Shemot: Moshé, que compreendeu a profundidade das palavras de seu sogro melhor que o próprio Yitró; o povo como segulá, vaso de recepção para os tesouros ocultos do Eterno, e o amor sem razão aparente; as nações que, tendo perdido o livre-arbítrio, são incluídas na categoria geral de "terra"; o shofar e o Eterno como tradutor que grava as palavras da Torá nos corações de Israel, mais do que jamais gravou em nenhuma alma além de Moshé; "Anochi" e o caf que aponta a uma luz futura ainda por revelar, e a escultura proibida que seria fazer outra Torá; o segredo de "cinco e cinco" no Zohar, correspondendo lugar, tempo e alma aos Dez Mandamentos; as cinco forças da existência humana — vislumbre, pensamento, vontade, ação e fala — e sua correspondência exata aos preceitos positivos e negativos das Tábuas; as letras ausentes do versículo "Anochi" e os três estágios do convertido; o duplo Shabat, o esquecimento e o clamor de quem só compreende a Torá depois de tropeçar nela; o altar de terra, a simplicidade do coração e o amor e temor além da própria posição; e o altar que são os corações de Israel, onde subir com soberba é descer de grau — o discurso completo, hebraico e português lado a lado.

Parágrafos

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Parágrafo 1

"E ouviu Moshé a voz de seu sogro, e fez tudo o que disse" (Shemot 18:24). A razão pela qual está escrito "tudo o que disse" (kol asher amar) ao final do versículo, sendo o amar pontuado com kamatz sob o mem, é também para indicar que também Yitró não conhecia a profundidade de suas próprias palavras — até onde havia dirigido sua intenção — mas somente Moshé compreendeu suas palavras; e isto é "ka'asher amar" com kamatz: que também a Yitró as próprias palavras lhe foram ditas, e ele mesmo não compreendeu o valor de sua preciosidade.

וַיִּשְׁמַע מֹשֶׁה לְקוֹל חֹתְנוֹ וַיַּעַשׂ כֹּל אֲשֶׁר אָמָר. הַטַּעַם שֶׁנִּכְתַּב "כֹּל אֲשֶׁר אָמָר" בְּסוֹף פָּסוּק, לִהְיוֹת נָקוּד בְּקָמָץ תַּחַת הַמֵּ"ם, גַּם כֵּן לְהוֹרוֹת כִּי גַּם יִתְרוֹ לֹא הָיָה יוֹדֵעַ עוֹמֶק דְּבָרָיו עַד הֵיכָן כִּוֵּן רַק מֹשֶׁה הֵבִין דְּבָרָיו וְזֶה "כַּאֲשֶׁר אָמָר" בְּקָמָץ שֶׁלְּיִתְרוֹ גַּם כֵּן נִתְאַמְּרוּ הַדְּבָרִים, וְלֹא הֵבִין בְּעַצְמוֹ עֵרֶךְ יַקְרוּתָם.
Parágrafo 2

"E agora, se de fato ouvirdes à Minha voz e guardardes Meu pacto, sereis para Mim um tesouro precioso" (segulá) (Shemot 19:5). O assunto de segulá é um tesouro e um vaso de recepção para receber todos os tesouros ocultos dos reis; e assim disse o Eterno a Israel, que Ele os faria vaso de recepção para que pudesse depositar neles todo o bem e as bênçãos que possui, e pudessem recebê-los. E assim disse o Rav Sagrado, o Yehudi de Pshischa, sobre este versículo: que o amor do Eterno por Israel é à maneira de uma coisa de segulá, isto é, sem nenhuma razão aparente.

וְעַתָּה אִם שָׁמוֹעַ תִּשְׁמְעוּ בְּקֹלִי וּשְׁמַרְתֶּם אֶת בְּרִיתִי וִהְיִיתֶם לִי סְגֻלָּה. עִנְיַן סְגֻלָּה, הַיְינוּ אוֹצָר וּכְלִי קִבּוּל לְקַבֵּל כָּל גִּנְזֵי מְלָכִים, וְכֵן אָמַר הַש"י לְיִשְׂרָאֵל שֶׁיַּעֲשֶׂה אוֹתָם כְּלִי קִבּוּל כְּדֵי שֶׁיַּנִּיחַ בָּהֶם כָּל הַטּוֹבוֹת וְהַבְּרָכוֹת שֶׁיֵּשׁ לוֹ וְיוּכְלוּ לְקַבְּלָם, וְכֵן אָמַר הָרַב הַקָּדוֹשׁ הַיְּהוּדִי מִפְּשִׁיסְחָא עַל זֶה הַפָּסוּק, כִּי אַהֲבַת הַש"י לְיִשְׂרָאֵל הוּא בְּדֶרֶךְ דְּבַר סְגֻלָּה הַיְינוּ בְּלִי שׁוּם טַעַם.
Parágrafo 3

"Porque Minha é toda a terra" (Shemot 19:5). Eis que, segundo o contexto, deveria ter dito "porque Meus são todos os povos"; mas, depois que o Eterno escolheu Seu povo Israel para Seu quinhão, desde então Ele não tem mais nenhum trato com as nações, e tirou delas o livre-arbítrio, e não é mais possível chamá-las por um nome específico, mas elas são incluídas na categoria geral de "terra".

כִּי לִי כָּל הָאָרֶץ. וְהִנֵּה לְפִי הָעִנְיָן הָיָה צָרִיךְ לוֹמַר כִּי לִי כָּל הָעַמִּים, רַק אַחֲרֵי אֲשֶׁר בָּחַר הַש"י אֶת עַמּוֹ יִשְׂרָאֵל לְחֶלְקוֹ מֵאָז אֵין לוֹ שׁוּם עֵסֶק עִם הָאֻמּוֹת וְנָטַל מֵהֶם הַבְּחִירָה וְלֹא יִתָּכֵן לִקְרוֹא לָהֶם שֵׁם מְיֻחָד רַק הֵם נִכְלָלִים בִּכְלַל אֶרֶץ.
Parágrafo 4

"E era a voz do shofar" etc., "Moshé falava e Deus lhe respondia com voz" (Shemot 19:16–19). E se aprende disto no tratado Berachot (45a): "daqui, que o tradutor não deve levantar sua voz mais do que quem lê" — pois está dito "e Deus" etc. E isto é surpreendente; veja Tossafot e o Rif, que questionaram, pois disto parece o contrário. E o assunto nisto é que, na verdade, Moshé dizia os Dez Mandamentos a Israel, mas, na raiz da questão, o que gravou as palavras da Torá nos corações de Israel foi do Eterno, que gravava no coração de cada um segundo Sua vontade, bendito seja. E este é o assunto de que o Eterno, por assim dizer, é chamado "tradutor" — isto é, depois que os Dez Mandamentos saíram da boca de Moshé a Israel, o Santo, bendito seja, voltava e os gravava em seus corações; e isto é "que o tradutor não levante sua voz" etc., porque, na verdade, estava no poder do Santo, bendito seja, gravar as palavras da Torá em seus corações segundo Seu poder, bendito seja, mais do que o poder de Moshé, nosso mestre, que a paz esteja sobre ele; mas está escrito "e não se levantou mais profeta em Israel como Moshé", e é que o Eterno não iluminou nenhuma alma mais do que a Moshé, nosso mestre, que a paz esteja sobre ele. E isto é "que o tradutor não levante sua voz mais" etc. — isto é, mais do que os graus de Moshé, nosso mestre, que a paz esteja sobre ele.

וַיְהִי קוֹל הַשּׁוֹפָר כוּ', מֹשֶׁה יְדַבֵּר וְהָאֱלֹקִים יַעֲנֶנּוּ בְקוֹל. וְנִלְמַד מִזֶּה בְּמַסֶּכֶת בְּרָכוֹת [מ"ה.] מִכָּאן שֶׁלֹּא יַגְבִּיהַּ הַמְתֻרְגְּמָן אֶת קוֹלוֹ יוֹתֵר מֵהַמְבָרֵךְ שֶׁנֶּאֱמַר "וְהָאֱלֹקִים" כוּ'. וְהוּא תָּמוּהַּ עַיֵּין תּוֹסָפוֹת וְרִי"ף שֶׁהִקְשׁוּ כִּי מִזֶּה נִרְאֶה לְהֵיפֶךְ. וְהָעִנְיָן בָּזֶה כִּי בֶּאֱמֶת מֹשֶׁה הָיָה אוֹמֵר עֲשֶׂרֶת הַדִּבְּרוֹת לְיִשְׂרָאֵל אַךְ בְּשֹׁרֶשׁ הַדָּבָר שֶׁיֵּחָקְקוּ הַדִּבְרֵי תּוֹרָה בְּלִבּוֹת יִשְׂרָאֵל זֶה הָיָה מֵאֵת הַש"י שֶׁהָיָה חוֹקֵק בְּלֵב כָּל אֶחָד וְאֶחָד כְּפִי רְצוֹנוֹ יִתְבָּרַךְ. וְזֶה הָעִנְיָן אֲשֶׁר הַש"י כִּבְיָכוֹל נִקְרָא מְתֻרְגְּמָן, הַיְנוּ אַחַר שֶׁיָּצְאוּ עֲשֶׂרֶת הַדִּבְּרוֹת מִפִּי מֹשֶׁה לְיִשְׂרָאֵל חָזַר הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא וְחָקַק אוֹתָם בְּלִבָּם, וְזֶהוּ שֶׁלֹּא יַגְבִּיהַּ הַמְתֻרְגְּמָן אֶת קוֹלוֹ כוּ', כִּי בֶּאֱמֶת הָיָה בִּיכֹלֶת הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא לַחֲקוֹק הַדִּבְרֵי תּוֹרָה בְּלִבָּם כְּפִי כֹּחוֹ יִתְבָּרַךְ, יוֹתֵר מִכֹּחַ מֹשֶׁה רַבֵּינוּ עָלָיו הַשָּׁלוֹם, אַךְ כְּתִיב "וְלֹא קָם עוֹד נָבִיא בְּיִשְׂרָאֵל כְּמֹשֶׁה", וְהוּא שֶׁלֹּא הֵאִיר הַש"י לְשׁוּם נֶפֶשׁ יוֹתֵר מִלְּמֹשֶׁה רַבֵּינוּ עָלָיו הַשָּׁלוֹם. וְזֶהוּ שֶׁלֹּא יַגְבִּיהַּ הַמְתֻרְגְּמָן אֶת קוֹלוֹ יוֹתֵר כוּ' הַיְינוּ יוֹתֵר מִמַּדְרֵגוֹת מֹשֶׁה רַבֵּינוּ עָלָיו הַשָּׁלוֹם.
Parágrafo 5

"Anochi Hashem Elokecha — Eu sou o Eterno teu Deus" (Shemot 20:2). Não está dito "Ani", pois se estivesse escrito "Ani", o sentido seria que o Santo, bendito seja, revelou então a Israel toda a Sua luz em plenitude, e não poderiam depois aprofundar-se em Suas palavras, porque já teria revelado tudo; mas o caf indica que não é em plenitude, mas apenas semelhança e imagem da luz que o Santo, bendito seja, revelará no futuro; e tudo o que o homem alcançar de maior profundidade nas palavras da Torá, verá que até agora estava na escuridão. E a isto aludem o dia e a noite: o dia é quando o Nome, bendito seja, abre os portões da sabedoria ao homem; e a noite é para que o homem não imagine que alcançou tudo em plenitude, pois tudo o que alcançou é como noite diante do dia que vem depois dele, e assim para sempre; e, por consequência, tudo é noite diante da luz que o Santo, bendito seja, abrirá no futuro. E por isto se justapõe o dito "não farás para ti escultura" (pêssel); e está no Zohar Sagrado (Shemot 87b) que, porque está escrito "talha para ti" (pessol lechá), por isso se diz "não farás para ti escultura" — não faças para ti outra Torá. E o assunto nisto é que a palavra pêssel é algo cortado em medida e ritmo, e em completude, sem que falte coisa alguma no mundo; e isto não se encontra senão na Torá de Moshé, nosso mestre, que a paz esteja sobre ele; mas, com o intelecto humano, não é possível corrigir algo assim em completude absoluta, como se relata na Guemará (Rut Rabá 3:2), que disse o César a Rabi Yehoshua ben Chananiá: "também eu posso fazer uma Torá como a de Moshé", e decretou que não acendessem fogo por três dias; e, no meio disto, viu fumaça saindo de uma casa, e responderam ao César que um certo ministro havia adoecido e foi necessário permitir-lhe o fogo. E, na verdade, também entre nós a lei, segundo nossa Torá sagrada, é que o perigo de vida afasta o Shabat; mas a diferença é que quem profana o Shabat por perigo de vida não se opõe à Torá sagrada, porque também nisto fomos ordenados que o perigo de vida afasta o Shabat. E assim, em todo lugar em que é "tempo de agir para o Eterno", está aludido o mandamento de "anularam Tua Torá"; e por isso a Torá inclui todas as vicissitudes que hão de ocorrer, e sua luz abrange todos os modos e toda a formação possível de se formar, e isto não está no poder de nenhum homem fazer. E isto é o que explica o Zohar Sagrado sobre "não farás para ti escultura" — isto é, nos preceitos positivos — e "nem imagem alguma" — nos preceitos negativos — porque nada é revelado ao homem até seu fim último.

אָנֹכִי ה' אֱלֹקֶיךָ. וְלֹא נֶאֱמַר אֲנִי, כִּי אִילּוּ הָיָה כְּתִיב אֲנִי, הָיָה מַשְׁמַע שֶׁגִּילָּה אָז הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא לְיִשְׂרָאֵל אֶת כָּל אוֹרוֹ בִּשְׁלֵימוּת וְלֹא יוּכְלוּ אַחַר כָּךְ לְהַעֲמִיק בִּדְבָרָיו, כִּי כְּבָר גִּילָּה הַכֹּל, אַךְ הַכַּ"ף מוֹרֶה שֶׁאֵינוֹ בִּשְׁלֵימוּת וְרַק דְּמוּת וְדִמְיוֹן הוּא לְהָאוֹר שֶׁיְּגַלֶּה הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא לֶעָתִיד, וְכָל מַה שֶּׁיַּשִּׂיג הָאָדָם יוֹתֵר עַמְקוּת בְּדִבְרֵי תּוֹרָה יִרְאֶה שֶׁעַד עַכְשָׁיו הָיָה בַּחוֹשֶׁךְ. וְעַל זֶה מְרַמֵּז הַיּוֹם וְהַלַּיְלָה, הַיּוֹם הַיְינוּ שֶׁהַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ פּוֹתֵחַ שַׁעֲרֵי הַחָכְמָה לָאָדָם וְהַלַּיְלָה הַיְינוּ שֶׁלֹּא יְדַמֶּה הָאָדָם שֶׁהִשִּׂיג הַכֹּל בִּשְׁלֵימוּת, כִּי כָּל מַה שֶּׁהִשִּׂיג הוּא כְּלַיְלָה נֶגֶד הַיּוֹם הַבָּא אַחֲרָיו וְכֵן לְעוֹלָם, וּמִמֵּילָא הַכֹּל הוּא לַיְלָה נֶגֶד הָאוֹר שֶׁיִּפְתַּח הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא לֶעָתִיד. וְזֶה שֶׁנִּסְמַךְ מַאֲמַר "לֹא תַעֲשֶׂה לְךָ פֶסֶל" וְאִיתָא בַּזוה"ק (שמות פ"ז:) מִשּׁוּם דִּכְתִיב "פְּסָל לְךָ" עַל כֵּן נֶאֱמַר "לֹא תַעֲשֶׂה לְךָ פֶסֶל" וְלֹא תַעֲבֵיד לָךְ אוֹרַיְיתָא אוֹחֲרָא. וְהָעִנְיָן בָּזֶה כִּי מִלַּת פֶּסֶל הוּא דָּבָר מְחוּתָּךְ בְּמִדָּה וְקֶצֶב וּבְהַשְׁלָמָה בְּלִי חֶסְרוֹן שׁוּם דָּבָר בָּעוֹלָם וְזֹאת אֵינוֹ נִמְצָא רַק בְּתוֹרַת מֹשֶׁה רַבֵּינוּ עָלָיו הַשָּׁלוֹם, אֲבָל בְּשֵׂכֶל אֱנוֹשִׁי אֵין בָּאֶפְשָׁר לְתַקֵּן דָּבָר כָּזֶה בִּשְׁלֵימוּת הַגָּמוּר, כְּמוֹ דְּאִיתָא בַּגְּמָ' [רות רבה פרשה ג',ב'] שֶׁאָמַר לֵיהּ קֵיסָר לְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן חֲנַנְיָא גַּם אֲנִי יָכוֹל לַעֲשׂוֹת תּוֹרָה כְּמֹשֶׁה וְגָזַר שֶׁלֹּא יְבַעֲרוּ אֵשׁ ג' יָמִים וּבְתוֹךְ כֵּן רָאָה עָשָׁן יוֹצֵא מִבַּיִת אֶחָד וְהֵשִׁיב לוֹ הַקֵּיסָר כִּי שַׂר אֶחָד חָלָה וְהוּכְרַח לְהַתִּיר לוֹ. וְהָאֻמְנָם כִּי גַּם אֶצְלֵינוּ הַדִּין עַל פִּי תּוֹרָתֵנוּ הַקְּדוֹשָׁה כִּי פִּקּוּחַ נֶפֶשׁ דּוֹחֶה שַׁבָּת, אַךְ הַחִילּוּק כִּי הַמְחַלֵּל שַׁבָּת עַל פִּי פִּקּוּחַ נֶפֶשׁ אֵינוֹ מִתְנַגֵּד לַתּוֹרָה הַקְּדוֹשָׁה, כִּי גַּם זֹאת נִצְטַוֵּינוּ שֶׁפִּקּוּחַ נֶפֶשׁ יִדְחֶה שַׁבָּת. וְכֵן בְּכָל מָקוֹם שֶׁהוּא "עֵת לַעֲשׂוֹת לַה'" נִרְמַז הַצִּיווּי שֶׁל "הֵפֵרוּ תּוֹרָתֶךָ" וְלָכֵן הַתּוֹרָה כּוֹלֶלֶת כָּל הַרְפַּתְקָאוֹת שֶׁיַּעַבְרוּ, וְאוֹרָהּ מַקִּיף כָּל הָאוֹפַנִּים וְכָל הַהִתְהַוּוּת שֶׁאֶפְשָׁר לְהִתְהַוּוֹת, וְזֶה אֵין בְּכֹחַ שׁוּם אָדָם לַעֲשׂוֹת, וְזֶה שֶׁמְּפָרֵשׁ בַּזוה"ק עַל "לֹא תַעֲשֶׂה לְךָ פֶסֶל" הַיְינוּ בְּמִצְוֹת עֲשֵׂה, "וְכָל תְּמוּנָה" הוּא בְּמִצְוֹת לֹא תַעֲשֶׂה, כִּי לֹא נִגְלָה לָאָדָם שׁוּם דָּבָר עַד תַּכְלִיתוֹ.
Parágrafo 6

"Anochi Hashem Elokecha — Eu sou o Eterno teu Deus" (Shemot 20:2). No Zohar Sagrado está dito: "e a árvore da vida está no segredo de cinco e cinco" — e este é também o assunto nos Dez Mandamentos. "Anochi" é a fonte da vida; "Hashem" (o Tetragrama) é guevurá (força), que dá existência a tudo; "Elokecha" (teu Deus) é o atributo de verdade com que o Eterno conduz Seu mundo; "que te tirei da terra do Egito" — que saibas que, mesmo quando te sobrevier alguma dor, longe esteja, não te irarás contra o Eterno; "da casa da escravidão" — que não estejas submerso no bem-estar. E também depois disto está dito que não imagines que estas coisas que te disse são fáceis de fazer; não é assim, pois isto requer grandes depurações. E, correspondendo um ao outro, está dito: "não terás" corresponde a "Anochi" — que não penses que existe alguma tonalidade de vida, longe esteja, fora Dele. "Outros" corresponde a "Hashem", isto é, tonalidade de guevurá. "Diante de Mim" corresponde a "Elokecha", isto é, tonalidade de verdade, mas apenas superficial, não da verdade verdadeira. "Não farás para ti escultura nem imagem alguma" corresponde a "que te tirei da terra do Egito". "Da casa da escravidão" corresponde a "que está nos céus acima" etc., porque céus, terra e mares são as principais estruturas da construção do mundo; e também se encontram no mundo o desejo e a honra, pois o ciúme está incluído nestes dois, porque é destes que Ele tem ciúme; e estes também são cinco, correspondendo aos cinco mencionados acima. "Não te prostrarás diante deles" — que não sejas subjugado sob eles. "E não os servirás" — que não queiras dominar sobre eles. E há três graus: mundo, ano, alma; e, correspondendo a cada um, há o segredo de cinco. Correspondendo ao mundo, que é lugar, é o que dissemos até aqui. E correspondendo ao ano, isto é, o tempo, também está no segredo de cinco e cinco: Pêssach corresponde a "Anochi"; Shavuot corresponde a "Hashem"; Sucot corresponde a "Elokecha"; Rosh HaShaná e Yom Kipur correspondem a "Deus zeloso" (E-l kaná) — o nome E-l indica sabedoria, e kaná significa ira, isto é, que Sua ira está na sabedoria. Alma, isto é, pessoa, também tem o segredo de cinco, que são: "pais e filhos, terceira e quarta geração, e milésima geração". Eis que tudo está no segredo de cinco e cinco, e entenda, pois é profundo.

אָנֹכִי ה' אֱלֹקֶיךָ. בַּזוה"ק אִיתָא וְעֵץ הַחַיִּים הוּא בְּרָזָא דְּחָמֵשׁ חָמֵשׁ, וְזֶה גַּם כֵּן הָעִנְיָן בַּעֲשֶׂרֶת הַדִּבְּרוֹת, "אָנֹכִי" הוּא מְקוֹר הַחַיִּים, "ה'" הַיְינוּ גְּבוּרָה וְהוּא הַמְהַוֶּה כֹל, "אֱלֹקֶיךָ" הַיְינוּ מִדַּת אֱמֶת אֲשֶׁר הַש"י מַנְהִיג בָּהּ אֶת עוֹלָמוֹ, "אֲשֶׁר הוֹצֵאתִיךָ מֵאֶרֶץ מִצְרַיִם" הַיְינוּ שֶׁתֵּדַע אַף בְּעֵת שֶׁיִּהְיֶה לְךָ אֵיזֶה צַעַר חָלִילָה לֹא תִקְצֹף נֶגֶד הַש"י, "מִבֵּית עֲבָדִים" הַיְינוּ שֶׁלֹּא תִּהְיֶה מְשׁוּקָּע בְּהַטּוֹבָה, וְגַם אַחַר זֶה נֶאֱמַר שֶׁאַל תְּדַמֶּה כִּי הַדְּבָרִים הָאֵלּוּ שֶׁאָמַרְתִּי לְךָ בְּנָקֵל הֵם לַעֲשׂוֹתָם, לֹא כֵן כִּי צָרִיךְ לָזֶה בֵּירוּרִים גְּדוֹלִים, וְזֶה נֶגֶד זֶה נֶאֱמַר, "לֹא יִהְיֶה לְךָ" הוּא נֶגֶד "אָנֹכִי" שֶׁלֹּא תַחְשׁוֹב כִּי נִמְצָא גָּוֶון חַיִּים חָלִילָה חוּץ מִמֶּנּוּ. "אֲחֵרִים" הוּא נֶגֶד "ה'", הַיְינוּ גָּוֶון גְּבוּרָה. "עַל פָּנַי", הוּא נֶגֶד "אֱלֹקֶיךָ" דְּהַיְינוּ גָּוֶון אֱמֶת וְהוּא רַק לְפָנִים לֹא מִן הָאֱמֶת הָאֲמִיתִּי. "לֹא תַעֲשֶׂה לְךָ פֶסֶל וְכָל תְּמוּנָה", הוּא נֶגֶד "אֲשֶׁר הוֹצֵאתִיךָ מֵאֶרֶץ מִצְרַיִם". "מִבֵּית עֲבָדִים", הוּא נֶגֶד "אֲשֶׁר בַּשָּׁמַיִם מִמַּעַל" וְכוּ', כִּי שָׁמַיִם וָאָרֶץ וְיַמִּים הֵם עִיקַּר בִּנְיַן הָעוֹלָם, וְגַם נִמְצָא בָּעוֹלָם תַּאֲוָה וְכָבוֹד, כִּי קִנְאָה הוּא נִכְלָל בְּאֵלּוּ הַשְּׁנַיִם כִּי לְאֵלּוּ הוּא מְקַנֵּא, וְהֵם גַּם כֵּן חָמֵשׁ כְּנֶגֶד הֶחָמֵשׁ הָאֲמוּרִים לְמַעְלָה. "לֹא תִשְׁתַּחֲוֶה לָהֶם", הַיְינוּ שֶׁלֹּא תִּהְיֶה כָּפוּף תַּחְתָּם. "וְלֹא תָעָבְדֵם", הַיְינוּ שֶׁלֹּא תִּרְצֶה לִהְיוֹת מוֹשֵׁל עֲלֵיהֶם. וְיֵשׁ ג' מַדְרֵגוֹת, עוֹלָם שָׁנָה נֶפֶשׁ, וּכְנֶגֶד כָּל אֶחָד יֵשׁ רָזָא דְּחָמֵשׁ, כְּנֶגֶד עוֹלָם וְהוּא מָקוֹם, הוּא מַה שֶּׁדִּבַּרְנוּ עַד כָּאן. וּכְנֶגֶד שָׁנָה הַיְינוּ זְמַן הוּא גַּם כֵּן בְּרָזָא דְּחָמֵשׁ חָמֵשׁ הַיְינוּ פֶּסַח הוּא נֶגֶד "אָנֹכִי", שָׁבוּעוֹת הוּא נֶגֶד "ה'", סֻכּוֹת הוּא נֶגֶד "אֱלֹקֶיךָ", רֹאשׁ הַשָּׁנָה וְיוֹם הַכִּפּוּרִים הֵם נֶגֶד "אֵל קַנָּא" שֵׁם אֵל מוֹרֶה עַל חָכְמָה, קַנָּא פֵּירוּשׁ כַּעַס הַיְינוּ שֶׁכַּעֲסוֹ הוּא בְּחָכְמָה. נֶפֶשׁ הַיְינוּ אָדָם יֵשׁ גַּם כֵּן רָזָא דְּחָמֵשׁ וְהֵם, אָבוֹת וּבָנִים שִׁלֵּשִׁים רִבֵּעִים וְלַאֲלָפִים. הֲרֵי הַכֹּל בְּרָזָא דְּחָמֵשׁ חָמֵשׁ וְהָבֵן כִּי עָמוֹק הוּא.
Parágrafo 7

"Anochi Hashem Elokecha — Eu sou o Eterno teu Deus" (Shemot 20:2). Eis que, na existência do homem, encontram-se cinco forças, que são: vislumbre (hirhur), pensamento, vontade, ação e fala. Se a ação vem ao homem nesta ordem — que primeiro vem em vislumbre, e depois desce a pensamento e a vontade — então pode estar seguro de que esta ação é da vontade do Eterno e brota da fonte da vida; mas, se vem ao homem nesta outra ordem — que primeiro vem vontade ao coração, e depois desce a pensamento — então esta ação precisa de depurações, porque talvez a própria origem do brotar da vontade tenha nascido nele de algum contato com o desejo deste mundo. E eis que, correspondendo a estas cinco forças, foram dados os Dez Mandamentos, para depurar estas cinco, porque também os Dez Mandamentos se dividem em cinco contra cinco, cada nível cinco, correspondendo aos preceitos positivos e negativos. "Anochi" corresponde ao vislumbre, porque, enquanto a coisa está em vislumbre, não há nele conhecimento algum, mas apenas como quem tem desejo de fazer algo e ainda não sabe o que fará; e até as crianças pequenas, que não têm ainda entendimento, têm vislumbre; e quando o homem dorme, também há vislumbre, mas sem consciência nem apreensão pelo intelecto. E, correspondendo a isto, foi a fala "Anochi", correspondendo aos preceitos positivos, porque "Anochi" inclui todos os preceitos positivos da Torá, nos quais habita a vontade do Eterno; porque, nos preceitos negativos, que são afastar-se do mal, o homem tem apreensão pelo intelecto, mas os preceitos positivos, que são o próprio lugar do Nome, bendito seja, não têm relação com nenhuma apreensão nem intelecto do homem. Depois está dito "não terás" — isto é, que não penses que há outra existência, longe esteja, no mundo além de Mim — e isto corresponde ao pensamento. "Não tomarás o nome" etc. — isto é, que não rejeites nada no mundo, considerando-o em vão, porque em toda coisa que o Nome, bendito seja, criou, há uma centelha de santidade, apenas que há nela interioridade e exterioridade, e deves saber depurar o bem do mal; e este versículo também corresponde ao pensamento, e são dois versículos: um correspondendo ao preceito positivo do pensamento, e o segundo correspondendo ao preceito negativo do pensamento. "Lembra-te" e "honra" correspondem à ação; "não matarás" e "não adulterarás" correspondem à vontade. E o motivo pelo qual está escrito que a ação precede a vontade é que, se, longe esteja, o homem pecar em ação, ele deve primeiro investigar e atribuir isto ao pensamento, isto é, à raiz de sua vida, e precisa fazer teshuvá para curar sua raiz, e não deve atribuir a falta à vontade, porque a vontade pode ter sido introduzida nele por outros. "Não furtarás" e "não responderás" (não darás falso testemunho) correspondem à fala, pois a necessidade da fala é apenas para ligar-se ao próximo, que, para si mesmo, não há necessidade alguma de fala; e a Torá está em todos os mundos, e acima deste mundo. A explicação de "não furtarás" é que não impeças as palavras de Torá de seu discípulo (Sanhedrin 91b), e isto se aplica até mesmo aos anjos, como está escrito "e recebem uns dos outros"; porque também entre os anjos há graus, e quem está num grau mais elevado tem mais vigor do que quem é menor do que ele; e por isto o menor tem mais temor, por isso "recebem uns dos outros". E "não responderás" (falso testemunho) é o oposto de "não furtarás", que é não multiplicar palavras; por isso estes dois correspondem ao positivo e ao negativo da fala. "Não cobiçarás" é o preceito negativo do vislumbre, e pertence a "Anochi"; mas, se o homem tivesse alcançado a plena depuração do vislumbre, não precisaria depurar-se nos demais graus; por isso não se pôde escrever junto a "Anochi" o preceito negativo do vislumbre, mas somente depois que se depuram o pensamento, a vontade, a ação e a fala, então sai o vislumbre depurado, e por isso foi escrito por último.

אָנֹכִי ה' אֱלֹקֶיךָ. הִנֵּה בִּמְצִיאוּת הָאָדָם נִמְצָא ה' כֹּחוֹת וְהֵם, הִרְהוּר, מַחְשָׁבָה, רָצוֹן, מַעֲשֶׂה, דִּבּוּר. אִם הַמַּעֲשֶׂה בָּא לָאָדָם כַּסֵּדֶר הַזֶּה שֶׁמִּתְּחִלָּה בָּא בְּהִרְהוּר, וְאַחַר כָּךְ יָרְדָה לְמַחְשָׁבָה וּלְרָצוֹן, אָז יְהֵא בָּטוּחַ שֶׁהַמַּעֲשֶׂה הַזּוֹ הוּא מֵרְצוֹן הַש"י וְנִצְמַח מִמְּקוֹר הַחַיִּים, אַךְ אִם בָּא לָאָדָם הַסֵּדֶר הַזֶּה, שֶׁמִּתְּחִלָּה בָּא רָצוֹן לַלֵּב וְאַחַר כָּךְ יָרְדָה לְמַחְשָׁבָה אָז צָרִיךְ הַמַּעֲשֶׂה הַזּוֹ בֵּרוּרִין, כִּי אוּלַי גּוּף צְמִיחַת הָרָצוֹן נוֹלַד בּוֹ מֵאֵיזֶה נְגִיעָה מֵחֶמְדַּת עוֹלָם הַזֶּה. וְהִנֵּה נֶגֶד אֵלּוּ ה' כֹּחוֹת נִתְּנוּ עֲשֶׂרֶת הַדִּבְּרוֹת לְבָרֵר אֵלּוּ הַה', כִּי גַּם עֲשֶׂרֶת הַדִּבְּרוֹת נֶחְלְקוּ לְחָמֵשׁ נֶגֶד חָמֵשׁ לְכָל דַּרְגָּא חָמֵשׁ, נֶגֶד מִצְוֹת עֲשֵׂה וְלֹא תַעֲשֶׂה. "אָנֹכִי" הוּא נֶגֶד הִרְהוּר כִּי בְּעוֹד הַדָּבָר בְּהִרְהוּר, אֵין לוֹ יְדִיעָה כְּלָל רַק כְּמִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ חֵשֶׁק לַעֲשׂוֹת מַה וְאֵינוֹ יוֹדֵעַ עֲדַיִן מַה יַּעֲשֶׂה, וְאַף לִקְטַנִּים שֶׁאֵינָם בְּנֵי דֵעָה יֵשׁ לָהֶם הִרְהוּר וּבְעֵת שֶׁהָאָדָם יָשֵׁן גַּם כֵּן יֵשׁ הִרְהוּר רַק בְּלִי הַכָּרָה וּתְפִיסָה בְּשֵׂכֶל וְנֶגֶד זֶה הָיָה הַדִּבּוּר "אָנֹכִי" נֶגֶד מִצְוֹת עֲשֵׂה, כִּי "אָנֹכִי" כּוֹלֵל כָּל הַמִּצְוֹת עֲשֵׂה שֶׁל תּוֹרָה שֶׁרְצוֹן ה' שׁוֹכֵן בְּתוֹכָם, כִּי בְּמִצְוֹת לֹא תַעֲשֶׂה שֶׁהֵם סוּר מֵרָע יֵשׁ לָאָדָם תְּפִיסָה בַּשֵּׂכֶל, אֲבָל מִצְוֹת עֲשֵׂה שֶׁהוּא מְקוֹם הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ אֵין שַׁיָּכוּת לָאָדָם שׁוּם תְּפִיסָה וְשֵׂכֶל בּוֹ. אַחַר כָּךְ נֶאֱמַר "לֹא יִהְיֶה לְךָ" הַיְנוּ שֶׁלֹּא תַחְשֹׁב שֶׁיֵּשׁ הֲוָיָה אַחֶרֶת חַס וְשָׁלוֹם בָּעוֹלָם חוּץ מִמֶּנִּי, וְזֶה נֶגֶד הַמַּחֲשָׁבָה. "לֹא תִשָּׂא אֶת שֵׁם" וכו' הַיְנוּ שֶׁלֹּא תִּדְחֶה לְשׁוּם דָּבָר בָּעוֹלָם לְחָשְׁבוֹ לְחִנָּם, כִּי יֵשׁ בְּכָל דָּבָר שֶׁבָּרָא הַשֵּׁם יִתְבָּרַךְ נִיצוֹץ קְדֻשָּׁה רַק יֵשׁ בּוֹ פְּנִימִיּוּת וְחִיצוֹנִיּוּת וְתֵדַע לְבָרֵר הַטּוֹב מִן הָרַע, וְהַפָּסוּק הַזֶּה גַּם כֵּן נֶגֶד הַמַּחְשָׁבָה וְהֵם שְׁנֵי פְּסוּקִים אֶחָד נֶגֶד מִצְוַת עֲשֵׂה שֶׁל הַמַּחְשָׁבָה וְהַשֵּׁנִי נֶגֶד לֹא תַעֲשֶׂה שֶׁל הַמַּחְשָׁבָה. "זָכוֹר" וְ"כַבֵּד" נֶגֶד הַמַּעֲשֶׂה, "לֹא תִרְצָח" וְ"לֹא תִנְאָף" נֶגֶד הָרָצוֹן, וּמַה שֶּׁכָּתוּב הַמַּעֲשֶׂה קֹדֶם לָרָצוֹן, כִּי בְּאִם חַס וְשָׁלוֹם יֶחֱטָא הָאָדָם בְּמַעֲשֶׂה יַקְדִּים לַחְקֹר וְלִתְלוֹת בַּמַּחְשָׁבָה וְהַיְנוּ בְּשֹׁרֶשׁ הַחַיִּים שֶׁלּוֹ וְצָרִיךְ לַעֲשׂוֹת תְּשׁוּבָה לְרַפֵּא אֶת שָׁרְשׁוֹ וְלֹא יִתְלֶה הַחֶסְרוֹן בְּהָרָצוֹן, כִּי הָרָצוֹן יוּכַל לִהְיוֹת שֶׁאֲחֵרִים הִכְנִיסוּ לוֹ. "לֹא תִגְנֹב" וְ"לֹא תַעֲנֶה" הֵם נֶגֶד הַדִּבּוּר שֶׁהִצְטָרְכוּת הַדִּבּוּר הוּא רַק לְהִתְחַבְּרוּת לְזוּלָתוֹ שֶׁלְּעַצְמוֹ אֵין צֹרֶךְ בְּהַדִּבּוּר כְּלָל, וְהַתּוֹרָה הִיא בְּכָל הָעוֹלָמוֹת, וּלְמַעְלָה מִזֶּה הָעוֹלָם, פֵּרוּשׁ "לֹא תִגְנֹב" הַיְנוּ שֶׁלֹּא תִמְנַע דִּבְרֵי תּוֹרָה מִן תַּלְמִידוֹ (סנהדרין צ"א:) וְזֶה שַׁיָּךְ אַף בַּמַּלְאָכִים כְּמוֹ שֶׁכָּתוּב "וּמְקַבְּלִין דֵּין מִן דֵּין", כִּי בַּמַּלְאָכִים יֵשׁ גַּם כֵּן מַדְרֵגוֹת וּמִי שֶׁהוּא בְּמַדְרֵגָה גְּבוֹהָה יֵשׁ לוֹ תַּקּוּפוּת יוֹתֵר מִמִּי שֶׁהוּא קָטָן מִמֶּנּוּ. וְלָזֶה הַקָּטָן יֵשׁ לוֹ יִרְאָה יוֹתֵר עַל כֵּן מְקַבְּלִין דֵּין מִן דֵּין, וְ"לֹא תַעֲנֶה" הוּא לְהֵפֶךְ מִ"לֹּא תִגְנֹב" שֶׁלֹּא לְהַרְבּוֹת דְּבָרִים עַל כֵּן אֵלּוּ הַב' הֵם נֶגֶד הָעֲשֵׂה וְלֹא תַעֲשֶׂה שֶׁבַּדִּבּוּר. "לֹא תַחְמֹד" הוּא הַלֹּא תַעֲשֶׂה שֶׁבְּהִרְהוּר וְשַׁיָּךְ אֵצֶל "אָנֹכִי", אַךְ שֶׁאִם הָיָה הָאָדָם נִשְׁלָם בְּבֵרוּר הַהִרְהוּר בִּשְׁלֵמוּת לֹא הָיָה צָרִיךְ לְהִתְבָּרֵר בִּשְׁאָר הַמַּדְרֵגוֹת, עַל כֵּן לֹא יוּכַל לִכְתֹּב אֵצֶל "אָנֹכִי" הַלֹּא תַעֲשֶׂה שֶׁל הִרְהוּר רַק אַחַר שֶׁמִּתְבָּרֵר בְּמַחְשָׁבָה וְרָצוֹן וּמַעֲשֶׂה וְדִבּוּר אָז יֵצֵא הַהִרְהוּר מְבֹרָר וּלְכָךְ נִכְתַּב בָּאַחֲרוֹנָה.
Parágrafo 8

No versículo "Anochi" encontram-se todas as letras do alfabeto, exceto as letras guimel-zayin (guez), chet-tet (chet) e samech-pê-kuf (safek). Guez indica o início, em que o homem aceita sobre si o jugo da Torá, como o convertido que, ao vir a converter-se, precisa diminuir todos os seus prazeres e cuidar-se até no detalhe das palavras dos escribas — e isto é guez, expressão de tosquia. E depois chet — isto é, que precisa de vigilância na observância dos preceitos, para não pecar. E depois safek — isto é, que precisa encontrar-se nele temor quanto ao que está oculto em seu coração.

בְּפָסוּק "אָנֹכִי" נִמְצְאוּ כָּל הָאוֹתִיּוֹת חוּץ מֵאוֹתִיּוֹת ג"ז ח"ט ס"פ"ק. ג"ז מוֹרֶה עַל הַהַתְחָלָה שֶׁהָאָדָם מְקַבֵּל עָלָיו עוֹל תּוֹרָה כְּמוֹ גֵּר שֶׁבָּא לְהִתְגַּיֵּר צָרִיךְ לְמַעֵט כָּל הֲנָאוֹתָיו וּלְהִזָּהֵר אַף בְּדִקְדּוּק מִדִּבְרֵי סוֹפְרִים וְזֶהוּ גֵּז לְשׁוֹן גְּזִיזָה. וְאַחַר כָּךְ ח"ט הַיְנוּ שֶׁצָּרִיךְ שְׁמִירָה עַל קִיּוּם הַמִּצְוֹת מִבְּלִי לַחֲטֹא. וְאַחַר כָּךְ ספ"ק הַיְנוּ שֶׁצָּרִיךְ שֶׁיִּמָּצֵא בּוֹ יִרְאָה בְּנִסְתָּרוֹת לִבּוֹ.
Parágrafo 9

"Lembra-te do dia de Shabat para santificá-lo" etc., "e o sétimo dia é Shabat para o Eterno teu Deus" (Shemot 20:8–10). O assunto de que aqui se diz duas vezes Shabat é porque todos os seiscentos e treze preceitos são chamados Shabat, como está no Zohar Sagrado (Shemot 88b): "o que é Shabat? Um nome do Santo, bendito seja". E isto é: quando vem ao homem o desejo de fazer a vontade do Eterno, o que ordenou fazer, e de cuidar-se do que ordenou não fazer, e quando ele toma isto a peito, está dito "lembra-te do dia de Shabat" etc.; e depois, quando vem ao homem esquecimento e ocultamento da vontade do Eterno, e ele faz o que faz, está dito "seis dias" etc. — isto é, quando se afasta do dia de Shabat e esquece, longe esteja, o Eterno, vem de novo o dia de Shabat e faz voltar, e coloca em seu coração para ver o que fez; e, por meio disto, vem o grande clamor a seu coração, e diz: "o que fiz?" — pois o homem só compreende as palavras da Torá depois de haver tropeçado nela (Guitin 43a). E então o Eterno lhe dá o conselho, que são os sacrifícios que expiam; e isto é o que se diz depois disto: "honra a teu pai" etc. — isto é, que não atribuas tua falta ao nascimento, purificando-te a ti mesmo e não precisando de sacrifícios, mas antes atribuas a falta a ti mesmo e tragas sacrifícios, e serás perdoado; e isto é "honra a teu pai".

זָכוֹר אֶת יוֹם הַשַּׁבָּת לְקַדְּשׁוֹ כוּ' וְיוֹם הַשְּׁבִיעִי שַׁבָּת לַה' אֱלֹקֶיךָ. הָעִנְיָן שֶׁנֶּאֱמַר כָּאן שְׁנֵי פְּעָמִים שַׁבָּת, כִּי כָל הַתַּרְיַ"ג מִצְוֹת נִקְרָאִים שַׁבָּת כִּדְאִיתָא בַּזוה"ק (שמות פ"ח:) "מַאי שַׁבָּת שְׁמָא דְקֻדְשָׁא בְּרִיךְ הוּא". וְהַיְנוּ כְּשֶׁבָּא לָאָדָם חֵשֶׁק לַעֲשׂוֹת רְצוֹן הַש"י מַה שֶּׁצִּוָּה לַעֲשׂוֹת וּלְהִזָּהֵר מִמַּה שֶּׁצִּוָּה שֶׁלֹּא לַעֲשׂוֹת וְכַאֲשֶׁר נָתַן זֹאת אֶל לִבּוֹ נֶאֱמַר "זָכוֹר אֶת יוֹם הַשַּׁבָּת" כוּ', וְאַחַר כָּךְ כְּשֶׁבָּא לָאָדָם שִׁכְחָה וְהַעֲלָמָה מֵרְצוֹן הַש"י וְעָשָׂה מַה שֶּׁעָשָׂה נֶאֱמַר "שֵׁשֶׁת יָמִים" וְכוּ'. הַיְנוּ כְּשֶׁמִּתְרַחֵק מִן יוֹם הַשַּׁבָּת וְשׁוֹכֵחַ ח"ו אֶת ה', בָּא עוֹד יוֹם הַשַּׁבָּת וּמַחְזִיר וְנוֹתֵן אֶל לִבּוֹ לִרְאוֹת מַה שֶּׁעָשָׂה וְעַל יְדֵי זֶה בָּא הַצְּעָקָה גְּדוֹלָה לְלִבּוֹ וְאָמַר מֶה עָשִׂיתִי, וְאֵין אָדָם עוֹמֵד עַל דִּבְרֵי תּוֹרָה אֶלָּא אִם כֵּן נִכְשַׁל בָּהּ, (גיטין מ"ג.) וְאָז נוֹתֵן לוֹ הַש"י עֵצָה לָזֶה הַקָּרְבָּנוֹת שֶׁמְּכַפְּרִין וְזֶה שֶׁנֶּאֱמַר אַחַר זֶה "כַּבֵּד אֶת אָבִיךָ" וְכוּ'. הַיְנוּ שֶׁלֹּא תִתְלֶה הַחֶסְרוֹן שֶׁלְּךָ בַּהוֹלָדָה וּתְנַקֶּה עַצְמְךָ וְלֹא תִצְטָרֵךְ לְקָרְבָּנוֹת, רַק תִּתְלֶה הַחֶסְרוֹן בְּךָ וְתָבִיא קָרְבָּנוֹת וִיכֻפַּר לְךָ, וְהַיְנוּ "כַּבֵּד אֶת אָבִיךָ".
Parágrafo 10

"Não fareis Comigo deuses de prata, e deuses de ouro não" etc., "altar de terra Me farás" etc., "em todo lugar em que Eu fizer lembrar Meu nome, virei a ti e te abençoarei" (Shemot 20:20). "Deuses de prata" é uma tonalidade de amor e entusiasmo além do que convém à tua posição, porque não há companheirismo perante os céus, e o Eterno só ama o homem quando a verdade está com ele. "E deuses de ouro" é uma tonalidade de temor além do que convém à tua posição. Mas "altar de terra Me farás" — terra (adamá) indica simplicidade, tal como está em teu coração. "Em todo lugar em que Eu fizer lembrar" etc. — azkir (farei lembrar) vem da expressão de depuração (berur), isto é: em todo lugar em que Eu depurar que o início de teu ponto no coração foi para o nome dos céus, então imediatamente enviarei bênção, "e te abençoarei".

לֹא תַעֲשׂוּן אִתִּי אֱלֹהֵי כֶסֶף וֵאלֹהֵי זָהָב לֹא כוּ' מִזְבַּח אֲדָמָה תַּעֲשֶׂה לִּי כוּ' בְּכָל הַמָּקוֹם אֲשֶׁר אַזְכִּיר אֶת שְׁמִי אָבוֹא אֵלֶיךָ וּבֵרַכְתִּיךָ. "אֱלֹהֵי כֶסֶף" הַיְינוּ גָּוֶון אַהֲבָה וְהִתְלַהֲבוּת יוֹתֵר מִכְּפִי מַעֲמָדְךָ כִּי אֵין חַבְרוּתָא כְּלַפֵּי שְׁמַיָּא וְאֵין הַש"י מְאַהֵב אֶת הָאָדָם רַק אִם הָאֱמֶת אִתּוֹ, "וֵאלֹהֵי זָהָב" הַיְינוּ גָּוֶון יִרְאָה יוֹתֵר מִכְּפִי מַעֲמָדְךָ, רַק "מִזְבַּח אֲדָמָה תַּעֲשֶׂה לִּי", אֲדָמָה הַיְינוּ פְּשִׁיטוּת כְּמוֹ שֶׁהוּא בִּלְבָבְךָ. "בְּכָל הַמָּקוֹם אֲשֶׁר אַזְכִּיר" כוּ', אַזְכִּיר הוּא מִלְּשׁוֹן בֵּירֵר הַיְינוּ בְּכָל מָקוֹם שֶׁאֲנִי אֲבָרֵר שֶׁהָיְתָה הַתְחָלַת הַנְּקֻדָּה שֶׁלְּךָ בַּלֵּב לְשֵׁם שָׁמַיִם, אָז תֵּיכֶף אֶשְׁלַח לְךָ בְּרָכָה וּבֵרַכְתִּיךָ.
Parágrafo 11

"E não subirás por degraus a Meu altar, para que não se descubra" etc. (Shemot 20:23). Todos os corações de Israel são chamados "Meu altar", e isto é "não subirás" etc. — isto é, que não te engrandeças sobre nenhuma alma de Israel; e isto é o que diz "para que não se descubra tua nudez sobre ele" — isto é, que não venhas, por meio disto, à vergonha; porque, se te engrandeceres sobre alguém, no final descerás a um grau abaixo dele, e ele subirá a teu lugar — como está na Guemará (Meguilá 16b) sobre Mordechai, que no início era contado o quinto, e depois o sexto.

וְלֹא תַעֲלֶה בְמַעֲלֹת עַל מִזְבְּחִי אֲשֶׁר לֹא תִגָּלֶה כוּ'. כָּל הַלְּבָבוֹת שֶׁל יִשְׂרָאֵל נִקְרָאִים "מִזְבְּחִי", וְזֶהוּ "לֹא תַעֲלֶה" כוּ', הַיְינוּ שֶׁלֹּא תִּתְגָּאֶה עַל שׁוּם נֶפֶשׁ מִיִּשְׂרָאֵל, וְזֶהוּ אָמְרוֹ "אֲשֶׁר לֹא תִגָּלֶה עֶרְוָתְךָ עָלָיו" הַיְינוּ שֶׁלֹּא תָבוֹא עַל יְדֵי זֶה לִידֵי בּוּשָׁה שֶׁאִם תִּתְגָּאֶה עַל שׁוּם אֶחָד אָז סוֹפְךָ שֶׁתֵּרֵד מַדְרֵגָה לְמַטָּה הֵימֶנּוּ וְהוּא יַעֲלֶה עַל מְקוֹמְךָ, כְּמוֹ דְּאִיתָא בַּגְּמָרָא (מגילה ט"ז:) עַל מָרְדֳּכַי שֶׁבַּתְּחִילָּה הָיָה נִמְנֶה בַּחֲמִישִׁי וְאַחַר כָּךְ בַּשִּׁשִּׁי.