Terceira e última halachá do Perek Tet de Massechet Terumot — capítulo com três halachot no total. A Mishná traz que quem capina junto com o gentio em hortaliças bulbosas (chissiot — como o luf, o alho, as cebolas e os alhos-porós), ainda que seus frutos sejam tevel (não dizimado), pode comer deles ocasionalmente (aray, um petisco casual, não uma refeição fixa). Traz também que mudas de teruma que se tornaram impuras — se as plantou — tornam-se puras, de modo a não transmitir impureza, mas permanecem proibidas de comer até que se remova o que é comestível; Rabi Yehudá diz: até que se remova e se repita a remoção. A guemará, em nome de Rabi Yochanan, explica que a Mishná segue a opinião de Rabi Shimon, e discute por que, sendo assim, não bastaria dizer "com regularidade" em vez de apenas "ocasionalmente" — respondendo que Rabi Shimon concorda que se deve separar os dízimos por norma prática. Traz o ensinamento de que quem capina com o samaritano é permitido quanto ao demai, mas não quanto ao que é certamente não dizimado, pois o demai se anula quando ligado ao solo. Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan, ensina que mudas de teruma impuras podem ser plantadas e o novo crescimento torna-se teruma — mas não se já eram teruma desde o princípio —, e o mesmo vale para a água que se tornou impura, quanto à água da festa, e para figos e uvas impuros, quanto a serem espremidos e feitos teruma. Rabi Zeira e Rabi Yassa, em nome de Rabi Elazar, discutem a medida de espremer menos que duas azeitonas para que o vinho sirva até para libações, e a suposta discordância de Rabi Shimon ben Lakish. E fecha com Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan, explicando que assim deve ser entendida a Mishná: até que o dono remova as folhas e repita. Massechet Terumot tem onze perakim; o Perek Tet tem três halachot ao todo. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Tet de Massechet Terumot.
Mishná: Quem capina junto com o gentio em hortaliças bulbosas (chissiot), ainda que seus frutos sejam tevel, come deles ocasionalmente.
Mudas de teruma que se tornaram impuras — se as plantou, tornam-se puras, de modo a não transmitir impureza, mas ficam proibidas de comer até que se remova o que é comestível. Rabi Yehudá diz: até que se remova e se repita.
Halachá: Disse Rav Chiya bar Ashi, em nome de Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: isso é segundo Rabi Shimon (que sustenta que os bens dos gentios na Terra estão isentos de teruma e dízimos). Se é segundo Rabi Shimon, por que preciso de "ocasionalmente"? Mesmo com regularidade (deveria ser permitido)! Mas, porque disse Rabi Yirmeya — Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan: Rabi Shimon concorda que ele separa seus dízimos por norma prática (halachá le-maase, ainda que não por obrigação bíblica) — por isso precisamos dizer que (a Mishná) é segundo Rabi Shimon.
Foi ensinado: quem capina com o samaritano (kuti) é permitido quanto ao demai (produto suspeito de não ter sido dizimado). Logo, quanto ao que é certamente não dizimado, não (é permitido). Por quê? Porque o demai se anula quando ligado ao solo, e o crescimento do que é proibido (com certeza) não o eleva (não o torna permitido pela mesma razão).
Disse Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: mudas de teruma que se tornaram impuras — ele as planta, e o crescimento as torna teruma; mas se eram teruma desde o princípio (já impuras antes de ser plantadas), já foram rejeitadas (e não podem mais ser reabilitadas por meio do plantio).
Disse Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: água que se tornou impura — ele a faz tocar (numa fonte pura, pelo método da hashaká), e ela se torna água da festa (mei chag, usada para a libação de água em Sucot); mas se já era água da festa desde o princípio, já foi rejeitada.
Disse Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: figos e uvas que se tornaram impuros — ele os espreme, e o suco os torna teruma; mas se já eram teruma desde o princípio, já foram rejeitados.
Rabi Zeira, Rabi Yassa, em nome de Rabi Elazar: que os esprema até menos que o volume de duas azeitonas, e seu vinho é apto mesmo para libações. Disseram: Rabi Shimon ben Lakish discorda. Qual a diferença — seja para leniência, seja para rigor (em que ponto ele discorda)? Se dizes que é para leniência, está bem (compreensível, pois ele não aceita que o suco espremido seja considerado alimento novo); se dizes que é para rigor, não ensinamos: "até que se remova o que é comestível"?
Disse Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: assim se entende a Mishná (a opinião de Rabi Yehudá, "até que se remova e se repita"): até que o dono remova as folhas e repita a remoção.
Esta é a terceira e última halachá do Perek Tet de Massechet Terumot. A Mishná traz que quem capina junto com o gentio em hortaliças bulbosas pode comer delas ocasionalmente, ainda que sejam tevel; e que mudas de teruma que se tornaram impuras, se plantadas, tornam-se puras para não transmitir impureza, mas permanecem proibidas de comer até que se remova o comestível — segundo Rabi Yehudá, até que se remova e se repita.
A guemará explica que a Mishná segue Rabi Shimon, quanto à isenção dos bens dos gentios; discute o caso de quem capina com o samaritano, permitido quanto ao demai mas não quanto ao certamente não dizimado; traz os ensinamentos de Rabi Abahu em nome de Rabi Yochanan sobre mudas de teruma, água da festa e figos e uvas impuros que podem ser replantados ou espremidos e assim reabilitados — salvo se já eram teruma ou água da festa desde o princípio; discute a medida de espremer menos que duas azeitonas segundo Rabi Zeira e Rabi Yassa, e a suposta discordância de Rabi Shimon ben Lakish; e fecha com Rabi Abahu explicando a Mishná segundo Rabi Yehudá. Não foi identificado paralelo temático genuíno e verificado com o Talmud Bavli, Massechet Shabat, para esta sugya.
Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Tet de Massechet Terumot.