Primeira halachá do Perek Tet de Massechet Terumot — capítulo com três halachot no total. A Mishná traz quem semeia teruma (a porção da colheita devida ao cohen): se por engano, que seja arado; se de propósito, que se mantenha; e se a nova plantação já atingiu um terço de sua maturação, seja por engano seja de propósito, que se mantenha — mas o linho, se semeado de propósito, que seja arado. Essa nova plantação está sujeita a leket, shichechá e peá (as porções deixadas para os pobres na colheita), com os pobres de Israel vendendo as suas aos pobres cohanim pelo valor da teruma; Rabi Tarfon diz que só os pobres cohanim devem colher, para não se esquecerem e a porem na boca, e Rabi Akiva responde que, se assim é, só os puros deveriam colher. Está também sujeita ao dízimo e ao dízimo do pobre. Por fim, a Mishná traz quem malha o grão, que é louvável, e quem debulha, que deve pendurar cestos com forragem ao pescoço do animal, para não o amordaçar nem alimentá-lo com teruma. A guemará discute por que a lei parece inverter o esperado e a multa imposta a quem semeia de propósito; a pergunta de Rabi Shmuel bar Avudaimi sobre a confiabilidade de quem alega ter agido de propósito; a pergunta de Rabi Binyamin bar Gidul sobre a teruma de vícia e a de fora da Terra; quando a santidade recai sobre a planta ainda presa ao solo; a multa sobre o linho, para que não se lucre com os caules; a pergunta de Rabi Yosei sobre gavelas trocadas; o caso da esposa do am haaretz que mói junto com a esposa do chaver; as cebolas de primeiro e de segundo dízimo replantadas; a vícia pendurada ao pescoço do animal, em nome de Rabi Shimon; a distinção entre amolecer leguminosas e debulhar grão; a discussão de Rabi Aba bar Mamal sobre as lentilhas que perderam sua seiva; e fecha com a pergunta de Rabi Akiva a Rabi Shimon ben Yochai sobre amordaçar o animal do lado de fora e trazê-lo para dentro, e o ensinamento de Rabi Ezra de que não se deve debulhar com um boi amordaçado. Massechet Terumot tem onze perakim; o Perek Tet tem três halachot ao todo.
Mishná: Quem semeia teruma por engano — que seja arado; e se de propósito — que se mantenha. E se já atingiu um terço de sua maturação, seja por engano seja de propósito — que se mantenha. Mas com linho, se de propósito — que seja arado.
E está sujeita a leket, a shichechá e a peá (as porções deixadas para os pobres na colheita); os pobres de Israel e os pobres cohanim as colhem, e os pobres de Israel vendem as suas aos pobres cohanim pelo valor da teruma, e o dinheiro é deles. Rabi Tarfon diz: só os pobres cohanim devem colher, para que não se esqueçam e as ponham na boca. Disse-lhe Rabi Akiva: se assim é, que só os puros colham.
E está sujeita ao dízimo e ao dízimo do pobre; os pobres de Israel e os pobres cohanim tomam, e os pobres de Israel vendem as suas aos cohanim pelo valor da teruma, e o dinheiro é deles.
Quem malha é louvável; e quem debulha, o que deve fazer? Pendura cestos ao pescoço do animal, e coloca neles da mesma espécie (que está sendo debulhada) — e assim ele não amordaça o animal, nem o alimenta com teruma.
Halachá: "Quem semeia teruma por engano — que seja arado" etc. Não seria lógico o inverso (que o arado fosse para o intencional, e o mantido para o não intencional)? Multaram-no (a quem semeia de propósito) para que seu campo ficasse inutilizado por causa da teruma (pois o produto todo passa a ter estatuto de teruma, que ele não pode vender livremente).
Rabi Shmuel bar Avudaimi indagou: é ele confiável para dizer "agi de propósito"? (pois, dizendo assim, seu campo permanece de pé como teruma, em vez de ser arado). Disseram-lhe: se outros sabiam (como de fato semeou), não se acredita nele quanto a isso; mas se não, a boca que proibiu é a mesma boca que permitiu (princípio de que quem, por seu próprio testemunho, se prejudica, pode também, com o mesmo testemunho, esclarecer e beneficiar-se).
Rabi Binyamin bar Gidul indagou: e se semeou teruma de vícia (karshinin, ração animal, sujeita a teruma apenas por decreto rabínico)? E se semeou teruma de fora da Terra (de Israel, também sujeita a teruma apenas por decreto)? Disseram-lhe: é um decreto (preventivo, ao redor da lei bíblica), e não há decreto sobre decreto (portanto esses casos não se enquadram na regra da Mishná).
Isso ensina que a santidade recai sobre ela (a nova plantação nascida do grão de teruma) enquanto ainda está presa ao solo. Isso ensina que, se separou (teruma) de frutos que ainda não atingiram um terço de sua maturação, não se santificaram.
"Mas com linho, se de propósito, que seja arado." Multaram-no para que não se beneficiasse dos caules (a parte de maior valor da planta de linho, que não é alimento e por isso não teria a mesma restrição da teruma comestível).
Rabi Yosei indagou: se separou gavelas suas (como teruma) e foram trocadas (misturadas com as comuns, de modo que não se sabe mais quais são teruma) — mesmo assim os pobres de Israel e os pobres cohanim as colhem?
Foi ensinado: a mulher do am haaretz (pessoa comum, não cuidadosa com as leis de pureza) pode moer junto com a mulher do chaver (companheiro, cuidadoso com a pureza) quando ela (a primeira) está impura; mas quando está pura, não deve moer junto, pois se considerará mais pura que a outra. E, segundo as palavras de Rabi Tarfon, mesmo quando está impura não deve moer junto, para que não se esqueça e ponha algo na boca.
Assim é a Mishná: "se assim é, que só os puros colham."
Assim é a Mishná: "está sujeita à teruma, aos dízimos e ao dízimo do pobre."
Uma libra de cebolas de primeiro dízimo que foi plantada, e eis que já tem dez libras — estas estão sujeitas aos dízimos; e sobre aquele primeiro dízimo delas, ele separa a teruma do dízimo, tanto sobre o que plantou quanto sobre o que cresceu (pois o primeiro dízimo original ainda não teve sua teruma-do-dízimo retirada). Uma libra de cebolas de segundo dízimo que foi plantada, e eis que já tem dez libras — está sujeita aos dízimos, e ele volta e resgata o segundo dízimo que plantou.
"Quem malha é louvável." Louvável em comparação a quem? A quem debulha. "Quem debulha, o que deve fazer?" Foi ensinado em nome de Rabi Shimon: pendura para ela (o animal) vícia (karshinin), e isso lhe é melhor que tudo o mais. Disse Rabi Yosei: isso ensina que, se fez assim com grão comum (chulin, não teruma), não transgride por causa de "não amordaçarás" (Deuteronômio 25:4 — pois o animal, tendo os cestos com vícia à disposição, não está de fato amordaçado quanto ao grão que debulha).
Quem amolece leguminosas e feno-grego (fazendo o animal pisá-los, sem lhe dar de comer) não transgride "não amordaçarás o boi em sua debulha"; mas é proibido por causa da aparência (pois parece que o animal está sendo amordaçado enquanto trabalha). Há tanaítas que ensinam: "em debulha que te é permitida" (o versículo só se aplica ao grão comum); e há tanaítas que ensinam: "em debulha que não te é permitida" (o versículo se aplica também à teruma).
Disse Rabi Aba bar Mamal: a nossa Mishná (referindo-se a quando) as lentilhas já perderam sua seiva — as lentilhas o encolhem (o alimento comum colocado entre elas), de modo que não dê (seu sabor às lentilhas de teruma). Mas se o colocou antes que as lentilhas tivessem perdido sua seiva, não se trata disso (a regra não se aplica).
E, assim como dizes que as lentilhas o encolhem para que não dê (sabor), do mesmo modo as lentilhas o encolhem para que não absorva (o sabor delas). Como se procede? Se colocou uma cebola comum dentro de lentilhas de teruma, mesmo assim as lentilhas a encolhem para que não absorva (o sabor da teruma) — isso se diz quanto à seca, mas se está úmida, é proibida. Com cebola e alho-porro, seja úmido seja seco, seja inteiro seja cortado, é proibido. Se lhe tirou a parte de cima (a raiz ou broto), é como cortado; se eram duas ou três (unidades juntas), são como cortadas.
Isso se diz quando a casca externa não confere sabor; mas se confere, há tanaítas que ensinam "em debulha que te é permitida". A Mishná ali (a nossa) diz também "em debulha que não te é permitida", pois ensinamos: "pendura cestos ao pescoço do animal" (o que só faz sentido se o grão sendo debulhado for teruma, proibida ao animal).
"Em sua debulha" (Deuteronômio 25:4) — e não em seu pisar (outro tipo de trabalho agrícola). Rabi Eliezer ben Yaakov diz: também em seu pisar.
Disse Rabi Abun: Rabi Akiva perguntou a Rabi Shimon ben Yochai, para testá-lo: se amordaçou o animal do lado de fora, e depois o trouxe para dentro (do celeiro, para debulhar) — é permitido? Disse-lhe: "quando entrardes à tenda do encontro" (Levítico 10:9, sobre o cohen proibido de beber vinho antes de servir) — desde que entrardes à tenda do encontro (a proibição vale a partir do momento da entrada; por analogia, a proibição de amordaçar vale a partir do início da debulha, não importando quando o animal foi amordaçado). Disse Rabi Ezra: "não amordaçarás o boi em sua debulha" (Deuteronômio 25:4) — não debulharás com um boi amordaçado.
Esta é a primeira halachá do Perek Tet de Massechet Terumot, capítulo com três halachot no total. A Mishná traz quem semeia teruma por engano ou de propósito, o caso do linho, a nova plantação sujeita a leket, shichechá, peá e dízimos, e quem malha ou debulha grão de teruma sem amordaçar nem alimentar o animal com ela.
A guemará discute a lógica invertida da multa, a confiabilidade de quem alega ter semeado de propósito, a teruma de vícia e de fora da Terra, quando a santidade recai sobre a planta ainda presa ao solo, a multa sobre o linho, as gavelas trocadas, a esposa do am haaretz que mói com a do chaver, as cebolas de primeiro e segundo dízimo replantadas, a vícia pendurada ao pescoço do animal, a distinção entre amolecer leguminosas e debulhar, as lentilhas que perderam a seiva, e fecha com o teste de Rabi Akiva a Rabi Shimon ben Yochai sobre amordaçar fora e trazer para dentro. Não foi identificado paralelo temático genuíno e verificado com o Talmud Bavli, Massechet Shabat, para esta sugya.
Com esta halachá, abre-se o Perek Tet de Massechet Terumot.