Segunda halachá do Perek Yud-Alef de Massechet Terumot. A Mishná traz que, quanto ao mel de tâmaras, ao vinho de maçã, ao vinagre de uvas tardias de inverno (sitvaniot) e a todo o resto dos sucos de frutas de teruma, Rabi Eliezer obriga ao pagamento do keren (valor principal) e do chômesh (quinto adicional), e Rabi Yehoshua isenta; Rabi Eliezer os declara impuros por serem líquido, e Rabi Yehoshua responde que os sábios não contaram os sete líquidos como quem escolhe ingredientes de perfume, mas disseram que sete líquidos são impuros, e todo o resto dos líquidos são puros. A guemará discute se a divergência é apenas quanto ao quinto ou também quanto ao valor principal, e apenas depois do fato ou também antes; traz que Rabi Eliezer concorda que, se se separou o dízimo sobre as tâmaras, o mel delas é permitido mesmo em Ispamia; a posição de Rabi Natan sobre quando Rabi Eliezer declara o mel impuro por líquido; o acordo entre Rabi Meir, Rabi Eliezer ben Yaakov e Rabi Eliezer; o motivo da divergência a partir dos versículos, e o debate de Rabi Eliezer com os sábios, relatado por Rabi Perigori de Cesareia, sobre excluir o líquido estragado; os casos em que Rabi Eliezer concorda com os sábios — o suco de azeitona, as águas do mar e a água de acelgas e de legumes cozidos; e fecha com o ensinamento de Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai sobre a contagem dos sete líquidos.
Mishná: Mel de tâmaras, vinho de maçã, vinagre de uvas tardias de inverno (sitvaniot — uvas que não amadureceram o bastante) e todo o resto dos sucos de frutas (que sejam) de teruma — Rabi Eliezer obriga ao pagamento do keren (valor principal) e do chômesh (quinto adicional); e Rabi Yehoshua isenta.
Rabi Eliezer os declara impuros por serem líquido (mashkê, sujeitos a suscetibilizar alimentos à impureza). Disse Rabi Yehoshua: os sábios não contaram sete líquidos como quem conta ingredientes de perfumes, mas disseram: sete líquidos são impuros, e todo o resto dos líquidos são puros.
Halachá: Queriam dizer: divergem (Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua) apenas quanto ao quinto, mas quanto ao valor principal também Rabi Yehoshua concorda (que se deve pagar). Divergem apenas depois do fato (sobre quem já comeu por engano); mas antes do fato (isto é, que é proibido comer) também Rabi Yehoshua concorda.
E ensinamos (em outra fonte): "quanto ao mel de tâmaras, Rabi Eliezer obriga aos dízimos (ma'asrot), e Rabi Yehoshua isenta." Aqui (nesta Mishná) trata-se de quando (o mel) escorreu depois que (as tâmaras) já se tornaram tevel (sujeitas ao dízimo); e ali (naquela fonte), de quando escorreu antes de se tornarem tevel.
Rabi Eliezer concorda que, se se separou o dízimo sobre as tâmaras, mesmo em Ispamia (terra distante, fora de Eretz Israel) o mel delas é permitido. Sua palavra indica que ele separa o dízimo das tâmaras sobre o mel, na proporção das tâmaras.
"Rabi Eliezer obriga aos dízimos" — foi ensinado: Rabi Natan diz: não que Rabi Eliezer obrigue aos dízimos, mas Rabi Eliezer diz que não se coma das tâmaras até que se separe o dízimo sobre o mel. Sua palavra indica que ele separa o dízimo das tâmaras sobre o mel, na proporção do mel e na proporção das tâmaras.
"Rabi Eliezer os declara impuros por serem líquido" — foi ensinado: Rabi Natan diz: não que Rabi Eliezer declare (o mel) impuro por ser líquido; sobre o que divergem? Sobre (o caso) em que caiu nele (outro) líquido — aí Rabi Eliezer o declara impuro por ser líquido, e os sábios dizem: segue-se a maioria.
Segundo Rabi Natan, Rabi Meir, Rabi Eliezer ben Yaakov e Rabi Eliezer — os três disseram a mesma coisa. Rabi Meir, pois ele diz: sucos de frutas nunca se anulam (por maioria). Rabi Eliezer ben Yaakov, pois foi ensinado: Rabi Eliezer ben Yaakov diz: tsir (salmoura de peixe) puro em que caiu qualquer quantidade de água é impuro. E este é o mesmo (caso de) Rabi Eliezer aqui.
O motivo de Rabi Eliezer é (o versículo): "e todo líquido". Qual é o motivo dos sábios? "Que se possa beber." Segue Rabi Eliezer a opinião de Rabi Yishmael, segundo o qual, num (caso de) "geral e particular", tudo está incluído no geral? E ele vai além de Rabi Yishmael, pois este diz: mesmo (quando há) geral e particular, e voltou a incluir de modo geral, tudo está incluído no geral.
Disse Rabi Perigori de Cesareia: Rabi Eliezer, discípulo de Rabi Yishmael, respondeu assim aos sábios: "assim como vós tendes 'que se possa comer' (para) excluir o alimento estragado, também eu tenho 'que se possa beber' (para) excluir o líquido estragado." Disseram-lhe: alimentos não se comparam a líquidos. Não — se dissestes isso quanto a alimentos, porque o alimento estragado desde o início é puro, dirás o mesmo quanto a líquidos, sendo que o líquido estragado desde o início é impuro?
Outra explicação: não — se dissestes isso quanto a alimentos, porque os alimentos próprios do homem não precisam de pensamento (para se sujeitarem à impureza), dirás o mesmo quanto a líquidos, sendo que os líquidos próprios do homem precisam de pensamento? E, por precisarem de pensamento, seria o líquido estragado desde o início impuro? Ora, visto que precisam de pensamento, deveria o líquido estragado desde o início ser puro!
Outra explicação: disseram-lhe: não — se dissestes isso quanto a alimentos, porque o alimento de animais destinado ao homem não advém por pensamento, dirás o mesmo quanto a líquidos, sendo que a bebida de animais destinada ao homem advém por pensamento? E assim foi ensinado: "todo líquido" — que vem ensinar o versículo com "que se possa beber"? Para excluir o líquido estragado — palavras de Rabi Eliezer. Disseram-lhe: nenhum líquido é rejeitado nem pelas aves nem pela vaca.
Os colegas (chaverayya), em nome de Rabi Elazar: Rabi Eliezer concorda com os sábios que o líquido estragado desde o início é impuro. Mas não ensinamos: "o suco (mohel) que sai delas (das azeitonas), Rabi Eliezer o declara puro, e os sábios o declaram impuro"?
Rabi Ila, em nome de Rabi Elazar: Rabi Eliezer concorda com os sábios quanto às águas do grande mar, que, mesmo estando estragadas, a Torá as chamou de água (Gênesis 1:10); e ao conjunto das águas chamou mares. Rabi Yaakov bar Zavdi, em nome de Rabi Abahu: Rabi Eliezer concorda com os sábios quanto à água de acelgas e à água de legumes cozidos, que elas não tornam (os alimentos) suscetíveis à impureza.
Rabi Yochanan, em nome de Rabi Shimon ben Yochai: se alguém te disser que há oito líquidos, dize-lhe: eis que o orvalho e a água são da mesma espécie, e ainda assim os sábios os contaram como dois. Se houvesse outro (líquido), não o teriam contado? E se houvesse outro (que não conhecemos), não teria sido contado?
A Mishná traz que, quanto ao mel de tâmaras, ao vinho de maçã, ao vinagre de uvas tardias de inverno e a todo o resto dos sucos de frutas de teruma, Rabi Eliezer obriga ao pagamento do valor principal e do quinto, e Rabi Yehoshua isenta; e que Rabi Eliezer os declara impuros por serem líquido, enquanto Rabi Yehoshua sustenta que apenas sete líquidos foram declarados impuros pelos sábios, e todo o resto é puro.
A guemará discute se a divergência é apenas quanto ao quinto ou também quanto ao valor principal, e apenas depois ou também antes do fato; traz que Rabi Eliezer concorda que, separado o dízimo das tâmaras, seu mel é permitido mesmo em Ispamia; a posição de Rabi Natan sobre quando Rabi Eliezer declara o mel impuro por líquido; o acordo entre Rabi Meir, Rabi Eliezer ben Yaakov e Rabi Eliezer; o motivo de cada opinião a partir dos versículos, com o debate de Rabi Eliezer e os sábios relatado por Rabi Perigori de Cesareia; os casos em que Rabi Eliezer concorda com os sábios; e fecha com o ensinamento de Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai sobre a contagem dos sete líquidos. Não foi identificado paralelo temático genuíno e verificado com o Talmud Bavli, Massechet Shabat, para esta sugya.