Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Zayin · Halachá 3
שַׁבָּת

Outra regra geral: o que é apto para ser guardado

Perek Zayin, Klal Gadol, Halachá 3, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Terceira halachá do Perek Zayin de Massechet Shabbat, Klal Gadol. Depois da lista dos trabalhos, que termina no transportar de um domínio para outro, a Mishná dá outra regra geral sobre a hotzaá: quem transporta no Shabat o que é apto para ser guardado, e que as pessoas costumam guardar, é obrigado a trazer uma chatat; o que não é apto para ser guardado obriga somente quem o guardou. A guemará, breve, pergunta para que foi dita a regra: Rabi Chuna, em nome de Rabi Elazar, diz que foi dita para a idolatria, Rabi Yochanan para as coisas de que é proibido tirar proveito, e Rav Chisda para as medidas mínimas; traz duas versões dos tanaim, uma que diz “é obrigado a chatat” e outra que diz “qualquer quantidade”, e mostra a quem cada uma apoia; e termina com o exemplo dos rabanan de Kessarin: o chumaço que a mulher preparou para a sua nidá. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 75b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

וְעוֹד כְּלָל אַחֵר אָמְרוּ כָּל הַכָּשֵׁר לְהַצְנִיעַ וּמַצְנִיעִין כָּמוֹהוּ וְהוֹצִיאוֹ בַשַּׁבָּת חַיָיב עָלָיו חַטָּאת וְכָל שֶׁאֵינוֹ כָשֵׁר לְהַצְנִיעַ וְאֵין מַצְנִיעִין כָּמוֹהוּ וְהוֹצִיאוֹ בַשַּׁבָּת אֵינוֹ חַיָיב אֶלָּא הַמַּצְנִיעוֹ:

Mishná: E ainda outra regra geral disseram: tudo o que é apto para hatzneá (ser guardado), e as pessoas guardam algo como ele, e alguém o transportou no Shabat de um domínio para outro, é obrigado por ele a trazer uma chatat (oferta de expiação); e tudo o que não é apto para ser guardado, e as pessoas não guardam algo como ele, e alguém o transportou no Shabat, não é obrigado por ele senão o matzniyo (quem o guardou).

A Halachá · הֲלָכָה ג

01Para que foi dita a regra: idolatria, proveito proibido, medidas, e o chumaço da mulher
Yerushalmi · Shabbat 7:3
ה׳. רִבִּי חוּנָה בְשֵׁם רִבִּי אֶלְעָזָר. לָעֲבוֹדְה זָרָה אִיתְאֲמָרַת. רִבִּי יוֹחָנָן אָמַר. לְאִיסּוּרֵי הֲנָיָיה אִיתְאֲמָרַת. רַב חִסְדָּא אָמַר. לַשִּׁיעוּרִין אִתְאֲמָרַת. אִית תַּנָּיֵי תַנֵּי. חַיָיב חַטָּאת. אִית תַּנָּיֵי תַנֵּי. כָּל שֶׁהוּא. מָאן דְּאָמַר. חַיָיב חַטָּאת. מְסַיֵיעַ לְרַב חִסְדָּא. מָאן דְּאָמַר. כָּל שֶׁהוּא. מְסַיֵיעַ לְרִבִּי אֶלְעָזָר וּלְרִבִּי יוֹחָנָן. רַבָּנִן דְּקַיְסָרִין בְשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בַּר חֲנִינָה. כְּגוֹן הַמּוֹךְ שֶׁהִתְקִינָה לְנִידָּתָהּ.

Quinta parte do capítulo. Rabi Chuna disse em nome de Rabi Elazar: esta regra foi dita a respeito da avodá zará (idolatria). Rabi Yochanan disse: esta regra foi dita a respeito dos issurei hanaá (coisas de que é proibido tirar proveito). Rav Chisda disse: esta regra foi dita a respeito dos shiurin (medidas mínimas). Há tanaim (mestres da Mishná) que ensinam nesta Mishná: “é obrigado a trazer uma chatat”. Há tanaim que ensinam: “é obrigado por qualquer quantidade”. Quem diz “é obrigado a trazer uma chatat” apoia Rav Chisda. Quem diz “qualquer quantidade” apoia Rabi Elazar e Rabi Yochanan. Os rabanan de Kessarin (Cesareia) disseram em nome de Rabi Yossi bar Chanina: a regra se aplica, por exemplo, ao moch (chumaço) que a mulher preparou para a sua nidá (menstruação).

Nota

Esta é a terceira halachá do Perek Zayin de Massechet Shabbat, Klal Gadol, que corresponde à Mishná Shabbat 7:3 da Mishná avulsa. A halachá anterior terminou com a hoshatá, o lançar ou passar de um domínio para outro, que a Mishná não conta junto com os trabalhos porque se faz em dois domínios e não tem derivado. Esta parte do último trabalho da lista, o transportar de um domínio para outro, e diz o que obriga quem transporta: o que é apto para ser guardado e que as pessoas costumam guardar; o que não é apto obriga somente quem o guardou, porque para ele tem valor. A guemará não diz expressamente de qual das duas frases da Mishná falam Rabi Elazar, Rabi Yochanan e Rav Chisda; ao que parece, falam do que não é apto para ser guardado: os objetos de idolatria e as coisas de que é proibido tirar proveito não são guardados por ninguém, e para Rav Chisda a regra trata das quantidades menores que as medidas das Mishnayot seguintes. As duas versões dos tanaim, “é obrigado a chatat” e “qualquer quantidade”, parecem completar a última frase da Mishná, sobre quem guardou: na primeira, ele é obrigado como todos, e isso combina com Rav Chisda; na segunda, é obrigado mesmo por uma quantidade mínima, e isso combina com Rabi Elazar e Rabi Yochanan. O moch é o chumaço de pano ou de lã que a mulher usa no tempo da nidá; ninguém costuma guardá-lo, mas quem o preparou e guardou para isso é obrigado por ele. A Mishná seguinte, “o que transporta palha, quanto enche a boca de uma vaca”, fica para a halachá 7:4. No Bavli, esta Mishná está em Shabbat 75b, e a discussão sobre ela termina no começo de Shabbat 76a.

Referências conferidas. A Mishná desta halachá é a Mishná Shabbat 7:3 do Sefaria, e a seguinte, a da palha, é a Mishná Shabbat 7:4. No Bavli, em Shabbat 75b, a mesma Mishná aparece como matnitin, e a guemará pergunta o que a primeira frase exclui: Rav Papa diz que exclui o sangue da nidá, e Mar Ukva, a madeira da asherá, a árvore de idolatria, o que se aproxima da palavra de Rabi Elazar e do exemplo dos rabanan de Kessarin; ali também Rabi Yossi bar Chanina diz que a Mishná não segue Rabi Shimon, que ensina, na Mishná Shabbat 8:1, que todas estas medidas só foram ditas para os que guardam tais coisas. No começo de Shabbat 76a, Rabi Elazar diz que a Mishná não segue Rabi Shimon ben Elazar, e traz a baraita segundo a qual, se alguém guardou algo que não é apto para ser guardado e outro o transportou, este é obrigado pela intenção daquele. Nesta halachá não há versículos citados.

Observações de leitura. A guemará começa com a letra “he”, que é a marca de divisão da edição: segue as letras “guímel” e “dalet” das seções 50 e 56 da halachá anterior e marca a quinta parte do capítulo; não faz parte das palavras dos sábios, e por isso a traduzimos apenas como indicação, na seção 01. O hebraico escreve “la‘avodá zará” com uma vocalização incomum na palavra “avodá”, e “itamarat” uma vez com yod e uma vez sem ele; mantivemos a grafia como está. A Mishná do Yerushalmi escreve “bashabat”, “no Shabat”, onde a Mishná avulsa escreve “beshabat”, e “chayav alav chatat”, “obrigado por ele a chatat”, onde o Bavli escreve “chayav chatat alav”; o sentido é o mesmo.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer numera as Mishnayot do capítulo à sua maneira e chama esta de Mishná 5; no Sefaria ela é a Mishná Shabbat 7:3. Ele entende, como nós, que as três opiniões do começo da guemará falam do que não é apto para ser guardado, e cita corretamente Rabi Shimon na Mishná Shabbat 8:1. A nota que ele põe junto ao chumaço da nidá remete à Mishná Meilá 4:6 e trata de panos, sacos, couro e esteiras que se somam para a impureza; não tem relação com esta passagem, e não a seguimos.