Sétima halachá do Perek Vav de Massechet Shabbat, Bameh Ishá. A Mishná ensina que a mulher poreft, prende o manto em volta de algo como num botão, sobre a even, a pedra, sobre a egoz, a noz, e sobre a matbea, a moeda, contanto que não o prenda batechilá, de início, no Shabat. A guemará traz uma baraita em que Raban Shimon ben Gamliel diz que só a moeda e a pedra estão incluídas nessa restrição, e que com a noz é permitido, porque ela pode ser movida no Shabat; e Rav Ada bar Ahava mostra que assim ele concorda com Rabi Meir, para quem a coisa que se pode mover é permitida. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 65b.
Mishná: A mulher poreft (prende o manto em volta de algo, como num botão) sobre a even (pedra), sobre a egoz (noz) e sobre a matbea (moeda), enrolando-os na ponta do manto e atando a tira em volta deles, contanto que não o prenda batechilá (de início) no Shabat, isto é, pela primeira vez no próprio Shabat.
Ensinou-se numa baraita: Raban Shimon ben Gamliel diz: não ensinaram a restrição de prender de início no Shabat senão sobre a moeda e a pedra, que não se movem no Shabat. Portanto, com a noz é permitido prender até de início, porque ela é mitaltel (movida no Shabat), já que é alimento. Disse Rav Ada bar Ahava: a opinião de Raban Shimon ben Gamliel vem a ser como a de Rabi Meir. Assim como Rabi Meir disse: coisa que é mitaltel (que pode ser movida no Shabat) é permitida, e com ela se pode prender o manto, assim Raban Shimon ben Gamliel diz: coisa que é mitaltel é permitida.
Esta é a sétima halachá do Perek Vav de Massechet Shabbat, Bameh Ishá, que corresponde à Mishná Shabbat 6:7 da Mishná avulsa. A halachá anterior tratou da moeda sobre o calo, das meninas com fios e com lascas nas orelhas, e terminou com a correção da leitura da Mishná: “As arviyot saem reulot, as madiyot perufot”, isto é, as árabes saem veladas, e as medas, com o manto preso. Esta continua exatamente daí: as medas prendem o manto em volta de uma pedra, de uma noz ou de uma moeda, e a Mishná diz quando isso é permitido no Shabat. A Mishná seguinte, a do amputado que sai com a sua perna de madeira, fica para outra halachá.
Referências conferidas. A Mishná desta halachá é Mishná Shabbat 6:7. No Bavli, ela é ensinada na mesma matnitin da halachá anterior, em Shabbat 65a, e a guemará a discute em Shabbat 65b, onde Abaye explica que o fim da Mishná, “contanto que não o prenda de início no Shabat”, se refere à moeda; a conclusão é próxima à de Raban Shimon ben Gamliel na seção 01, que tira a noz da restrição. A guemará não diz qual ensinamento de Rabi Meir tem em vista; a Tosefta, Shabbat 5:10, ensina sem nome de autor que a mulher prende de início com uma coisa que se pode mover no Shabat, que é a mesma regra.
Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi escreve “hamatbea” com kamatz sob o he, “tifrof” com vav, “batechilá”, de início, onde a Mishná avulsa diz “lechatchilá”, e “bashabat”, onde a avulsa diz “beshabat”; conservamos o hebraico como está. Na seção 01, a guemará escreve “be’egoz” com daguesh no guimel, e “mitaltel” com yod; a palavra “mitaltel” designa aquilo que pode ser movido no Shabat, ao contrário do que é muktzé, separado do uso, como a pedra e a moeda. O verbo “poreft” significa prender uma peça de roupa a outra, como com uma fivela; segundo Rashi, em Shabbat 65a, a mulher pendurava a tira do manto de um lado, junto ao pescoço, e do outro enrolava uma pedra ou uma noz e atava a tira em volta, para que o manto não caísse.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase, e Guggenheimer corresponde a ele nesta halachá. Ele traduz “poreft” como “ties down”, isto é, prender amarrando, e explica que se amarravam pesos às pontas do véu; nós traduzimos “prender”, como Rashi no Bavli. Na sua nota sobre Rabi Meir, ele remete a “Tosefta 4:13”, numeração da edição de Lieberman; na numeração do Sefaria, a passagem é Tosefta Shabbat 5:10, e assim a indicamos. Ele sugere, com dúvida, que essa Tosefta seja atribuída a Rabi Meir; como a Tosefta não traz nome, não a atribuímos.