Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Kaf-Dalet · Halachá 5 (última do perek e da massechet)
שַׁבָּת

A anulação dos votos e o tapar, medir e amarrar — o encerramento de toda a Massechet Shabbat

Perek Kaf-Dalet, Mi Shehechshich, Halachá 5, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat — encerramento do capítulo e da massechet

Quinta e última halachá do Perek Kaf-Dalet de Massechet Shabbat, Mi Shehechshich (aquele sobre quem escureceu), e também a última halachá de todo o tratado, que tem vinte e quatro perakim e cento e quarenta e uma halachot ao todo. A Mishná ensina que no Shabat se anulam votos, e que se pede ao sábio a dissolução dos votos que são para a necessidade do Shabat; que se tapa a maor (janela por onde entra a luz), e se medem o retalho de pano e o mikvê (banho ritual); e conta o fato dos dias do pai de Rabi Tzadok e de Abba Shaul ben Botnit, em que taparam a janela com um jarro e amarraram uma vasilha com junco, para saber se havia uma abertura de um palmo; e daí aprendemos que se tapa, se mede e se amarra no Shabat. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná. Com ela se encerra o Perek Kaf-Dalet, Mi Shehechshich, e toda a Massechet Shabbat do Talmud Yerushalmi.

A Mishná · מַתְנִיתִין

מְפִירִין נְדָרִים בַּשַּׁבָּת וְנִשְׁאָלִין נְדָרִים שֶׁהֵן לְצֹרֶךְ הַשַּׁבָּת. פּוֹקְקִין אֶת הַמָּאוֹר וּמוֹדְדִין אֶת הַמַּטְלִית וְאֶת הַמִּקְוֶה. מַעֲשֶׂה בִימֵי אָבִיו שֶׁל רִבִּי צָדוֹק וּבִימֵי אַבָּא שָׁאוּל בֶּן בָּטְנִית שֶׁפָּקְקוּ אֶת הַמָּאוֹר בְּטָפִיחַ וְקָשְׁרוּ אֶת הַמְּקֵידָּה בְגֶמִי לֵידַע אִם יֵשׁ בַּגִּיגִית פּוֹתֵחַ טֶפַח אִם לָאו. מִדִּבְרֵיהֶן לָמַדְנוּ שֶׁפּוֹקְקִין וּמוֹדְדִין וְקוֹשְׁרִין בַּשַּׁבָּת:

Mishná: Anulam-se votos no Shabat, o marido os da mulher e o pai os da filha; e pede-se ao sábio a dissolução dos votos que são para a necessidade do Shabat. Tapa-se a maor (janela por onde entra a luz), e mede-se a matlit (retalho de pano) e o mikvê (banho ritual). Houve um fato, nos dias do pai de Rabi Tzadok e nos dias de Abba Shaul ben Botnit, em que taparam a janela com um jarro de barro e amarraram a mekedá (vasilha de barro) com gemi (junco), para saber se havia na gigit (tina que cobria a passagem) uma abertura de um tefach (palmo) ou não. Das palavras deles aprendemos que se tapa, se mede e se amarra no Shabat.

A Halachá · הֲלָכָה ה

Sem guemará no Yerushalmi

Como em todo o Perek Kaf-Dalet, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 157a.

Nota

Esta é a quinta e última halachá do Perek Kaf-Dalet de Massechet Shabbat, Mi Shehechshich, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 24:5 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria, a última do capítulo e do tratado. As diferenças: o Yerushalmi diz וְנִשְׁאָלִין נְדָרִים, “e pergunta-se sobre votos”, onde a avulsa diz וְנִשְׁאָלִין לִדְבָרִים, “e pergunta-se sobre coisas”; diz מַעֲשֶׂה e מִדִּבְרֵיהֶן, sem o vav, onde a avulsa diz וּמַעֲשֶׂה e וּמִדִּבְרֵיהֶן; diz בַּשַּׁבָּת, com o artigo, no começo e no fim, onde a avulsa diz בְּשַׁבָּת; e escreve הַמְּקֵידָּה, onde a avulsa escreve הַמְּקֵדָה; a avulsa tem também seis vírgulas. Nenhuma dessas diferenças muda a lei. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.

Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 157a, e diz לִנְדָרִים, “sobre votos”, mais perto do Yerushalmi do que da avulsa; diz וּפוֹקְקִין, com o vav, repete o verbo em וּמוֹדְדִין אֶת הַמִּקְוֶה, “e mede-se o mikvê”, e diz וּמַעֲשֶׂה, בַּטָּפִיחַ, הַמְּקִידָּה e וּמִדִּבְרֵיהֶם. A guemará começa em 157a e pergunta se a hafarat nedarim (anulação dos votos) é permitida mesmo sem necessidade do Shabat, e traz o ensino de Rav Zutei, da casa de Rav Pappi, de que se anulam votos no Shabat para a necessidade do Shabat; e pergunta se se pede a dissolução mesmo quando havia tempo para fazê-lo antes do Shabat. Sobre o fato da janela, Rav Yehuda diz, em nome de Rav, que havia uma pequena passagem entre duas casas, com uma impureza ali, e uma tina rachada posta por cima; a explicação continua em 157b, onde está também o caso de Ulla, que lembra a Rabba bar Rav Huna que só se permitiu medir quando a medida é de uma mitzvá (preceito). Em 157b o Bavli encerra o tratado com a fórmula הדרן עלך מי שהחשיך וסליקא לה מסכת שבת, “voltaremos a ti, Mi Shehechshich, e está concluída Massechet Shabbat”.

Observações de leitura. Segundo a Bartenura, quem anula é o marido para a mulher e o pai para a filha, e quem dissolve é o sábio a quem se pergunta; a condição de ser para a necessidade do Shabat, como quem jurou não comer hoje, vale só para o pedido ao sábio, porque o marido e o pai só podem anular no dia em que ouviram o voto, e por isso anulam qualquer voto. O Rambam diz o mesmo: a anulação é permitida com ou sem necessidade do Shabat, e o pedido ao sábio, só para a necessidade do Shabat. A maor é a janela por onde entra a luz, e tapa-se com uma tábua ou com o que se costuma tapar. Mede-se o retalho para saber se tem três dedos por três dedos, porque abaixo disso não recebe nem transmite impureza; e mede-se o mikvê para saber se tem um côvado por um côvado, com três côvados de altura; e são medidas de mitzvá, por isso permitidas no Shabat. Quanto ao fato, a Bartenura explica, como o Bavli, que havia entre duas casas uma passagem sem teto, coberta por uma tina, com janelas das casas para a passagem; temia-se que a impureza de um morto numa casa passasse pela passagem à outra, se a fenda da tina não tivesse um palmo; por isso taparam a janela com um jarro de barro, e, para saber se a fenda tinha um palmo, amarraram uma vasilha de barro com junco e a ergueram até ela. O junco foi escolhido porque serve de comida para o animal, e assim não se faz um nó permanente. O Rambam explica de outro modo: entre as duas casas havia uma janela com uma tigela, e mediram com uma tabuinha amarrada com junco se a parte quebrada tinha um palmo por um palmo; e diz que a medida e o nó só se permitem quando são de mitzvá, e o nó, quando não é permanente. “O marido os da mulher e o pai os da filha”, “ao sábio”, “de barro” e “tina que cobria a passagem” seguem a Bartenura; “a dissolução dos” completa a frase. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz מְפִירִין נְדָרִים por “one dissolves vows” e וְנִשְׁאָלִין נְדָרִים por “one may ask about vows”, e explica em nota que o poder do pai e do marido termina ao pôr do sol do dia em que ouviram o voto, enquanto o do tribunal ou do sábio não tem prazo, e por isso só se pergunta sobre os votos que atrapalham o Shabat, como a Bartenura. Ele traduz בְּטָפִיחַ por “with a jar”, הַמְּקֵידָּה por “a dish”, בְגֶמִי por “to bast” e בַּגִּיגִית por “a barrel”; mantivemos “jarro de barro”, “vasilha de barro”, “junco” e “tina”. Na sua nota sobre o fato, ele descreve um morto numa casa e uma janela parcialmente tapada para a casa vizinha, uma explicação mais próxima da do Rambam.

Aqui termina a Massechet Shabbat do Talmud Yerushalmi, com vinte e quatro perakim e cento e quarenta e uma halachot. No Talmud Yerushalmi, a massechet seguinte de Seder Moed é Eruvin. O Rambam fecha o seu comentário a este tratado dizendo que aqui se conclui o comentário às mishnayot de Massechet Shabbat.

Com esta halachá, encerra-se o Perek Kaf-Dalet e toda a Massechet Shabbat do Talmud Yerushalmi — vinte e quatro perakim, cento e quarenta e uma halachot, do início ao fim.