O daf continua diretamente de 156b, sem qualquer pausa e dentro do Perek Vinte e Quatro, Mi Shehechshich (Shabbat 153a:11-157b:3, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria), completando a objeção a Rabi Yochanan a partir das mishnayot anônimas que parecem seguir Rabi Yehuda: as vigas são atribuídas a Rabi Yosei bar Yehuda, a lenha do depósito é cedro e abeto, muktzeh por perda de dinheiro, e Rabi Yochanan encontra outra mishná anônima, a dos ossos e das cascas, em que Beit Hillel seguem Rabi Shimon. Rav Acha e Ravina discutem as exceções à halachá conforme Rabi Shimon: a lamparina velha, muktzeh por repugnância, ou a lamparina acesa naquele Shabat, muktzeh por proibição; e no muktzeh por perda de dinheiro até Rabi Shimon concorda. Abre-se a última mishná do tratado: anulam-se votos no Shabat, pede-se a dissolução de votos para a necessidade do Shabat, tapa-se a janela e mede-se o retalho e o mikve, como no fato do pai de Rabi Tzadok e de Abba Shaul ben Botnit. Na guemará, pergunta-se se a anulação é permitida sem necessidade, com o ensino de Rav Zutei e a divergência dos Tanaim sobre o prazo, todo o dia ou de tempo a tempo, e se pede a dissolução também quem teve tempo antes do Shabat; o daf termina quando Rav começa a explicar o fato da janela tapada com o jarro.
“Não se racham lenhas das vigas reservadas para a construção, nem da viga que se quebrou em Yom Tov” (Beitzá 4:3); esta mishná anônima parece seguir Rabi Yehuda. Responde-se: quanto a Rabi Yochanan, aquela mishná ele a ensina conforme Rabi Yosei bar Yehuda, que é uma opinião isolada. Vem e ouve: “Começa-se a acender o fogo em Yom Tov com o monte de palha, mas não com a lenha que está no depósito” (Beitzá 4:1); também esta parece seguir Rabi Yehuda! Responde-se: ali se trata de cedros e abetos, que são muktzeh (posto à parte) por causa de perda de dinheiro, e nesse caso até Rabi Shimon concorda que é proibido.
“Não se racham lenhas das vigas” — do monte de vigas postas à parte e arrumadas para a construção.
“Nem da viga” — a velha, que se quebrou hoje e desde agora está destinada a ser queimada; e, mesmo assim, é proibido, já que no crepúsculo do início da festa não estava pronta para isso.
“Começa-se” — a acender com o monte de palha; a guemará pensava que se tratava de palha podre, que, sem outra especificação, se destina a ser queimada.
“Mas não com a lenha que está no muktzeh” — que ele deixou no pátio que fica atrás da sua casa e a pôs à parte para os dias do inverno. Muktzeh é o pátio atrás das casas, pois o dono pôs à parte o fundo da sua casa para recolher ali coisas para o depósito.
“Em cedros e abetos” — cedro macho e cedro fêmea, que estão destinados à construção.
A guemará continua a objeção a Rabi Yochanan, que manda decidir conforme a mishná anônima e, ao mesmo tempo, conforme Rabi Shimon. A mishná de Beitzá sobre as vigas é atribuída a Rabi Yosei bar Yehuda, opinião isolada que não tem força de mishná anônima; a lenha do depósito é madeira de cedro e de abeto, cuja perda o dono evita, e por isso até Rabi Shimon a considera muktzeh.
Vem e ouve: “Não se dá de beber nem se abatem os animais do deserto, mas dá-se de beber e abatem-se os animais domésticos” (Beitzá 5:7); também esta mishná anônima parece seguir Rabi Yehuda!
“Dá-se de beber” — a mishná segue o costume das coisas, por causa da aderência da pele, para que o animal seja fácil de esfolar.
“Do deserto” — que pastam sempre no campo e pernoitam dentro do limite do Shabat.
Rabi Yochanan encontrou outra mishná anônima, que segue Rabi Shimon: “Beit Shammai dizem: Levantam-se de cima da mesa os ossos e as cascas; e Beit Hillel dizem: A pessoa retira a tábua inteira e a sacode” (Shabat 21:3). E disse Rav Nachman: Nós não temos esta mishná senão assim: Beit Shammai segundo Rabi Yehuda, e Beit Hillel segundo Rabi Shimon; e, como a halachá segue sempre Beit Hillel, a palavra deles vale como mishná anônima.
“Outra mishná anônima” — a opinião de Beit Hillel é considerada como mishná anônima.
Divergem a respeito disso Rav Acha e Ravina. Um disse: Em todo o tema do Shabat, a halachá é conforme Rabi Shimon, exceto no muktzeh por causa de repugnância. E o que é ele? Uma lamparina velha, que não se pode mover no Shabat. E o outro disse: Também no muktzeh por causa de repugnância a halachá é conforme Rabi Shimon, exceto no muktzeh por causa de proibição. E o que é ele? Uma lamparina em que se acendeu a luz naquele mesmo Shabat. Mas, no muktzeh por causa de perda de dinheiro, até Rabi Shimon concorda que é proibido mover, pois aprendemos numa mishná: “Todos os utensílios podem ser movidos no Shabat, exceto a serra grande e a relha do arado” (Shabat 17:4).
“Todos os utensílios podem ser movidos” — mesmo que o seu uso seja para um trabalho proibido; e é a opinião de Rabi Shimon.
“Exceto a serra grande” — uma serra que é dos artesãos, para cortar com ela madeira; e é muktzeh por causa de perda de dinheiro, para que não se quebrem os dentes, pois é feita como uma faca cheia de entalhes.
“E a relha do arado” — a que escava a terra; coltre em língua estrangeira.
Rav Acha e Ravina delimitam a regra de que a halachá do Shabat segue Rabi Shimon. Para um, a exceção é o muktzeh por repugnância, como a lamparina velha e suja; para o outro, só o muktzeh por proibição, a lamparina que ardeu naquele Shabat. Ambos concordam que o objeto que o dono evita usar para não o estragar, como a serra grande e a relha do arado, é proibido de mover mesmo segundo Rabi Shimon.
MISHNÁ. Anulam-se, o pai ou o marido, votos da filha ou da esposa no Shabat, e pede-se a um sábio a dissolução de votos que são para a necessidade do Shabat. E tapa-se a janela, e mede-se o retalho para saber se tem o tamanho que recebe impureza, e mede-se o mikve para saber se tem água suficiente para a imersão. E houve um fato nos dias do pai de Rabi Tzadok e nos dias de Abba Shaul ben Botnit, que taparam a janela com um jarro e amarraram o vaso de barro com um junco, para saber se havia na cobertura uma abertura de um palmo ou não. E das suas palavras e dos seus atos aprendemos que se tapa, e se mede, e se amarra no Shabat.
“MISHNÁ. Anulam-se” — o marido, à sua esposa.
“E pede-se” — a um sábio.
“Que são para a necessidade do Shabat” — por exemplo, que fez voto de não comer hoje.
“E tapa-se a janela” — conforme os Sábios, que dizem (Shabat 125b): Tapa-se a janela com a tampa da janela.
“E mede-se o mikve” — com a medida de que haja ali uma profundidade de três amot de água e uma largura de uma amá por uma amá.
“E o retalho” — que tenha três por três dedos, por exemplo, se estava impuro e tocou em coisas puras.
“Com um jarro” — um jarro de barro; e o seu semelhante está no capítulo dezessete (Shabat 125b): “Um sarmento que está amarrado a um jarro, enche-se com ele no Shabat.”
“Mekidá” — um vaso de barro.
“Para saber se havia na cobertura uma abertura de um palmo” — na guemará se explica.
“E mede-se” — para se instruir sobre uma questão de decisão halachica.
“E amarra-se” — um nó que não é permanente, até mesmo de antemão.
A última mishná do tratado reúne ações permitidas no Shabat. Anular os votos da filha ou da esposa é permitido; pedir ao sábio a dissolução de um voto, só quando é para a necessidade do Shabat, como quem jurou não comer naquele dia. Também se pode tapar uma janela e medir um retalho ou um mikve. O fato antigo serve de prova: para saber se a impureza passava por uma abertura de um palmo, os sábios taparam a janela com um jarro e mediram com um vaso de barro amarrado a um junco.
GUEMARÁ. Foi-lhes perguntado: A anulação é permitida tanto para a necessidade quanto não para a necessidade do Shabat; e o pedido de dissolução, para a necessidade, sim, e não para a necessidade, não; e por isso a mishná os separou um do outro?
“GUEMARÁ. Foi-lhes perguntado: a anulação” — da nossa mishná é permitida tanto para a necessidade quanto não para a necessidade do Shabat, pois, a respeito da anulação, está escrito “no dia em que ouvir” (Bamidbar 30:6), e, se não anular agora, não poderá mais anular.
“E o pedido, para a necessidade, sim; não para a necessidade, não” — pois pode pedir a dissolução amanhã; e por isso a mishná os separa um do outro e não ensina “anulam-se e pede-se a dissolução de votos que são para a necessidade do Shabat”, porque “para a necessidade” não se refere senão ao pedido.
Ou talvez também a anulação, para a necessidade, sim, e não para a necessidade, não; e aquilo que a mishná os separa um do outro é porque a anulação não requer tribunal, e o pedido de dissolução requer tribunal?
“Tribunal” — isto é, um sábio.
Vem e ouve, pois Rav Zutei, da escola de Rav Pappi, ensinou: “Anulam-se votos no Shabat para a necessidade do Shabat.” Daqui se depreende: para a necessidade do Shabat, sim; não para a necessidade do Shabat, não.
Outra versão: Foi-lhes perguntado: “Para a necessidade” ensina-se sobre ambos, e não para a necessidade, não; e, portanto, a anulação de votos pode ser feita de tempo a tempo, isto é, durante vinte e quatro horas desde que o marido ouviu o voto? Ou talvez, quando ensina “para a necessidade”, é sobre o pedido que o ensina, mas a anulação de votos é permitida até não para a necessidade; e, portanto, a anulação de votos só se pode fazer durante todo o dia em que ouviu?
Assim lemos o texto: “Outra versão: Foi-lhes perguntado (Nedarim 77a): ‘Para a necessidade’ refere-se a ambos” — à anulação e ao pedido; mas a anulação não para a necessidade, não; portanto, a anulação de votos vale de tempo a tempo, e este que ouviu no Shabat pode anular depois que escurecer, dentro do período de tempo a tempo da audição; por isso, não para a necessidade, não o permitimos no Shabat.
“Todo o dia” — até que escureça, e não mais, mesmo que tenha ouvido perto do escurecer; por isso, até não para a necessidade se permite, pois, se não anular agora, não anulará mais.
Na segunda versão, a pergunta liga a mishná ao prazo da anulação. Se “para a necessidade” vale também para a anulação, o marido ainda pode anular depois do Shabat, dentro de vinte e quatro horas desde que ouviu, e por isso não precisa fazê-lo no Shabat. Se a anulação é permitida mesmo sem necessidade, é porque o prazo acaba ao anoitecer, e quem não anula no Shabat perde o direito.
Vem e ouve, pois Rav Zutei, da escola de Rav Pappi, ensinou: “Anulam-se votos no Shabat para a necessidade do Shabat.” Para a necessidade do Shabat, sim; não para a necessidade do Shabat, não; portanto, a anulação de votos vale de tempo a tempo.
“Para a necessidade do Shabat” — portanto, a anulação de votos vale de tempo a tempo desde a audição; por isso, não para a necessidade, não, já que não o permitiu senão para a necessidade.
Disse Rav Ashi: Mas não aprendemos numa mishná: “A anulação de votos vale todo o dia, e há na coisa um efeito para facilitar e para agravar. Como? Se a mulher fez voto na noite do Shabat, o marido anula na noite do Shabat e no dia do Shabat, até que escureça. Se fez voto ao escurecer, anula até que escureça, pois, se não anulou, desde que escureceu não pode anular” (Nedarim 10:8)? Responde-se: é uma divergência de Tanaim, pois foi ensinado numa baraita: A anulação de votos vale todo o dia. Rabi Yosei bar Yehuda e Rabi Elazar, filho de Rabi Shimon, disseram: De tempo a tempo.
“Para facilitar e para agravar” — isto é, às vezes há um prazo grande, e às vezes não é senão pouco.
Rav Ashi objeta com a mishná de Nedarim, segundo a qual o prazo da anulação termina ao anoitecer do dia em que o marido ouviu o voto, e não depois de vinte e quatro horas. A guemará responde que a questão é uma divergência entre Tanaim, e o ensino de Rav Zutei segue Rabi Yosei bar Yehuda e Rabi Elazar, filho de Rabi Shimon.
“E pede-se a dissolução de votos.” Foi-lhes perguntado: É permitido somente quando não teve tempo livre antes do Shabat, ou talvez até quando teve tempo livre? Vem e ouve, pois os Sábios atenderam a Rav Zutra, filho de Rav Zeira, e dissolveram-lhe o seu voto no Shabat, embora ele tivesse tido tempo livre.
“Foi-lhes perguntado” — sobre aquilo que ensina: pede-se a dissolução de votos que são para a necessidade do Shabat.
“Quando não teve tempo livre” — para pedir; da véspera do Shabat é que fala; ou até quando teve tempo livre.
“Que taparam a janela com um jarro e amarraram o vaso de barro com um junco.” Disse Rav Yehuda, disse Rav: Havia uma pequena viela entre duas casas, e havia ali impureza de morto…
“Uma pequena viela” — um caminho estreito entre duas casas.
Rav começa a descrever o fato narrado na mishná: uma viela estreita entre duas casas, onde havia impureza de morto. A explicação de como a janela foi tapada e de por que se mediu a abertura prossegue na página seguinte.