Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Bet · Halachá 3
שַׁבָּת

O linho que sai da árvore e o pavio de pano dobrado

Perek Bet, Bameh Madlikin, Halachá 3, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Terceira halachá do Perek Bet de Massechet Shabbat, Bameh Madlikin. A Mishná ensina que, de tudo o que sai da árvore, só se acende com o linho, e só o linho recebe tumat ohalim; e traz a disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Akiva sobre o petilat habeged, o pavio de pano dobrado e não chamuscado. A guemará aprende do versículo “para fazer subir a lâmpada continuamente” que só o linho faz chama; traz a baraita de Rabi Shimon ben Elazar sobre os tecidos da árvore; prova do Mishkan que o linho se chama tenda; discute a pele de tachash e o keresh de um só chifre; cita a Mishná de Kelim sobre o retalho menor que três por três; explica a razão de Rabi Eliezer, que vê no acender o pavio como quem purifica utensílios no Shabat; e decide que a halachá segue Rabi Yehoshua. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 27b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

כָּל הַיּוֹצֵא מִן הָעֵץ אֵין מַדְלִיקִין בּוֹ אֶלָּא פִשְׁתָּן. וְכָל הַיּוֹצֵא מִן הָעֵץ אֵינוֹ מִטַּמֵּא טוּמְאַת אוֹהָלִים אֶלָּא פִשְׁתָּן. פְּתִילַת הַבֶּגֶד שֶׁקִּיפְּלָהּ וְלֹא הִיבְהֲבָהּ רִבִּי לִיעֶזֶר אוֹמֵר טְמֵאָה וְאֵין מַדְלִיקִין בָּהּ. רִבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר טְהוֹרָה וּמַדְלִיקִין בָּהּ:

Mishná: De tudo o que sai da árvore, não se acende a lâmpada do Shabat com ele, exceto com o linho. E tudo o que sai da árvore não se torna impuro com tumat ohalim (impureza da tenda), exceto o linho. Quanto a um petilat habeged (pavio de pano) que alguém dobrou e não chamuscou na ponta, Rabi Eliezer diz: é impuro, como o pano de que foi feito, e não se acende com ele; Rabi Akiva diz: é puro, porque deixou de ser pano, e acende-se com ele.

A Halachá · הֲלָכָה ג

01O linho, a luz contínua e o linho chamado tenda
Yerushalmi · Shabbat 2:3
כָּל הַיּוֹצֵא מִן הָעֵץ אֵין מַדְלִיקִין בּוֹ אֶלָּא פִשְׁתָּן כול׳. אָמַר רִבִּי שִׁמָעוֹן בַּר רַב יִצְחָק. כְּתִיב לְהַעֲלוֹת נֵר תָּמִיד. שִׁיעֲרוּ לוֹמַר שֶׁאֵין לְךָ עוֹשֶׂה שַׁלְהֶבֶת אֶלָּא פִשְׁתָּן בִּלְבַד. תַּנֵּי. רִבִּי שִׁמָעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר אוֹמֵר. כָּל הַיּוֹצֵא מִן הָעֵץ אֵין בּוֹ מִשׁוּם שָׁלֹשׁ עַל שָׁלֹשׁ. וּמְסַכְּכִין בּוֹ. חוּץ מִן הַפִּשְׁתָּן. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי. עָשׂוּ אוֹתוֹ כֶעָבִים הָרַכִּים. דְּתַנִּינָן. הֶעָכִים הָרַכִּים אֵין בָּהֶן מִשּׁוּם שָׁלשׁ עַל שָׁלוֹשׁ. אָמַר רִבִּי לָעְזָר. מִן הַמִּשְׁכָּן לָמְדוּ. דִּכְתִיב אֶת הַמִּשְׁכָּן תַּעֲשֶׂה עֶשֶׂר יְרִיעוֹת שֵׁשׁ מָשְׁזָר. וּכְתִיב פַּאֲרֵי פִשְׁתִּים יִהְיוּ עַל רֹאשָׁם. אַתְּ לָמֵד שֵׁשׁ מִשֵׁשׁ. וְשֵׁשׁ מִפַּאֲרֵי. וּפַּאֲרֵי מִפַּאֲרֵי.

Na Mishná: “Tudo o que sai da árvore, não se acende com ele, exceto o linho” etc. Disse Rabi Shimon bar Rav Yitzchak: está escrito: “para fazer subir a lâmpada continuamente” (Shemot 27:20). Os Sábios avaliaram, para dizer que não tens matéria que faça subir a chama por si mesma senão o linho somente, e por isso se acende com ele, ainda que saia da árvore. Ensinou-se numa baraita: Rabi Shimon ben Elazar diz: tudo o que sai da árvore não tem a regra de três por três dedos, a medida mínima com que um pano recebe impureza, e cobre-se a sucá com ele, exceto o linho. Disse Rabi Yossi: fizeram-no, isto é, o tecido do que sai da árvore, como os grossos e os macios, como ensinamos na Mishná: “os grossos e os macios não têm a regra de três por três.” Disse Rabi Elazar: do Mishkan aprenderam que o linho se chama tenda, pois está escrito: “O Mishkan farás de dez cortinas de shesh moshzar (linho fino retorcido)” (Shemot 26:1); e está escrito: “pa'arei pishtim (turbantes de linho) estarão sobre as suas cabeças” (Yechezkel 44:18). Aprendes o shesh de um versículo do shesh de outro, e o shesh dos pa'arei, e os pa'arei de um versículo dos pa'arei de outro, que são de linho.

02A pele de tachash e o keresh de um só chifre
Yerushalmi · Shabbat 2:3
רִבִּי אֶלְעָזָר שָׁאַל. מָהוּ לַעֲשׂוֹת אוֹהֶל מֵעוֹר בְּהֵמָה טְמֵיאָה. וְהָכְתִיב וְעוֹרוֹת תְּחָשִׁים. רִבִּי יוּדְה רִבִּי נְחֶמְיָה וְרַבָּנִן. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר. טִיינוֹן. לְשֵׁם צִבְעוֹ נִקְרָא. וְרִבִּי נְחֶמְיָה אָמַר. גלקטינן. וְרַבָּנִן אָמְרִין. מִין חַיָּה טְהוֹרָה וְגִדּוּלָּהּ בַּמִּדְבָּר. וַתְיָיא כַּיי דָּמַר רִבִּי אֶלְעָזָר בֵּירִבִּי יוֹסֵי רִבִּי אַבָּהוּ בְשֵׁם רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ בְּשֵׁם רִבִּי מֵאִיר. כְּמִין חַיָּה טְהוֹרָה בָּרָא הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא לְמֹשֶׁה בַּמִּדְבָּר. כֵּיוָן שֶׁעָשָׂה בָהּ מְלֶאכֶת הַמִּשְׁכָּן נִגְנְזָה. רִבִּי אָבוּן אָמַר. קֶרֶשׁ הָיָה שְׁמָהּ. תַּנֵּי רִבִּי הוֹשַׁעְיָה. דְּחָדָא קֶרֶן. וְתִיטַב לָיי מִשּׁוֹר פָּר מַקְרִין וּמַפְרִיס. מִקֶּרֶן כָתַב רַחֲמָנָא.

Rabi Elazar perguntou: pode-se fazer uma tenda de couro de animal impuro, de modo que transmita a impureza da tenda? Mas não está escrito: “e peles de tachash” (Shemot 25:5), e o tachash não aparece entre os animais puros? Sobre o tachash discutiram Rabi Yudá, Rabi Nechemia e os rabanan (os Sábios). Rabi Yehudá diz: tiynon (violeta); pelo nome da sua cor foi chamado tachash. E Rabi Nechemia disse: glaktinan (azulado). E os rabanan dizem: era uma espécie de animal selvagem puro, e o seu crescimento foi no deserto. E vem de acordo com o que disseram Rabi Elazar beRabi Yossi, Rabi Abahu em nome de Rabi Shimon ben Lakish em nome de Rabi Meir: algo como uma espécie de animal selvagem puro criou o Santo, bendito seja, para Moshé no deserto; depois que fez com ela a obra do Mishkan, ela foi escondida. Rabi Avun disse: keresh era o seu nome. Ensinou Rabi Hoshaia: era um animal que tinha um só chifre, como está escrito: “E será melhor ao Eterno do que um touro, um novilho que tem chifres e unhas fendidas” (Tehilim 69:32): a palavra se lê “mikeren”, de um só chifre; assim o escreveu o Misericordioso.

03O retalho menor que três por três
Yerushalmi · Shabbat 2:3
תַּמָּן תַּנִּינָן. כָּל הַפָּחוּת מִשְּׁלשָׁה עַל שְׁלשָׁה שֶׁהִתְקִינוֹ לָפוֹק בּוֹ אֶת הַמֶּרְחָץ וּלְנַעֵר בּוֹ אֶת הַקְּדֵירָה וּלְקַנֵּחַ בּוֹ אֶת הָרֵיחַיִם בֵּין מִן הַמּוּכָן בֵּין שֶׁאֵין מִן הַמּוּכָן טָמֵא. דִּבְרֵי רִבִּי לִיעֶזֶר. רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר. אַף מַטְלֵית חֲדָשָׁה בֵּין מִן הַמּוּכָן בֵּין שֶׁאֵינוֹ מִן הַמּוּכָן טָהוֹר. רִבִּי עֲקִיבָה אוֹמֵר. מִן הַמּוּכָן טָמֵא וְשֶׁאֵינוּ מִן הַמּוּכָן טָהוֹר. מַה בֵּין הַמּוּכָן מַה בֵּין שֶׁאֵינוֹ מִן הַמּוּכָן. בֵּין שֶׁהֵכִינָהּ לְתוֹךְ הַבַּיִת בֵּין שֶׁהִשְׁלִיכָהּ לָאִישְׁפָּה. וְהָתְנָן. רִבִּי לִיעֶזֶר אוֹמֵר. אַף מַטְלִית חֲדָשָׁה כַּיּוֹצֵא בָהֶן. וְלֵית בַּר נַשׁ אָמַר. אַף אֲפִילוּ אֶלָּא עֲדִי מוֹדֵי עַל קַדְמִיתָא. בֵּין שֶׁהֵכִינָהּ לִטְלוֹתָהּ בֵּין שֶׁלֹּא הֵכִינָהּ לִטְלוֹתָהּ. הָדָא יַלְפָּא מִן הַהִיא וְהַהִיא יַלְפָּא מִן הָדָא. הָדָא יַלְפָּא מִן הַהִיא. דִּבְרֵי רִבִּי לִיעֶזֶר וְהוּא שֶׁקִּיפְּלָהּ. וְהַהִיא יַלְפָּא מִן הָדָא. כְּשֶׁלֹּא הֵכִינָהּ לִטְלוֹתָהּ. אֲבָל הֵכִינָהּ לִטְלוֹתָהּ טְמֵיאָה הִיא.

Lá ensinamos na Mishná: De todo retalho menor que três por três dedos que alguém preparou para tapar com ele a abertura do banho, e para sacudir com ele a panela, e para limpar com ele as mós, quer seja do preparado, quer não seja do preparado, o retalho é impuro; estas são palavras de Rabi Eliezer. Rabi Yehoshua diz: também um retalho novo, quer seja do preparado, quer não seja do preparado, é puro. Rabi Akiva diz: o do preparado é impuro, e o que não é do preparado é puro. Pergunta-se: que diferença há entre o preparado e o que não é do preparado? A diferença é entre tê-lo preparado e guardado dentro da casa e tê-lo lançado ao monturo. Mas não ensinamos na Mishná: “Rabi Eliezer diz: também um retalho novo é como eles”? E nenhum homem diz “também”, “mesmo”, senão quando concorda com o anterior, isto é, que o pano lançado ao monturo é puro. Antes, a diferença é entre tê-lo preparado para pendurá-lo e não o ter preparado para pendurá-lo. Esta Mishná aprende daquela, e aquela aprende desta. Esta aprende daquela: as palavras de Rabi Eliezer valem quando o dobrou para fazer dele um pavio. E aquela aprende desta: fala-se de quando não o preparou para pendurá-lo; mas se o preparou para pendurá-lo, o pavio é impuro, mesmo segundo Rabi Akiva.

04A razão de Rabi Eliezer: como quem purifica utensílios no Shabat
Yerushalmi · Shabbat 2:3
וּמַה טַעֲמֵיהּ דְּרִבִּי לִיעֶזֶר. נַעֲשֶׂה כִמְטָהֵר כֵּלִים בַּשַּׁבָּת. מִכֵּיוָן שֶׁקִּיפְּלָהּ לֹא טַהֳרָה. שֶׁכֵּן שַׁמָּשִׁים אוּמָנִין רוֹצִין בְּקִיפּוּלָהּ. וְלֹא מִבְּעוֹד יוֹם שֶׁהִיא טִהוֹרָה. רִבִּי לָעְזָר בְּשֵׁם רִבִּי הוֹשַׁעְיָה. מִפְּנֵי יוֹם טוֹב שֶׁחָל לִהְיוֹת בְּעֶרֶב שַׁבָּת. וְלֹא מֵאֵילֶיהָ הִיא טִהוֹרָה. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן. תִּיפְתָּר שֶׁהָיוּ בָהּ שָׁלֹשׁ עַל שָׁלֹשׁ מְצוּמְצָמוֹת.

E qual é a razão de Rabi Eliezer, que diz que não se acende com o pavio dobrado e não chamuscado? Quem acende com ele torna-se como quem purifica utensílios no Shabat, pois o pano, ao arder, perde a medida e a impureza. Pergunta-se: desde que o dobrou, não se tornou puro? Não, porque os servidores profissionais desejam-no em seu dobramento, e assim o pano dobrado continua útil. Pergunta-se ainda: e não se torna puro enquanto ainda é dia, quando se começa a acendê-lo? Rabi Elazar respondeu em nome de Rabi Hoshaia: proibiu-se por causa de um Yom Tov que cai na véspera do Shabat, quando a purificação se daria no Yom Tov. Pergunta-se: e não se torna puro por si mesmo, enquanto arde? Disse Rabi Yossi beRabi Bun: explica-o no caso em que havia nele três por três exatos, de modo que, ao acendê-lo, ele próprio o diminui da medida.

05O mazor, a halachá como Rabi Yehoshua e a palavra de Rav
Yerushalmi · Shabbat 2:3
רִבִּי אָחָא רִבִּי סִימוֹן בְשֵׁם רִבִּי שִׁמְעוֹן נְזִירָא. עֲשָׂאָהּ מָזוֹר טְהוֹרָה. שְׁרָיָיהּ בַּשֶׁמֶן לֹא כְמִי שֶׁעֲשָׂאָהּ מָזוֹר. רִבִּי זְעִירָה רִבִּי יַנַּאי רִבִּי יִרְמְיָה בְשֵׁם רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בָּן לֵוִי. נִרְאִין דְּבָרִים שֶׁתְּהֵא הֲלָכָה כְּרִבִּי עֲקִיבָא. שֶׁהוּא אוֹמֵר מֵעֵין שְׁנֵיהֶן. וְאֵינָהּ אֶלָּא כְּרִבִּי יְהוֹשֻׁעַ מִקּוּלֵּי שָׁלֹשׁ עַל שָׁלֹשׁ. לֹא סוֹף דָּבָר טָהֹרָה אֶלָּא אֲפִילוּ טְמֵיאָה. בְּגִין רַב. דְּרַב אָמַר. מַסִּיקִין בְּכֵלִים וְאֵין מַסִּיקִין בְּשִׁיבְרֵי כֵלִים.

Rabi Acha, Rabi Simon em nome de Rabi Shimon Nezira (o nazir): se fez do pano um mazor (curativo), ele é puro. Se o embebeu no óleo, isso não é como quem o fez mazor? Rabi Zeira, Rabi Yannai, Rabi Yirmeyá em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: parecem acertadas as palavras de que a halachá seja como Rabi Akiva na Mishná do retalho, que diz algo semelhante às opiniões de ambos; mas a halachá não é senão como Rabi Yehoshua, porque aquilo é das leniências da medida de três por três. Não se diz somente que se acende com o pavio puro, mas mesmo com o impuro; e a Mishná disse “puro” por causa de Rav, pois Rav disse: aquece-se o forno com utensílios, e não se aquece com fragmentos de utensílios.

Nota

Esta é a terceira halachá do Perek Bet de Massechet Shabbat, Bameh Madlikin, que corresponde à Mishná Shabbat 2:3 da Mishná avulsa. A halachá anterior terminou com a baraita de Rabi Shimon ben Elazar: não se acende com tzori, porque é resina. A Mishná desta halachá passa dos óleos para a matéria do pavio: de tudo o que sai da árvore só se acende com o linho, e só o linho, entre os produtos da árvore, recebe tumat ohalim, a impureza que o morto transmite a quem e ao que estão sob a mesma tenda (Bamidbar 19:14). Depois vem a disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Akiva sobre o pavio feito de um pano dobrado e ainda não chamuscado. No Bavli, a primeira parte desta Mishná está em Shabbat 27b, e a disputa sobre o pavio, em Shabbat 28b.

Na seção 01, o versículo é Shemot 27:20, sobre a lâmpada do Mishkan, que devia arder continuamente; Penei Moshe explica que os Sábios avaliaram que só o linho produz uma chama capaz de cumprir esse versículo, e que esta é a razão da Mishná. O nome do autor está escrito “Rabi Shimon bar Rav Yitzchak”; Guggenheimer propõe ler Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak; traduzimos o nome tal como está no hebraico. A baraita de Rabi Shimon ben Elazar está na Tosefta Shabbat 2:4 e no Bavli, Shabbat 26a: os tecidos de fibras da árvore, exceto o linho, não recebem impureza na medida de três por três dedos, e por isso podem cobrir a sucá, que não se cobre com o que recebe impureza. Rabi Yossi compara-os aos tecidos grossos e macios da Mishná Kelim 28:8, que também não recebem impureza nessa medida. Na frase de Rabi Yossi falta a conjunção “e” entre “grossos” e “macios”, e na citação a primeira palavra está escrita “ha’achim” em vez de “ha’avim”, como na Mishná; traduzimos segundo a Mishná.

A prova de Rabi Elazar mostra que o shesh, o tecido das cortinas do Mishkan (Shemot 26:1), é linho; e o Mishkan é chamado tenda, de modo que o linho é tenda e recebe tumat ohalim. A cadeia é concisa. Em Shemot 39:28, entre as vestes dos cohanim, aparecem “os turbantes, pa’arei hamigba’ot, de shesh”; e em Yechezkel 44:18 está escrito que os “pa’arei pishtim”, turbantes de linho, estarão sobre a cabeça dos cohanim. Assim, o shesh do Mishkan aprende-se do shesh das vestes; o shesh das vestes, dos pa’arei do mesmo versículo; e os pa’arei de Shemot, dos pa’arei de Yechezkel, que são de linho. É a explicação de Penei Moshe. Guggenheimer remete o versículo dos turbantes a Yechezkel 44:16; o versículo correto, conferido, é Yechezkel 44:18. No Bavli, Shabbat 27b–28a, Rabi Elazar chega ao mesmo resultado por outro caminho: compara a palavra “ohel”, tenda, do morto, “adam ki yamut be’ohel” (Bamidbar 19:14), com a palavra “ohel” do Mishkan, “vayifros et ha’ohel al hamishkan” (Shemot 40:19), e a tenda do Mishkan era de linho. Também no Bavli, Shabbat 27b, Mar Zutra prova que o linho se chama “árvore” pelo versículo “bepishtei ha’etz”, nos linhos da árvore (Yehoshua 2:6).

A seção 02 traz a pergunta de Rabi Elazar: o couro de animal impuro forma uma tenda que recebe e transmite a impureza do morto? A dificuldade é que a cobertura do Mishkan, a tenda por excelência, era de peles de tachash (Shemot 25:5), e o tachash não aparece entre os animais puros. Por isso a guemará traz a disputa sobre o que era o tachash. Para Rabi Yehudá e Rabi Nechemia, tachash é o nome de uma cor: tiynon, que Guggenheimer identifica com o grego para violeta, e glaktinan, segundo ele uma cor azul-acinzentada; para eles, explica Penei Moshe, eram animais impuros chamados pela cor. Os rabanan dizem que era um animal selvagem puro que cresceu no deserto, e assim ensina também Rabi Meir: foi criado para Moshé e escondido depois da obra do Mishkan. O primeiro nome aparece como “Rabi Yudá” no título da disputa e como “Rabi Yehudá” logo depois; é o mesmo sábio, e conservamos as duas grafias. Na cadeia de transmissão, Guggenheimer propõe ler “Rabi Abahu em nome de Rabi Elazar beRabi Yossi”; traduzimos a ordem do hebraico. O versículo de Tehilim 69:32 diz “makrin mafris”, que tem chifres e unhas fendidas; no texto massorético, “makrin” está escrito sem yod e pode ser lido “mikeren”, de um só chifre: é o que quer dizer “mikeren escreveu o Misericordioso”. No hebraico desta edição, o versículo traz “makrin” com yod e “umafris” com vav. O Bavli, Shabbat 28a–28b, traz a pergunta de Rabi Elazar; a disputa de Rabi Yehudá e Rabi Nechemia sobre as coberturas do Mishkan; o ensinamento de Rabi Meir, transmitido por Rabi Ilaa em nome de Rabi Shimon ben Lakish, sobre o tachash que tinha um só chifre e foi escondido; a observação de Rav Nachman bar Yitzchak de que “makren” está escrito sem yod; e o keresh, animal selvagem de um só chifre.

A seção 03 cita a Mishná Kelim 28:2, sobre o retalho menor que três por três dedos preparado para tapar o buraco do banho, para segurar e sacudir a panela ou para limpar as mós. No hebraico desta edição, as palavras de Rabi Yehoshua trazem “af matlit chadashá”, também um retalho novo, que não estão na Mishná Kelim 28:2; Penei Moshe diz que são erro de cópia, e Guggenheimer, que vieram da citação seguinte, a Mishná Kelim 27:12. Traduzimos o hebraico tal como está. A guemará explica primeiro “preparado” e “não preparado” como a diferença entre guardá-lo em casa e lançá-lo ao monturo; mas objeta da Mishná Kelim 27:12, onde Rabi Eliezer diz “também um retalho novo é como eles”: quem diz “também” concorda com o que veio antes, e ali se ensinou que o pano lançado ao monturo se torna puro. Por isso a diferença é entre tê-lo preparado para pendurá-lo e não o ter preparado. “Litlotá”, escrito com tet, significa aqui pendurá-lo, como explica Penei Moshe. A frase final harmoniza as duas Mishnayot, segundo Penei Moshe: a Mishná de Kelim aprende da nossa que Rabi Eliezer fala de um pano que tinha três por três e foi dobrado para fazer um pavio; e a nossa aprende da de Kelim que fala de quando não o preparou para pendurá-lo. O Bavli, Shabbat 29a–29b, traz a mesma Mishná de Kelim: quem lançou o retalho ao monturo, todos concordam que é puro; quem o guardou numa caixa, todos concordam que é impuro; discutem quando o pendurou num cabide ou o deixou atrás da porta.

A seção 04 explica por que Rabi Eliezer proíbe acender com o pavio: o pano, ao queimar, deixa de ter a medida que recebe impureza, e quem o acende torna-se como quem purifica utensílios no Shabat. Seguimos Penei Moshe na estrutura de perguntas e respostas. À primeira pergunta, se o dobrar já não o purificou, responde-se que os servidores profissionais querem o pano dobrado, e por isso o dobrar não lhe tira a condição de objeto útil; Guggenheimer lê essa frase como afirmação e entende o dobrar como o torcer dos fios do pavio. A segunda pergunta é que se acende ainda de dia, e a purificação acontece antes do Shabat; responde Rabi Elazar em nome de Rabi Hoshaia que se proibiu por causa de um Yom Tov que cai na véspera do Shabat, quando também é proibido purificar um utensílio. A terceira pergunta é que o pavio se purifica por si mesmo, enquanto arde; responde Rabi Yossi beRabi Bun que se trata de um pano com exatamente três por três dedos, que perde a medida assim que se acende. O Bavli, Shabbat 28b, traz as duas respostas juntas: disse Rabi Elazar em nome de Rav Oshaya que se trata de três por três exatos e de um Yom Tov que cai na véspera do Shabat.

Na seção 05, Rabi Shimon Nezira ensina que, se fez do pano um mazor, ele é puro. Guggenheimer entende mazor como curativo, uma atadura com remédio que já não serve como pano, e lê a pergunta seguinte assim: quem embebe o pavio no óleo já o purificou antes do Shabat, e a razão de Rabi Eliezer não se aplica. Penei Moshe entende mazor como uma faixa que serve a um utensílio e lê a pergunta ao contrário: embeber o pavio no óleo é como fazer dele mazor, e assim a pessoa o purifica com as próprias mãos. Traduzimos a pergunta literalmente, sem decidir entre as duas leituras. Segundo Guggenheimer, o fragmento da Genizá lê “filho de Rabi Shimon Nezira”. Rabi Yehoshua ben Levi refere-se à Mishná Kelim 28:2: seria razoável que a halachá seguisse Rabi Akiva, que adota em parte a opinião de Rabi Eliezer e em parte a de Rabi Yehoshua, mas ela segue Rabi Yehoshua, porque a medida de três por três é tratada com leniência. No Bavli, Shabbat 29a, Rav Hamnuna diz de modo semelhante que ali se fala de menos de três por três, “das leniências dos retalhos”. A última frase explica a Mishná: segundo Rabi Akiva, acende-se com o pavio mesmo que seja impuro; a Mishná diz “puro” por causa de Rav, que proíbe queimar fragmentos de utensílios, para ensinar que o pavio não é tratado como fragmento. A frase de Rav está no Bavli, Shabbat 29a: “Disse Rav Yehudá em nome de Rav: aquece-se com utensílios e não se aquece com fragmentos de utensílios, palavras de Rabi Yehudá.” A Mishná seguinte, Shabbat 2:4, começa: “Não fure uma pessoa uma casca de ovo.”

Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi escreve “ribi Liezer” em vez de “rabi Eliezer”, “tumat ohalim” com vav, “shekipelá” e “hivhavá” com yod, e não traz a palavra “hi” depois de “teme’á” e de “tehorá”, que o Bavli traz. Na seção 01, a abreviação “kul’”, que traduzimos “etc.”, indica que a citação da Mishná continua; “shalosh” aparece escrito sem vav e com vav na mesma frase. Na seção 03, Rabi Akiva é escrito com he final, e “tinan” e “tenan” são as formas da Terra de Israel e da Babilônia para “ensinamos”. Na seção 05, Rabi Zeira é escrito com he final.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz “tiynon” e “glaktinan” por “violet” e “blue”, e “mazor” por “bandage”. Na seção 03, ele põe entre parênteses “also a new rag” nas palavras de Rabi Yehoshua; o hebraico não tem parênteses, e nós traduzimos sem marcas e explicamos aqui. Na seção 04, ele lê “mikeivan shekipelá lo tahará” como afirmação; nós, com Penei Moshe, como pergunta. Ele remete os turbantes a Yechezkel 44:16, e nós corrigimos para 44:18. Ele cita a Mishná Kelim 28:2 para o mazor, mas essa Mishná não fala de mazor, e não encontramos a frase de Rabi Shimon Nezira em nenhuma Mishná.