Talmud Yerushalmi · Massechet Orlá · Perek Guimel · Halachá 5
עָרְלָה

As coisas que santificam a mistura sem se anular

Perek Guimel, Halachá 5, no Talmud Yerushalmi, Massechet Orlá

Quinta halachá do Perek Guimel de Massechet Orlá: a Mishná enumera as coisas que santificam a mistura sem se anular, isto é, as nozes de Perech, as romãs de Badan, os barris fechados, as raízes de acelga, os talos de repolho e a abóbora grega, e Rabi Akiva acrescenta os pães do dono de casa; cada uma santifica conforme for própria para orlá ou para kil’ei hakerem. A guemará pergunta sobre as amêndoas de Perech; restringe a regra ao barril fechado misturado entre fechados, com a explicação de Rabi Zeira sobre o barril aberto para o lojista e fechado para o dono de casa; inclui na abóbora grega as abóboras e cabaças que se comem; e explica, com Rabi Yossi, por que a Mishná não menciona a terumá.

A Mishná · מַתְנִיתִין

וְאֵילּוּ הֵן אֱיגוֹזֵי פֶרֶךְ וְרִימּוֹנֵי בָדָן. וְחָבִיּוֹת סְתוּמוֹת. וְחוּלְפוֹת תְּרָדִין. וְקוּלְסֵי כְרוּב וּדְלַעַת יְוָנִית. רִבִּי עֲקִיבָה אוֹמֵר אַף כִּכָּרוֹת שֶׁלְבַּעַל הַבַּיִת. הָרָאוּי לְעָרְלָה עָרְלָה לְכִלְאֵי הַכֶּרֶם כִּלְאֵי הַכֶּרֶם.

Mishná: E estas são as seis coisas que santificam a mistura sem se anular: as nozes de Perech, isto é, as de casca quebradiça, e as romãs de Badan, e os barris de vinho fechados, e as raízes de acelga, e os talos de repolho, e a abóbora grega. Rabi Akiva diz: também os pães do dono de casa, isto é, os assados em casa e não feitos para o comércio. Aquilo que é próprio para ser proibido como orlá (o fruto das árvores nos três primeiros anos) santifica como orlá; aquilo que é próprio para kil’ei hakerem (as misturas proibidas de sementes na vinha) santifica como kil’ei hakerem.

A Halachá · הֲלָכָה ה

01As amêndoas de Perech
Yerushalmi · Orlá 3:5
רִבִּי יוֹנָה בָעֵי. הָא שְׁקֵידֵי פֶרֶךְ לֹא.

Halachá: Rabi Yoná perguntou: se a Mishná menciona somente as nozes de Perech, então as amêndoas de Perech, isto é, as de casca quebradiça, não santificam a mistura?

02Os barris fechados e os abertos
Yerushalmi · Orlá 3:5
מַתְנִיתָא בִּסְתוּמָה בֵּין הַסְּתוּמוֹת. אֲבָל סְתוּמָה בֵּין הַפְּתוּחוֹת וְנִפְתְּחָה אוֹ פְתוּחָה בֵּין הַסְּתוּמוֹת וְנִסְתְּמָה צְרִיכוֹת שִׁיעוּר אֶחָד. הֵיךְ אֶיפְשָׁר לִפְתוּחָה אֶצֶל הַסְּתוּמוֹת. אָמַר רִבִּי זְעִירָה. תִּיפְתָּר בִּפְתוּחָה אֶצֶל הַחֶנְוָונִי שֶׁהִיא כִסְתוּמָה אֶצֶל בַּעַל הַבַּיִת. וְהָתַנִּי וְנִסְתְּמָה. תִּיפְתָּר שֶׁחָזַר [בַּעַל הַבַּיִת] וּנְטָלָהּ.

A Mishná trata de um barril fechado que se misturou entre os barris fechados. Mas um barril fechado entre os abertos, que depois foi aberto, ou um aberto entre os fechados, que depois foi fechado, precisam de uma medida de anulação, isto é, anulam-se na proporção habitual, como qualquer outra mistura. Como é possível que haja um barril aberto junto aos fechados? Disse Rabi Zeira: explica-se o caso com um barril aberto aos olhos do lojista, que é como fechado aos olhos do dono de casa. Mas não se ensinou: “e foi fechado”? Explica-se o caso quando o dono de casa voltou e o tomou de volta.

03As abóboras que comemos
Yerushalmi · Orlá 3:5
רִבִּי קְרִיסְפָּא בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. כָּל אִילֵּין קִירָיָיא וְקִרְוָותָא דַאֲנָן אָכְלִין דְּלַעַת יְוָונִית אִינּוּן.

Rabi Krispa disse em nome de Rabi Yochanan: todas essas abóboras e cabaças que nós comemos são da espécie da abóbora grega mencionada na Mishná.

04Por que não se menciona a terumá
Yerushalmi · Orlá 3:5
רִבִּי יוֹנָה בָּעֵי. וְלָמָּה לֵי נָן אָמְרִין הָרָאוּי לִתְרוּמָה. אָמַר לֵיהּ רִבִּי יוֹסֵי תְּרוּמָה נוֹהֶגֶת בַּכֹּל. עָרְלָה אֵינָהּ נוֹהֶגֶת בַּכֹּל.

Rabi Yoná perguntou: e por que não dizemos também: aquilo que é próprio para terumá (a porção separada para o sacerdote) santifica como terumá? Disse-lhe Rabi Yossi: a terumá vigora em tudo, isto é, em todos os produtos da terra; a orlá não vigora em tudo, mas somente nos frutos das árvores, e por isso a Mishná precisou distinguir o que é próprio para orlá do que é próprio para kil’ei hakerem.

Nota

Esta é a quinta halachá do Perek Guimel de Massechet Orlá: a Mishná enumera as seis coisas que, segundo os sábios, santificam a mistura e não se anulam, isto é, as nozes de Perech, as romãs de Badan, os barris fechados, as raízes de acelga, os talos de repolho e a abóbora grega, às quais Rabi Akiva acrescenta os pães do dono de casa; e ensina que cada uma santifica conforme for própria para orlá ou para kil’ei hakerem. Corresponde ao restante da Mishná Orlá 3:7 da Mishná avulsa, continuando a lista anunciada no final da halachá anterior.

A guemará pergunta se as amêndoas de casca quebradiça ficam de fora da lista; restringe a regra dos barris fechados ao barril fechado que se misturou entre fechados, explicando com Rabi Zeira como um barril pode ser aberto para o lojista e fechado para o dono de casa; inclui na abóbora grega todas as abóboras e cabaças comuns; e explica por que a Mishná não fala da terumá, que vigora em todos os produtos, enquanto a orlá vale apenas para os frutos das árvores.

Algumas observações de leitura. Segundo Guggenheimer, as nozes de Perech são as de casca quebradiça, que dispensam quebra-nozes; as romãs de Badan vêm de Wadi Badya, entre Nablus e Damieh; e os três primeiros itens da lista podem ser orlá, enquanto os quatro últimos podem ser kil’ei hakerem. Na seção 01, ele entende que as amêndoas, por não constarem da Mishná, são vendidas a peso. Na seção 02, a medida de anulação seria um em cem para kil’ei hakerem e um em duzentos para orlá; o barril do dono de casa estaria de fato fechado, mas com um selo tão frágil que o lojista o considera aberto. Na seção 04, ele explica que a regra também se aplicaria ao produto não dizimado, mas que a expressão “conforme o caso” não cabe na terumá, que é uma obrigação sobre todos os produtos. O hebraico da seção 02 traz entre colchetes as palavras “o dono de casa”, mantidas como estão no texto.