Quarta halachá do Perek Guimel de Massechet Orlá: a Mishná ensina que quem tinha feixes de feno-grego de kil’ei hakerem deve queimá-los e, se se misturaram com outros, Rabi Meir diz que todos devem ser queimados, pois aquilo que costuma ser contado não se anula, enquanto os sábios dizem que se anulam em um e duzentos e que só seis coisas têm essa força, e Rabi Akiva diz sete. A guemará define quantas plantas formam um feixe; traz a divergência entre Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish sobre se, segundo Rabi Meir, são dez coisas ou todas as coisas que não se anulam; e confronta a primeira opinião com a Mishná de Kelim sobre as romãs de Badan e os alhos-porós de Geva, concluindo que as romãs de Badan, por serem estimadas, costumam ser contadas.
Mishná: Quem tinha feixes de feno-grego de kil’ei hakerem (as misturas proibidas de sementes na vinha, das quais é proibido inclusive tirar benefício): os feixes devem ser queimados. Se se misturaram com outros feixes, todos devem ser queimados; estas são as palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: eles se anulam em um e duzentos, e a mistura é permitida. Pois Rabi Meir dizia: aquilo que costuma ser contado um a um na venda santifica, isto é, torna proibida toda a mistura em qualquer quantidade, sem se anular. E os sábios dizem: a coisa só santifica se for uma das seis coisas apenas. Rabi Akiva diz: sete coisas.
Halachá: E quanto é um feixe de feno-grego, para que se diga que ele costuma ser contado? Vinte e cinco pés da planta. Disse Rabi Yoná: quatro delas formam um canteiro.
Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish divergem. Um disse: segundo as palavras de Rabi Meir, dez coisas santificam, isto é, não se anulam numa mistura. E o outro disse: segundo as palavras de Rabi Meir, todas as coisas que costumam ser contadas santificam. Rabi Yaakov bar Achá disse isto como uma tradição recebida. Uma Mishná diverge daquele que diz que, segundo as palavras de Rabi Meir, dez coisas santificam, pois aprendemos ali: “Disse Rabi Yudá: as romãs de Badan e os alhos-porós de Geva só foram mencionados para que sejam dizimados como produto certamente não dizimado em todo lugar.”
E todas as demais romãs não costumam ser contadas? Não é assim; antes, as romãs de Badan, por serem estimadas, costumam ser contadas, e todas as demais romãs, por não serem estimadas, não costumam ser contadas.
Esta é a quarta halachá do Perek Guimel de Massechet Orlá: a Mishná ensina que feixes de feno-grego de kil’ei hakerem devem ser queimados e, se se misturaram com outros, segundo Rabi Meir todos devem ser queimados, porque aquilo que costuma ser contado não se anula, enquanto os sábios dizem que se anulam em um e duzentos e que só seis coisas santificam, e Rabi Akiva diz sete. Corresponde à Mishná Orlá 3:6 e ao início da Mishná Orlá 3:7 da Mishná avulsa; a lista das seis coisas vem na halachá seguinte.
A guemará define quantas plantas formam um feixe; traz a divergência entre Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish sobre a opinião de Rabi Meir, se são dez coisas ou todas as coisas que costumam ser contadas que santificam, com a observação de Rabi Yaakov bar Achá de que isso é uma tradição recebida; confronta a primeira opinião com a Mishná de Kelim sobre as romãs de Badan e os alhos-porós de Geva; e conclui que as romãs de Badan, por serem estimadas, costumam ser contadas, ao contrário das demais.
Algumas observações de leitura. Segundo Guggenheimer, o feno-grego nunca é vendido por unidade em quantidade menor que um feixe, e a definição do feixe na seção 01 vem de Terumot 10:5, onde quem fala é Rabi Yochanan, e não Rabi Yoná; ele entende “quatro delas por canteiro”. Na seção 02, as dez coisas seriam, segundo ele, as seis da Mishná seguinte somadas aos casos das Mishnayot anteriores deste perek; e a Mishná citada é a de Kelim 17:5, onde o texto da Mishná traz o nome de Rabi Yossi no lugar de Rabi Yudá. Guggenheimer explica que Badan e Geva ficavam na Samaria e que, como os samaritanos não separavam os dízimos dessas frutas, os seus produtos eram considerados certamente não dizimados. O hebraico da seção 02 diz חֲצִירֵי, alhos-porós, como no texto de Kelim.