Quarta halachá do Perek Alef de Massechet Orlá: a Mishná ensina que, se uma muda de orlá ou de kilei hakerem se misturou com outras mudas, não se deve colher os frutos; e que, se alguém colheu, os frutos proibidos se anulam na proporção de um para duzentos, desde que não tenha tido a intenção de colher para anulá-los, enquanto Rabi Yossi permite até com intenção. A guemará fixa a leitura da Mishná; traz a opinião de Chizkiyá, segundo a qual se colhem três cachos e se permite o restante, e a compara com os barris abertos de Rabi Hoshaya; distingue entre colher três cachos e colher todos; trata das romãs de Badan e da anulação no solo; explica a razão de Rabi Yossi; e termina com a terumá moída e a diferença entre Rabi Yossi e os rabinos.
Mishná: Uma muda de orlá (dos três primeiros anos da árvore) e uma muda de kilei hakerem (mistura proibida na vinha) que se misturaram com outras mudas: eis que o dono não deve colher os frutos. E, se colheu, os frutos proibidos se anulam na proporção de um para duzentos, desde que não tenha tido a intenção de colher para anulá-los. Rabi Yossi diz: pode ter a intenção e colher, e eles se anulam na proporção de um para duzentos.
Halachá: “Uma muda de orlá, uma muda de kilei hakerem”? E acaso não é verdade que nenhuma das mudas de árvore constitui kilayim (mistura proibida) na vinha? Assim deve ser lida a Mishná: “um canteiro de kilei hakerem”. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: trata-se do caso em que alguém trouxe um vaso perfurado com uma muda e o passou por baixo da videira, e por isso a muda se tornou kilayim.
Rabi Shimon ben Lakish, em nome de Chizkiyá: o dono colhe três cachos e os trata como proibidos, e assim permite o restante. A linha de raciocínio de Rabi Shimon ben Lakish se inverteu! Ali, no tratado de Terumot, ele disse em nome de Rabi Hoshaya: se havia diante dele cento e cinquenta barris, um dos quais era de terumá, e se abriram, cem são permitidos e cinquenta são proibidos, e o restante, quando se abrirem, será permitido. Disse Rabi Zeira: não disseram senão “quando se abrirem”; logo, abri-los de início com intenção é proibido. E aqui ele diz assim, que se colhem três cachos de início? Ali ele falou em nome de Rabi Hoshaya, e aqui, em nome de Chizkiyá. E dizem ali, na Babilônia, em nome de Rabi Shimon ben Lakish: o dono abre três barris e assim permite o restante. E isso vem de acordo com a opinião de Chizkiyá daqui.
Mas não ensinamos: “eis que não deve colher”? Isso se refere ao fato já consumado. Mas não ensinamos também: “se colheu, os frutos proibidos se anulam na proporção de um para duzentos”? Disse Rabi Yossi beRabi Bun: aqui se trata do caso em que colheu três cachos, e ali, do caso em que colheu todos eles.
Foi ensinado: as romãs de Badan, cujo caso de dúvida se anula, e cujo caso certo não se anula. Também no solo é assim: o caso de dúvida no solo se anula, mas o solo em si não anula. Como é isso? Uma muda de orlá e uma muda de kilei hakerem que se misturaram com outras mudas: mesmo nesse caso, a dúvida no solo se anula, mas o solo em si não anula. Rabi Yudan perguntou: também quanto à nevelá (a carcaça do animal não abatido ritualmente) é assim? Rabi Yudan voltou atrás e disse: a nevelá não tem anulação; o solo tem anulação.
“Rabi Yossi diz: pode até ter a intenção e colher, e os frutos proibidos se anulam na proporção de um para duzentos.” Qual é a razão de Rabi Yossi? Porque é costume das pessoas desbastar as videiras, e assim a colheita não é feita para anular o proibido.
Ali ensinamos: “Uma seá (medida de volume) de terumá que caiu em cem seás de produto comum, e alguém os moeu, e diminuíram: assim como diminuiu o chulin (o produto comum), assim diminuiu a terumá, e a mistura é permitida.” Foi ensinado: pode até ter a intenção e colher, e os frutos proibidos se anulam na proporção de um para duzentos. Disse Rabi Zeira: essa Mishná é a opinião de todos, pois é costume dos cohanim moer meduma (produto misturado com terumá) dentro das suas casas. O que resulta de diferença entre eles? O caso dos kilei hakerem: segundo a opinião de Rabi Yossi, mói-se e assim se permite; segundo a opinião dos rabinos, não se mói para permitir.
Esta é a quarta halachá do Perek Alef de Massechet Orlá: a Mishná trata da muda de orlá ou de kilei hakerem que se misturou com outras mudas, proíbe colher os frutos e ensina que, se alguém os colheu, eles se anulam na proporção de um para duzentos, desde que não tenha havido intenção de anulá-los; Rabi Yossi permite até com intenção. Corresponde à Mishná Orlá 1:6 da Mishná avulsa.
A guemará corrige a leitura da Mishná para um canteiro de kilei hakerem, já que as mudas de árvore não são kilayim na vinha; discute a opinião de Chizkiyá, de colher três cachos e permitir o restante, diante dos cento e cinquenta barris de Rabi Hoshaya; distingue entre colher três cachos e colher todos; aplica a regra das romãs de Badan às mudas plantadas no solo e à nevelá; explica a razão de Rabi Yossi pelo desbaste das videiras; e termina com a terumá moída e a diferença entre Rabi Yossi e os rabinos.
Algumas observações de leitura. Na seção 01, o hebraico repete entre parênteses um trecho da frase, marca editorial que foi mantida no hebraico e traduzida uma só vez. Na seção 02, a última atribuição traz no hebraico Rabi Shimon ben Lakish, que a tradução de Guggenheimer lê como Chizkiyá; seguimos o hebraico. A seção 06 reproduz uma passagem paralela do Yerushalmi sobre a Mishná Terumot 5:9; ali se ensina que se pode moer até de início para permitir, e que esse ensinamento é de Rabi Yossi; a edição de Guggenheimer restitui esse trecho, mas aqui traduzimos o hebraico tal como está. O texto da Mishná no Yerushalmi não traz a palavra “até” na fala de Rabi Yossi, presente na Mishná avulsa e na citação da seção 05.