Primeira halachá do Perek Heh de Massechet Maasrot, abrindo o quinto e último capítulo do tratado: a Mishná ensina que quem arranca mudas do seu próprio terreno e as replanta no seu próprio terreno está isento do dízimo; quem comprou produto ainda ligado ao solo está isento; e quem colheu para enviar ao seu amigo está isento — mas Rabi Lazar ben Azariá diz que, se há produto semelhante vendido no mercado, fica obrigado. Quem arranca nabo e rabanetes do seu terreno e os replanta no seu próprio terreno para semente fica obrigado, porque isso é a sua eira; as cebolas que criaram raízes no sótão tornaram-se puras e já não podem se tornar impuras; mas se um desmoronamento caiu sobre elas e ficaram descobertas, são consideradas como plantadas no campo.
A guemará abre com Rabi Abbahu em nome de Rabi Shimon ben Lakish identificando a halachá com a opinião de Rabi Akivá sobre tirar grão da eira e semear, e com Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan estendendo-a a todos; explica a diferença entre o trigo, que tem outra eira, e as mudas, o nabo e os rabanetes, que não têm. Discute o caso de quem colhe para enviar a um amigo — Rav proíbe comer, com a explicação de Rabi Shammai em nome de Rabi Acha e a prova de Rabi Mana a partir da compra de produto ligado ao solo; traz o ensino de Rabi Yudá em nome de Rabi Lazar ben Azariá sobre azeitonas do lagar, mudas e feixes de feno-grego enviados como tevel, e Rabi Shimon ben Lakish estendendo a obrigação até entre chaverim. Segue tratando da equivalência entre semear para semente, abandonar (hefker) ou replantar fora da Terra, com a objeção da peá e a distinção entre a raiz e o crescimento futuro. Traz a disputa entre Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish sobre se o tevel se anula pela maioria, com a objeção de Rabi Aba bar Cohen a partir das azeitonas e uvas dos pobres, e a resposta de Rabi Mana. Traz a divergência entre Rabi Mana e Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan sobre se a obrigação vale só para semente ou também para comer, com a razão de Rabi Chanina sobre a transferência entre os anos do dízimo. Discute as cebolas enraizadas retiradas no Shabat, com o ensino de Rabi Yochanan em nome de Rabi Yanai, a pergunta de Rabi Shimon ben Lakish, e a réplica de Rabi Zeirá e Rabi Maisha sobre o ano sabático. Traz a distinção entre as cebolas enraizadas no cesto, que mantêm sua impureza, e no sótão, que a perdem, com a explicação de Rabi Yossei em nome de Rabi La a partir do versículo de Levítico sobre a pureza das sementes. E fecha com a disputa entre os tanaítas sobre quem transgride e arranca as cebolas no Shabat, e a posição de Rabi Shimon ben Lakish de que fica obrigado.
Mishná: Quem arranca mudas do seu próprio terreno e as replanta no seu próprio terreno está isento. Quem comprou produto ligado ao solo está isento. Quem colheu para enviar ao seu amigo está isento. Rabi Lazar ben Azariá diz: se há produto semelhante a elas vendido no mercado, eis que estas ficam obrigadas.
Quem arranca nabo e rabanetes do seu próprio terreno e os replanta no seu próprio terreno para semente fica obrigado, porque isso é a sua eira. As cebolas que criaram raízes no sótão tornaram-se puras, deixando de poder se tornar impuras. Se caiu sobre elas um desmoronamento e ficaram descobertas, eis que estas são como se estivessem plantadas no campo.
"Quem arranca mudas do seu próprio terreno..." etc. Disse Rabi Abbahu em nome de Rabi Shimon ben Lakish: esta halachá é segundo Rabi Akivá — pois ensinamos ali: "toma o grão da eira e semeia, e fica isento dos dízimos até que o alise" — palavras de Rabi Akivá. Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan: é a opinião de todos. Os sábios concordam com Rabi Akivá quanto às mudas.
Qual é a diferença entre o trigo e as mudas? O trigo tem o fim do processamento já realizado; as mudas não têm o fim do processamento. Rabi Akivá concorda com os sábios quanto ao nabo e aos rabanetes, porque eles se deterioram rapidamente, e o trigo não se deteriora. Objetaram: o trigo tem outra eira futura, quando alisado; estes não têm outra eira.
"Quem colheu para enviar ao seu amigo está isento." Disse Rav: ele o remetente está proibido de comer. Disse Rabi Shammai diante de Rabi Yossei, em nome de Rabi Acha: o que disse Rav é quando o destinatário o levou a um pátio guardado, segundo Rabi Meir. Disse Rabi Mana: a nossa Mishná ensina isso — "quem comprou produto ligado ao solo está isento"; logo, uma vez colhido, fica obrigado. Quem sustenta que a compra sujeita a tevel mesmo frutos cujo processamento não se completou? Não é Rabi Meir? Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan: é a opinião de Rabi Yudá.
E assim se ensina: Rabi Yudá diz em nome de Rabi Lazar ben Azariá: também quem envia ao seu amigo azeitonas do lagar, mudas e feixes de feno-grego, não deve comer deles até que dizime, porque é costume das pessoas enviarem aos seus amigos produtos ainda em tevel nessas coisas. Disse Rabi Shimon ben Lakish: mesmo um chaver que enviou a um chaver precisa dizimar. Os colegas perguntaram: está bem quanto ao am haaretz (o não observante), que é suspeito; mas o chaver é suspeito? Disse Rabi Yossei: acaso o am haaretz, quanto à teruma, não é como um chaver? Antes, assim: as pessoas costumam enviar aos seus amigos produtos em tevel nessas coisas.
E não há diferença entre replantar para semente, para abandono (hefker), ou para fora da Terra de Israel. Ali ensinamos: "sempre dá do produto por causa da peá, e fica isento dos dízimos até que o alise." E aqui dizes assim que fica obrigado? Ali, ele abandona tudo; mas aqui ele abandona apenas o crescimento futuro. Mas não ensinamos também o caso de replantar fora da Terra? Fora da Terra é diferente, tanto quanto à parte original quanto quanto ao crescimento; aqui não há diferença entre a parte original e o crescimento.
Segundo a opinião de Rabi Shimon ben Lakish, que disse que o tevel se anula pela maioria, está bem esta halachá. Segundo a opinião de Rabi Yochanan, que disse que o tevel não se anula pela maioria, deveria esperar até que a planta cresça e dizimar por tudo de uma vez! Ou diremos: em que discordam Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish? Quanto ao tevel que se tornou tevel por palavra da Torá; mas quanto ao tevel que se tornou tevel por suas próprias palavras dos sábios, todos concordam que o tevel se anula pela maioria.
Objetou Rabi Aba bar Cohen diante de Rabi Yossei: mas não ensinamos, de modo semelhante: "azeitonas de colheita por sacudimento que se misturaram com azeitonas colhidas à mão pelos pobres, uvas de vindima com uvas de rabiscos deixados aos pobres" — e isso não é tevel que se tornou tevel por suas palavras? Disse Rabi Mana: eu sustentei isso referindo-o ao azeite de azeitonas de colheita que se misturou com azeite de azeitonas colhidas à mão.
Disse Rabi Mana: não ensinaram senão o caso de replantar para semente; logo, se replantar para comer, fica isento. Disse Rabi Chiya em nome de Rabi Yochanan: não há diferença entre replantar para semente ou para comer — fica obrigado, porque isso é a sua eira. Disse Rabi Chanina: porque ele os transfere do ano do segundo dízimo para o ano do dízimo do pobre, e do ano do dízimo do pobre para o ano do segundo dízimo.
Disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Yanai: um monte de cebolas que criou raízes — quem arranca delas no Shabat está isento dos dízimos, e isso porque ele não deseja o enraizamento delas. Disse-lhe Rabi Shimon ben Lakish: que relação tem o Shabat com os dízimos? Não ensinamos senão: "não se preocupa nem por causa de kilaim, nem por causa do ano sabático, nem por causa dos dízimos, e podem ser tiradas no Shabat"?
Disse Rabi Zeirá a Rabi Abbahu: vê o que ele disse! Ele não disse senão: "que relação tem o Shabat com os dízimos?" — mas quanto ao ano sabático, ele de fato se preocuparia, pois se ele desejasse o enraizamento delas, elas ficariam proibidas por causa de sêfichin (rebentos espontâneos do ano sabático); e se não, ficariam permitidas quanto a sêfichin. Disse Rabi Maisha a Rabi Zeirá: e essa é a objeção mais forte? Se tivesse ensinado sobre uma única cebola na mão, estaria bem.
Se criaram raízes no cesto, eis que ficam no seu estado anterior quanto aos dízimos e ao ano sabático, e se estavam impuras, não saíram da sua impureza. Se criaram raízes no sótão, eis que ficam no seu estado anterior quanto aos dízimos e ao ano sabático, mas se estavam impuras, saíram da sua impureza. Como assim "no seu estado anterior" e tu dizes "saíram"? Disse Rabi Yossei em nome de Rabi La: a Torá ampliou a pureza das sementes em crescimento. Qual é a razão? "Se cair algo da sua carcaça sobre qualquer semente que se costuma semear, pura ela é" (Levítico 11:37).
Ensina-se: "não deve arrancar." Se transgrediu e arrancou — há tanaítas que ensinam "fica obrigado", e há tanaítas que ensinam "está permitido." Quem diz "é proibido" depois permite? Quem diz "fica obrigado" depois isenta? Isso não faz sentido; portanto está bem que a versão correta não é "está permitido", pois não é necessário dizer isso, uma vez já dito "é proibido". Rabi Shimon ben Lakish disse: fica obrigado.
Esta é a primeira halachá do Perek Heh de Massechet Maasrot, abrindo o quinto e último capítulo do tratado: a Mishná ensina sobre quem replanta mudas, compra produto ligado ao solo, ou colhe para enviar a um amigo — com a ressalva de Rabi Lazar ben Azariá quanto a produto vendido no mercado —, sobre nabo e rabanetes replantados para semente, e sobre as cebolas que criaram raízes no sótão e se tornaram puras, ou que ficaram descobertas por um desmoronamento.
A guemará traz Rabi Abbahu e Rabi Chiya sobre a opinião de Rabi Akivá e a diferença entre trigo e mudas; Rav sobre o produto enviado a um amigo, com o ensino de Rabi Yudá em nome de Rabi Lazar ben Azariá e a extensão de Rabi Shimon ben Lakish entre chaverim; a equivalência entre semear, abandonar e replantar fora da Terra; a disputa entre Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish sobre o tevel anulado pela maioria, com a objeção de Rabi Aba bar Cohen; a divergência sobre semente ou comer, com a razão de Rabi Chanina; as cebolas retiradas no Shabat, discutidas por Rabi Shimon ben Lakish, Rabi Zeirá e Rabi Maisha; a pureza das cebolas enraizadas no sótão, segundo Rabi Yossei em nome de Rabi La; e fecha com a disputa dos tanaítas sobre quem transgride e arranca, e a posição de Rabi Shimon ben Lakish.
Com esta halachá, abre-se o Perek Heh de Massechet Maasrot, o último capítulo do tratado, que terá ao todo três halachot.