Quarta halachá do Perek Dalet de Massechet Maaser Sheni: a Mishná ensina que, se alguém tomou de outrem produto de segundo dízimo pelo valor de um sela e não teve tempo de resgatá-lo antes que o preço subisse para dois selas, dá-lhe um sela e lucra o outro, ficando o segundo dízimo com ele; e se o tomou pelo valor de dois selas e não teve tempo de resgatá-lo antes que o preço baixasse para um, dá-lhe um sela profano e um sela do seu próprio segundo dízimo. Se era um am haaretz, dá-lhe conforme o seu valor de mercado. Quem resgata o segundo dízimo sem declarar sua intenção — Rabi Yosei diz que basta, Rabi Yehudá diz que precisa explicitar; e o mesmo se aplica a quem fala com uma mulher sobre o seu divórcio e o seu noivado, e lhe dá o objeto de valor do noivado sem explicitar.
A guemará abre observando que a Mishná não segue Rabi Shimon ben Gamliel, para quem o próprio ato de tomar o produto já constitui o resgate do dízimo. Traz o ensino de que não se acrescenta o quinto sobre o segundo sela, segundo o princípio de Rabi Yochanan já citado na halachá anterior, e explica o que significa "precisar explicitar" com os exemplos do documento de divórcio e do noivado. Segue com o critério de Rav Hoshaayá, transmitido por Rabi Zeirá, Chiyá bar Bun Ada e bar Tachlifa, sobre quando a distração de atenção invalida um ato. A pergunta de Rabi Chaggai diante de Rabi Yosei traz um longo paralelo com a disputa de Rabi (Yehudá HaNassi) e Rabi Natan sobre a designação de agente para entregar o documento de divórcio, e a opinião de Rabi Chuná de que o mensageiro se torna agente de ambos os cônjuges. Fecha com a pergunta de Rabi Ezra diante de Rabi Maná sobre se o mesmo princípio de agência vale para um presente, e a história de Rabi Yosei com Rabi Yaakov bar Zavdi sobre quem pode voltar atrás de um presente prometido, citada em nome de Rabi Abahu e Rabi Yochanan.
Mishná: Se alguém tomou de outrem produto de segundo dízimo pelo valor de um sela, e não teve tempo de resgatá-lo até que o preço subisse para dois selas, dá-lhe um sela (de moeda profana) e lucra um sela, e o segundo dízimo é seu (pois o resgate só se completa no momento do pagamento, e o comprador se beneficia da alta). Se tomou de outrem produto de segundo dízimo pelo valor de dois selas, e não teve tempo de resgatá-lo até que o preço baixasse para um sela, dá-lhe um sela do seu dinheiro profano, e um sela do seu segundo dízimo (pois só pode dar um sela como resgate do dízimo, pelo preço atual; o restante do que deve, por força do acordo, paga em dinheiro profano que permanece profano). Se ele o vendedor era um am haaretz (pessoa não confiável quanto às leis de dízimo), dá-lhe conforme o seu valor de mercado (tudo em moeda profana, pois não se pode entregar dinheiro de segundo dízimo a um am haaretz).
Quem resgata o segundo dízimo e não declarou expressamente a sua intenção — pensou em resgatá-lo, mas não o disse em voz alta — Rabi Yosei diz: basta (o pensamento é suficiente). Rabi Yehudá diz: precisa explicitar. Se estava falando com uma mulher sobre os assuntos do seu divórcio ou do seu noivado, e lhe deu o objeto de valor destinado ao seu noivado, e não explicitou que era para o noivado — Rabi Yosei diz: basta. E Rabi Yehudá diz: precisa explicitar.
Halachá: A Mishná não segue Rabi Shimon ben Gamliel, pois ensinamos: Rabi Shimon ben Gamliel diz: o ato de tomar posse do produto (a meshichá, aquisição por tração) do segundo dízimo é sempre o seu próprio resgate (para ele, o preço fica travado no momento em que o produto é tomado, e a mudança posterior de preço não afeta mais nada, ao contrário do que ensina a Mishná aqui, que trata o pagamento efetivo do dinheiro como o momento decisivo do resgate).
Rabi Yosei em nome de Rabi Elazar: não se acrescenta o quinto sobre o segundo sela (o sela que permanece na mão do comprador, no primeiro caso da Mishná, pois esse sela nunca chega a ser dízimo do próprio vendedor). E Rabi Elazar ficou olhando fixamente para ele (sinal de estranheza, pois a tradição atribuída a ele soava incomum em sua própria boca). Disse-lhe: por que ficas olhando para mim? Também Rabi Hilá concorda com isto, conforme disse Rabi Yochanan: todo segundo dízimo em que nem ele nem o seu resgate são do mesmo dono, não se acrescenta o quinto (o mesmo princípio já citado na Halachá 4:3, aplicado aqui ao sela excedente).
O que significa "precisa explicitar"? Dizer: "este é o teu documento de divórcio", ou "este é o objeto de valor do teu noivado"; e aqui (no caso do dízimo), "isto é o resgate do segundo dízimo."
Rabi Zeirá, Chiyá bar Bun Ada, bar Tachlifa, em nome de Rav Hoshaayá: em que caso Rabi Yosei e Rabi Yehudá discordam (sobre a necessidade de explicitar)? Quando a atenção deles (do marido e da mulher) se desviou para outros assuntos entre a entrega e a declaração; mas se estavam ocupados o tempo todo com o mesmo assunto, é um documento de divórcio válido mesmo sem a declaração explícita — pois o contexto já deixa clara a intenção, e o mesmo se aplicaria ao resgate do dízimo.
Rabi Chaggai perguntou diante de Rabi Yosei: Rabi (Yehudá HaNassi) segue Rabi Yosei, e Rabi Natan segue Rabi Yehudá (quanto à necessidade de explicitar)? Pois ensinamos lá (Mishná Guitin 6:1): "não quero que a recebas por ela (diz o marido, quando o mensageiro relata que a esposa o nomeou para receber o documento em seu lugar, e o marido recusa essa designação); mas eis aqui, toma-o e dá-o a ela — se quiser retirá-lo antes da entrega, pode retirá-lo." A Mishná é de Rabi, pois se ensinou: "ela disse: traze-me o meu documento de divórcio; e ele o mensageiro foi, e o marido disse-lhe: a tua esposa disse: recebe para mim o meu documento de divórcio. Se disse: leva-o a ela, entrega-o a ela — se quiser retirá-lo, não pode retirá-lo, palavras de Rabi. Rabi Natan diz: se disse: leva-o a ela, entrega-o a ela — se quiser retirá-lo, pode retirá-lo; mas se disse: adquire-o para ela, recebe-o para ela — se quiser retirá-lo, não pode retirá-lo." Rabi diz: em todos esses casos não pode retirá-lo, a menos que lhe diga: não quero que o recebas por ela, mas que o leves a ela. E há uma dificuldade contra Rabi: eis que, pelas suas próprias palavras no primeiro caso citado, se quiser retirá-lo, não pode retirá-lo — contradizendo o que ele mesmo disse depois. E há uma dificuldade contra Rabi Natan: eis que, pelas suas próprias palavras, se quiser retirá-lo, não pode retirá-lo. Rabi Chuná disse: ele o mensageiro se torna agente dele e agente dela ao mesmo tempo. Issá disse: em todos os casos em que ensinamos "agente dele e agente dela", ela está divorciada e não está divorciada (o caso permanece em dúvida, e ela não pode se casar de novo sem um segundo documento). Disse-lhe: e o que tens em mãos para provar isso? E disse Rabi Zeirá, Chiyá bar Bun Ada, bar Tachlifa, em nome de Rav Hoshaayá: em que discordam? Quando a atenção deles se desviou para outros assuntos; mas se estavam ocupados o tempo todo com o mesmo assunto, é nisto que está a discordância.
Rabi Ezra perguntou diante de Rabi Maná: também quanto a um presente é assim (pode-se aplicar o mesmo princípio de agência)? Pode uma pessoa nomear um agente para receber algo que ainda não é seu (como no caso do produto dado de presente na eira, para depois ser dessacralizado — Mishná 4:3)? Disse-lhe: ali (no caso do divórcio) a Torá deu a ela o direito ao seu documento de divórcio, e por isso ela pode nomear um agente para receber algo que, por direito da Torá, já é dela. Podes dizer o mesmo quanto a um presente — que uma pessoa nomeie um agente para receber algo que ainda não é seu? E, além disso, disto que disse Rabi Yosei, Rabi Yaakov bar Zavdi, Rabi Abahu em nome de Rabi Yochanan: se alguém disse dar um presente ao seu próximo, e depois quis voltar atrás, pode voltar atrás (antes que o outro o receba, o que mostra que o beneficiário nada adquire apenas por lhe ser designado um agente). Levantou-se Rabi Yosei diante de Rabi Yaakov bar Zavdi e disse-lhe: e isto é "sim, é justo" (confirmas que esta é a halachá correta)? Disseram: no momento em que ele disse "sim, é justo", assim era a halachá.
Esta é a quarta halachá do Perek Dalet de Massechet Maaser Sheni: a Mishná trata de quem toma produto de segundo dízimo por um preço e não consegue resgatá-lo antes que o preço mude — subindo ou descendo —, do am haaretz a quem se paga apenas em moeda profana, e de quem resgata o dízimo, ou fala com uma mulher sobre divórcio e noivado, sem declarar expressamente a sua intenção.
A guemará observa que a Mishná não segue Rabi Shimon ben Gamliel, traz o princípio de que não se acrescenta o quinto sobre o segundo sela, explica o que significa "precisar explicitar" e o critério de Rav Hoshaayá sobre a atenção desviada para outros assuntos.
Fecha com a longa pergunta de Rabi Chaggai comparando a disputa de Rabi e Rabi Natan sobre a designação de agente para entregar o documento de divórcio, a opinião de Rabi Chuná de que o mensageiro se torna agente de ambos os cônjuges, e a pergunta de Rabi Ezra sobre se o mesmo vale para um presente, com a história de Rabi Yosei e Rabi Yaakov bar Zavdi sobre quem pode voltar atrás de um presente prometido.