Primeira halachá do Perek Dalet de Massechet Maaser Sheni, abrindo o quarto capítulo: a Mishná ensina que quem transporta produtos do segundo dízimo de um lugar caro para um lugar barato, ou de um lugar barato para um lugar caro, resgata-o segundo o preço do seu próprio lugar. Quem traz produtos da eira ou cântaros de vinho do lagar para a cidade — o excedente de valor pertence ao segundo dízimo, mas a despesa do transporte é sua. Resgata-se o segundo dízimo pelo preço baixo, como o lojista compra e não como ele vende, como o cambista troca moedas pequenas e não como ele reúne moedas grandes. E não se resgata o segundo dízimo por estimativa geral: o que tem preço conhecido é resgatado pela declaração de uma pessoa, e o que não tem preço conhecido, pela declaração de três — como o vinho que azedou, os frutos que apodreceram, e as moedas que enferrujaram.
A guemará abre com o ensino de Rabi Yoná de que transportar produtos do dízimo para resgatá-los onde é mais barato é, de início, proibido — mas não quando o produto ainda é tevel, como no caso de Rabi entre seus produtos daqui e os de Batanaia. Traz a distinção entre o preço que caiu e o que subiu, o demai de Abba Chilfai bar Kiryá, e o caso de Rabi Chiya bar Vava em Roma com as tâmaras de Nicolau. Discute quanto se pode lucrar no câmbio, entre o dinar daqui e o de Arbel, e que o resgate deve ser declarado em nome de comum, não em nome de segundo dízimo, e apenas da mesma espécie de produto. Traz o ensino de Rabi Chananya sobre os pepinos de Rabi para o governo, a disputa entre Rabi Yochanan e Rabi Yoná sobre partes cortadas, e o caso de Bar Kapara diante de Rabi Shimon bar Rabi. Segue com o limite de Rabi Yehoshua ben Levi de trinta e seis vezes o valor, o ensino de Rabi Chizkiya sobre a meia peruta, e a regra transmitida a Kama diante de Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish. Traz os exemplos de quem testemunha o preço baixo — o carpinteiro, o comerciante de trigo, Rabi Shamai e Rabi Yirmeya sobre a hora do dia mais barata — e o caso de Rabi Maná com o azeite levado a Acre. E fecha com o ensino de Rabi Yochanan sobre o resgate por três compradores, mesmo gentio, mesmo dono, e a distinção de Rabi Yoná.
Mishná: Quem transporta produtos do segundo dízimo de um lugar caro para um lugar barato, ou de um lugar barato para um lugar caro, resgata-o segundo o preço do seu próprio lugar (o lugar onde o resgate de fato acontece). Quem traz produtos da eira para a cidade, ou cântaros de vinho do lagar para a cidade, o excedente de valor (o acréscimo de preço que o produto ganha na cidade) pertence ao segundo dízimo, e a despesa do transporte é do seu próprio bolso.
Resgata-se o segundo dízimo pelo preço baixo — como o lojista compra, não como ele vende; como o cambista troca moedas pequenas, não como ele reúne moedas grandes.
Não se resgata o segundo dízimo por estimativa geral (em bloco, sem avaliar cada item): aquilo cujo preço é conhecido é resgatado pela declaração de uma só pessoa; e aquilo cujo preço não é conhecido é resgatado pela declaração de três — como o vinho que azedou, os frutos que apodreceram, e as moedas que enferrujaram.
Halachá: "Quem transporta produtos do segundo dízimo" etc. Disse Rabi Yoná: não disseram senão "quem transporta" — logo, de início (fazê-lo propositalmente, para resgatar onde é mais barato), é proibido. E isto é quanto aos produtos do segundo dízimo já separado; mas quanto aos produtos que ainda são tevel para o segundo dízimo (ainda não separados), mesmo de início, é permitido transportá-los. Assim como Rabi (Yehuda HaNassi) tinha produtos aqui e produtos em Botnia (região da Batanaea), e fixava o dízimo dos daqui lá, e os resgatava pelo preço de lá.
Foi ensinado: seja que estava caro e ficou barato, seja que estava barato e ficou caro (resgata-se pelo preço mais baixo entre a separação e o resgate). Está bem quando estava caro e ficou barato (pois então o preço do resgate é o preço real no momento do resgate); mas quando estava barato e ficou caro (por que se resgataria pelo preço mais baixo, já ultrapassado)? Há diferença aqui, pois ele poderia usar de artifício sobre isso e livrar-se do quinto (fazendo um terceiro resgatar por ele, já que quem resgata para outrem não precisa acrescentar o quinto).
Foi ensinado: disse Abba Chilfai bar Kiryá: em que caso se disse isto (que se resgata pelo preço mais baixo)? No demai certo (produto de dízimo separado com certeza); mas no demai (produto duvidoso quanto ao dízimo), seja que estava caro e ficou barato, seja que estava barato e ficou caro, vende-o barato. Por quê? Porque parece que se vende barato, ou porque não se pode devolvê-lo ao seu lugar de origem, para vendê-lo lá? Qual é a diferença entre as duas razões? Se, depois, o seu lugar de origem ficou caro de novo. Se dizes que é porque não se pode devolvê-lo ao seu lugar — eis que ficou caro de novo, e ainda assim se venderia barato aqui; se dizes que é porque parece que se vende barato — mesmo assim, parece que se vende barato. Assim como Rabi Chiya bar Vava estava em Roma e viu que ali resgatavam aquelas tâmaras de Nicolau de lá pelo preço daqui. Disse: quem os ensinou a fazer isso? Chilfai bar Kiryá os ensinou.
Foi ensinado: uma pessoa pode lucrar no câmbio até um shekel na transação grande; uma pessoa pode lucrar até um quarto na transação pequena. Como se procede na prática, sem transgredir a proibição de juros? Um dinar aqui vale dois mil peruttot, e em Arbel dois mil e um lakan (uma pequena moeda ou quantia adicional de valor incerto); e ele quer dar cinquenta miríades de moedas e levá-las para lá — dá-se-lhe aqui a dois mil, e em Arbel a dois mil e um lakan.
Foi ensinado: não se resgata o segundo dízimo em nome de segundo dízimo, mas em nome de comum (chulin — é preciso declarar que o produto se torna comum, e a santidade passa ao dinheiro). Rabi Shaul perguntou: pensa bem — mesmo que todos soubessem que era dízimo segundo , a declaração ainda seria necessária? Mesmo assim é necessária. Foi ensinado: não se resgata o segundo dízimo senão de uma espécie sobre a sua própria espécie. Pois, se não fosse assim, o que diríamos? Que se resgata trigo por cevada, e cevada por trigo? Por isso o ensino é necessário. Mesmo dentro do mesmo grão, do grosso pelo fino, e do fino pelo grosso.
Disse Rabi Chananya: Rabi costumava comprar pepinos precoces para o governo, e fixava o segundo dízimo deles sobre cada talo, separadamente — considerando-os como se já estivessem cortados (do fruto). Rabi Yochanan perguntou: eles estavam inteiros, e tu dizes cortados? Disse Rabi Yoná: e está certo. Se dois eram sócios num único pepino, cabendo a um deles uma parte e ao outro duas partes — porventura um diz ao outro "toma a tua parte, e eu a minha"? Antes, é por meio de um e do outro juntos que o pepino inteiro se vende por mais caro; e aqui também, é por meio de um talo e do outro juntos que se vende por mais caro — por isso se avalia como se já estivesse dividido. Assim como Rabi Shimon bar Rabi costumava confiar o cuidado de fixar o dízimo àqueles do Sul, que eram tratados com desprezo (por serem pequenos ou de pouco valor). Nastón bar Kapara os ergueu e os cortou em pedacinhos diante dele. Disse-lhe: isto vale alguma coisa agora? Até agora , discutia-se apenas que uma coisa cortada em pedacinhos não vale — mas há também coisa cortada em pedacinhos que vale.
Rabi Yehoshua ben Levi disse: não se resgata o segundo dízimo por estimativa de uma só pessoa senão até trinta e seis vezes o seu valor. E disse Rabi Chizkiya: aquele que dessacraliza o produto, transferindo a santidade ao dinheiro, não deve fazê-lo sobre meia peruta, para que não seja como quem dessacraliza sobre um disco sem cunhagem (sem valor definido) — mas apenas até o valor de uma peruta inteira.
Disse Rabi Imi: Kama compareceu diante de Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish, e eles lhe disseram: vai e paga o resgate conforme aqueles tanaítas ensinaram: resgata-se o segundo dízimo pelo preço baixo, e não pelo preço caro — como o lojista compra, não como ele vende; como o cambista troca moedas pequenas, não como ele reúne moedas grandes. Até agora, tratava-se de uma quantidade grande; e quanto a uma quantidade pequena? Mesmo assim: como o lojista compra, não como ele vende; como o cambista troca, não como ele reúne.
Rabi Nachman bar Yaakov mostrava um cesto de folhas de palmeira a um carpinteiro, e resgatava conforme a sua opinião. Rabi Yanai mostrava um quarto de kav de trigo a um comerciante de trigo, e resgatava conforme a sua opinião. Rabi Simon mostrou produtos a Rabi Chilkiya. Disse-lhe: pelo seu valor real? Disse-lhe: sim. Disse Rabi Chilkiya em nome de Rabi Simon: não se resgata o segundo dízimo pela opinião dos tolos. Rabi Pinchas mostrou produtos a um fabricante de grãos moídos. Disse-lhe: pelo seu valor real? Disse-lhe: assim disse Rabi Chilkiya em nome de Rabi Simon: não se resgata pela opinião dos tolos. Disse Rabi Shamai: quanto uma pessoa quer pagar, num meio-dia claro no solstício de verão, depois que o dono do banho tira seus feixes de lenha, restando pouco combustível à venda barata — traz moedas e resgata. Disse Rabi Yirmeya: quanto uma pessoa quer pagar, na véspera do Shabat, ao entardecer, quando as trançadeiras estão ocupadas e ele passa junto delas — traz moedas e resgata. Disse Rabi Yudan bar Gadya: Rabi Yaakov bar Bun deixava os produtos sobre si , sem resgatá-los, até que murchassem, e os resgatava imediatamente na saída do Shabat.
Rabi Maná tinha azeite do segundo dízimo e o levou para Acre para vendê-lo. Disse-lhe Rabi Chiya bar Ada: se aquele teu azeite junto à balaustrada de tua casa, ainda não resgatado, ainda existe — eis que é o teu momento de resgatá-lo, pois lá em Acre não vale mais que seis minas.
Disse Rabi Yochanan: resgata-se o segundo dízimo pela informação de três compradores, mesmo que um deles seja gentio; mesmo que um deles seja o próprio dono. Rabi Yoná perguntou: então valeria também que ambos sejam gentios? Não. Ambos sejam donos? Não. Um seja gentio e um seja dono? Não. Antes, foi dito cada exceção separadamente — um gentio isolado, ou um dono isolado, mas não em combinação um com o outro.
Esta é a primeira halachá do Perek Dalet de Massechet Maaser Sheni, abrindo o quarto capítulo: a Mishná ensina que quem transporta produtos do segundo dízimo entre lugares de preços diferentes resgata-o segundo o preço do seu próprio lugar, que o excedente de valor da eira ou do lagar até a cidade pertence ao segundo dízimo enquanto a despesa é do dono, que se resgata pelo preço baixo — como o lojista compra e o cambista troca — e que não se resgata por estimativa geral, sendo necessária a declaração de uma ou de três pessoas conforme o preço seja conhecido ou não.
A guemará traz o ensino de Rabi Yoná sobre o transporte proibido de início e o caso de Rabi entre seus produtos daqui e os de Batanaia; a distinção entre o preço que caiu e o que subiu, o demai de Abba Chilfai bar Kiryá, e as tâmaras de Nicolau em Roma; o câmbio entre o dinar daqui e o de Arbel; e a exigência de resgatar em nome de comum, não em nome de segundo dízimo, e apenas da mesma espécie.
Traz ainda os pepinos de Rabi para o governo e a disputa entre Rabi Yochanan e Rabi Yoná; o limite de Rabi Yehoshua ben Levi de trinta e seis vezes o valor, a meia peruta de Rabi Chizkiya, e a regra transmitida a Kama; os exemplos de quem testemunha o preço baixo, incluindo Rabi Shamai e Rabi Yirmeya sobre a hora mais barata do dia; o azeite de Rabi Maná levado a Acre; e fecha com o ensino de Rabi Yochanan sobre o resgate por três compradores, mesmo gentio, mesmo dono, e a distinção de Rabi Yoná.
Com esta halachá, abre-se o Perek Dalet de Massechet Maaser Sheni, que terá ao todo seis halachot.